terça-feira, 16 de março de 2010

VERSOS LIVRES # 01


Neste blog estou disponibilizando todas as edições do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, São Paulo, cujo objetivo é a divulgação de poesias.

VERSOS LIVRES
01
EDITORIAL
Versos" é um informativo cuja única função é divulgar a poesia, em suas diversas manifestações. "Versos " é aberto a colaborações, que devem ser encaminhadas à sua sede, à Rua Francisco Antunes, 687- Vila Augusta, Guarulhos, SP, CEP 07040-010. Neste primeiro número, divulgamos os poetas de Guarulhos. Mas, em cada número teremos também, poetas consagrados e letras de música. ( Touché)


*
FRAGMENTO
"...a poesia existe nos fatos..."
*
DE SOMBRAS MÔNADAS FILÓSOFOS E SÁTIROS
Hilton
HILTON é um poeta guarulhense e sua poesia tem uma particulariedade: é feita no formato de 5 versos, espaço e mais 3 versos, que o poeta define como "poemas guarulhos"'.
 repetiu versos mais fatídicos
mais terríveis de Augusto
dos Anjos que dizem
histórias alucinadas
de sombras mônadas filósofos & sátiros
riu
& chorou de alegria
em algum momento compreendeu toda poesia.
*
FRAGMENTO
"...não enterres coveiro, o meu passado:
tem pena dessas cinzas que ficaram ..."
*
CAZUZA
(do livro Inventário de Sentimentos)
caminho pelas gares
de subúrbio
lágrimas salgam o meu rosto
hoje não tem mais Agenor
*
PROGRESSO
A. Ibrahim Khouri
do livro " Eu só..você só "
Ibrahim Khouri é membro da Academia Guarulhense de Letras e do Grupo Literário Letra Viva.
Isto se chama progresso ?
Concreto pelo caminho,
Todos seguem sozinhos
num viajar sem regresso;
Progresso nas águas dos rios
Junto a ganância dos homens
E os pobres de bolsos vazios ?
Não podem amenizar sua fome ?
Progresso num sinal de fumaça
É a guerra das chaminés
O ser humano é caça
Senão, afinal, o que é ?
Isto se chama progresso ?
há algo tão desumano ?
Na revista veio impresso :
o Computador é o Homem...
do Ano .. (trecho)
*
3 DE MAIO
Oswald de Andrade
aprendi com meu filho de dez anos
que a poesia é a descoberta
das coisas que eu nunca vi
*
POESIA VELHA
Castelo Hannsen
Castello Hansen é jornalista, membro da Academia Guarulhense de Letras e um dos fundadores do Grupo Literário Letra Viva.
Minha poesia é velha
como o mundo,
antiga como a dor
Ainda rima beleza com tristeza
ainda sorri diante da natureza,
e chora o desamor
 Na busca do feijão de cada dia,
me perdi na cidade
sem entranhas ,
no cipoal de viadutos loucos,
na solidão de multidão vazia.
Porém, minha poesia
ainda é viola em noite enluarada,
ainda é um pouso bom
a beira da estrada,
é um povo bom
que ainda tem poesia.
Minha poesia é povo,
minha poesia vive de cabreira
entre o som, o ruído, a barulheira
de um mundo que esqueceu
sua linguagem.
Minha poesia é povo,
seu coração ainda não foi poluido
a música não morreu
em seus ouvidos.
sua retina ainda guarda
a velha imagem.
Minha poesia ainda pisa o chão,
seu coração ainda não é eletrônico
nem é plástico o seu ideal.
está perdida neste mundo novo,
mas grita,
na linguagem do meu povo,
contra o som
dessa máquina infernal.
 *
DOS OTÁRIOS E DOS COVARDES
Touché
Esta é a poesia das mulheres feias
mal arrumadas, acabadas;das mulheres doentes com seus filhos ao colo,que vão sozinhas ao pronto socorro, porque seus maridos não se interessam, ou estão caindo de tão bebados..
Esta é a poesia das velhinhas solitarias
isoladas em casa, que não conseguem bordar, nem gostam de ver televisão,nem tem onde ir.
Das velhinhas a quem ninguém pergunta nada, e ouvem, atrás das portas, tramas de alguém que quer interná-las ,,
Das velhinhas que só recordam pensam muito e se destroem por dentro !
Esta é a poesia dos otários e dos covardes :
onde os otários dessa cidade podem se vingar
a poesia que dá uma força aos covardes, que conta à eles o prazer de estar vivos,
a poesia dos enganados assaltados, roubados e traídos
a poesia do sufoco e do berro surdo,dos pusilanimes.
Esta é a poesia dos otários e dos covardes.
 *
FRAGMENTO
Oswald de Andrade
A Poesia para os poetas.
Alegria dos que não sabem
e descobrem ...
*
ESPAÇO ABERTO MUSICAL
ESPERANÇA
Raimundo Sodré
A última vez que eu vi Esperança
foi na mesma esquina em que eu me perdi
Havia uma lacrimogênica ilusão
palavras de ordem sob a calça Lee
O estado de graça de tantas contradições
nas barbas de Marx, de Khrisma mártir.
No livro sagrado de todas as pichações
a voz de John Lennon, na canção de Wladimir
Maio, meia oito, meia vida, meio torta,
meio natureza morta, pode ser...
meia liberdade, nosso sonho
que se solta, mas não volta,
na meia volta volver
Havia vestígios de hippies e cohn-bandits,
os punhos cerrados violando o ar
tropicaetanos, zé celsos, travassos, gis,
em cada cabeça um mundo a mudar
Se somos a soma de tantas subtrações
outras gerações vão nos multiplicar
o sal da semente plantadas nos corações.
ações de outras cabeças, que possam sonhar

(Ouça a bela música do Raimundo aqui )





























 

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