sábado, 20 de março de 2010

VERSOS LIVRES # 02

Neste blog estou disponibilizando todas as edições do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, São Paulo, cujo objetivo é a divulgação de poesias.

VERSOS LIVRES nº 02

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EDITORIAL

ILUSTRES :
Estamos aqui com o segundo número do  “versos”. E tivemos uma boa repercussão.  Como pedir não custa nada, pedimos que  mandem selos para que possamos aumentar  nossa divulgação.  Continuamos abertos à colaborações. Em todo o trabalho, entendemos que o mais importante é o primeiro passo. E esse é o nosso segundo degrau.. 
( TOUCHÉ ) 

SONHOS
pens  
Isabel Borazanian
Guarulhos – SP

São lanças
lançadas
Querendo beijar
um pedaço do céu.
São formas
fincadas
plantadas  no chão.
São sonhos
se armando
em segredos de paixão
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GUARULHOS, 20 ANOS
Pedro Jorge

Cidade que eu vi crescer uma geração inteira,
desde os tempos de colégio.
Quanto tempo passou !
A garotada cresceu  e foi cada um pro seu  canto.
Muita  coisa mudou, mas continua provinciana.
Ninguém foi realmente embora.
Quem não lembra de quem  e quem não conhece quem  ?
Cidade  provinciana de relações provincianas.
Guarulhos,  para mim,
é uma Igreja no centro que já foi diferente.
É um colégio de padres que já não é de padres.
A Dom Pedro e  Sete :
Uma rua que desce outra que sobe,
uma grande ladeira que me leva prá casa.
E uma estação de subúrbio  que se  transformou numa praça,
onde me sento prá fumar.
Guarulhos,  é isso :
uma cidade. um subúrbio
Um monte de preconceitos e de tramas secretas.
E um amontoado de pessoas vazias.que me olham.
Guarulhos para mim é tudo :
o  primeiro baile, o primeiro amor, o  primeiro porre.
Os amigos que perdi, os amigos que ganhei
a poesia  e a perdição.
Guarulhos está  no meu  sangue,   é meu passado,  
é meu presente, meu ódio e meu amor.
A vontade de fugir .A vontade de ficar
Guarulhos é isso  :
Um símbolo na minha   vida..
Uma página em branco
onde escrevi minha história.

“Pedro Jorge é  ilustrador e poeta, participou do show Amostra Grátis, no auditório Guimarães Rosa e da Semana Cultural das Faculdades Farias Brito.Seu primeiro livro de poesias trazia ilustrações do próprio Pedro Jorge, ligando-se mais ao trabalho da visão urbana, das coisas da cidade grande “ ( Texto extraído do jornal Folha Metropolitana, caderno Folha Literária, coordenação de Onofre Leite
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net/arch2004-06-01_2004-06-30.html
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QUASE ECOLÓGICA
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Touché 
 
Plantaram nessa terra
Uma frondosa árvore
Que se chama Ignorância
Que todo dia,
Os artistas,
Os estudantes
E os operários
Vão regar
Com o suor de seus rostos

http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net 
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JIMMY HENDRIX
José Alaércio

Seus dedos negros e ágeis deslizavam naquele mar
Imenso de cordas a procura de um éden
Seu limite e desesperadamente
Corriam como um caran-
guejo acuado e
o fim não
havia

cordas ligadas com fios espelhados por toda parte
E nelas ele se mesclava se emaranhava se
eletrizava e seu corpo adquiria o
mesmo gingo mágico de seus
dedos que traziam cada
toque com a força
de um raio que
explodia os
acordes e
sua gui
tarra
como
ele
tomava forma humana e gritava e chorava  e ria até
chegar  em pleno orgasmo e depois penetrava
num êxtase profundo e como uma pluma va
gava pelos prados da delícia...mas
de repente sem que sua própria
mente percebesse aqueles dedos inquietantes eletrizavam tudo,
novamente querendo outros limites e navegavam  furiosos
fazendo aquele instrumento entre gritos e choros
dizer ao mundo toda a incerteza
de uma geração...
e foi numa força cósmica que ao mergulhar no  seu mundo ele
encontrou seu limite ilimitado e nos restou então
só um adeus...
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OS SONHOS
Rubens de Oliveira Santos

Os sonhos se perdem  na hora da realidade.
Os sonhos morrem na visão da verdade.
É tão  triste ver tudo se acabar
É tão triste ver o que  a gente  quer
Não se realizar..
Os sonhos  vão deixando de ocupar espaço
Os sonhos das artérias, das veias, dos nervos de aço
É tão triste ver a moléstia
É tão triste ver os mefistófeles sem justiça
Os sonhos voam na imaginação
Os sonhos dos diversos sem nexo, sem sexo,
sem  aterrisão...
É tão triste ter subordinação
É tão triste se fazer acepção
Os sonhos  correm pela estrada infinita
Os sonhos dos avós, dos pais
Dos  tios, filhos e do artista..
É tão triste ver nada se criar
Da maneira que a gente se fez planejar..
Os  sonhos navegam no imenso mar..
Os sonhos da  imagem do sol no céu do luar..
É tão triste ver tudo se acabar
É tão triste ver o que a gente quer
não se realizar....

Guarulhos - SP
Vencedor do Concurso Alternativo de Poesia, elaborado por Anita Costa Prado.


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