terça-feira, 15 de junho de 2010

VERSOS LIVRES # 05

No post de hoje mais alguns poemas constantes na edição nº 5, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos/SP

VERSOSLIVRES 5
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POETA
Maria do Socorro Xavier

O poeta é como o amor
Fala uma linguagem singular
Não tem pátria, religião e cor
Dilata longínquas fronteiras
Que o poeta nada tenha
Mas não lhe falte
O vocábulo da emoção
A transposição do sentimento
Com beleza e alma
Recôndito do seu ser
Universo também de outros seres
A poesia é aquela mágica
Que faz o feio ficar bonito
O cego ver
O mudo perante o mundo falar
A terra conhecer o céu
Faz da realidade mais crua
Um universo aberto
Com mil possibilidades
De estrelas iluminadas
Mesmo nas trevas
Da mais escura noite

Pernambucana, radicada na Paraíba, Socorro Xavier é presença em várias publicações alternativas. Mais informações sobre ela na Agulha

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SEM TÍTULO
Hélio Militão

A vida é simulação de poesia
É verso e reverso
O que mais temo é que um dia
Finde a inspiração, e, me fira
A turbulância do próprio-verso....
Gente.. Neste mundo de riquezas
E pobre de dinheiro e de espírito
Vivência... Vegetando.. Se este mundo
Fosse perfeito, se fosse bom,
Nele ninguém nascia chorando ...
O grito inesperado agride,
O silêncio oportuno é uma prece
A vitória agasalha aquele que trabalha
Que vai à luta, que tem fé..que se esforça
Que se empenha,e que nunca esmorece..

Hélio é de São Paulo, tendo participado de diversos eventos literários na cidade. Durante muito tempo, trocamos correspondências,descobrimos ter amigos comuns aqui em Guarulhos e até fizemos uma poesia em parceria, que infelizmente eu não lembro . Depois, perdemos contato. Mais informações no site JASA  ... e em SMP , onde tem até uma foto dele.

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SEM TÍTULO

Desabafo

ANDRÉ ARRUDA

DESDE PEQUENO
ME ENSINARAM QUE AMAR É DIVINO
DEUS É AMOR , ELES ME DIZIAM
MAS NÃO AMAVAM ELES NÃO ME AMAVAM
E NÃO SE AMAVAM TAMBÉM
MAS, EU CORAJOSAMENTE
DECIDIDAMENTE, IMPLACAVELMENTE,
AMEI-OS TODOS
EU
JÁ ERA UM DEUS E ELES NÃO SABIAM

Poema extraído do livro “Franco Poemas”, de André Arruda, que me foi gentilmente enviado pelo autor.

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SENHOR DO IMPOSSÍVEL
Pulsar

Sou o elo entre as paralelas :
Caminho para as teus sonhos :
Arco-Íris de infinitas cores
Luz do teu negro mundo:
Encontro do sol e da lua,
Séptula que sustenta-te o amor ;
Sorriso ingênuo dos meus pequeninos
Sabedoria dos velhos de espírito
Oásis de todo peregrino;
Mãos que acalmam o furor das tempestades
Saída para qualquer droga,
Amigo certo das horas vazias
Cálice do teu fel
Sangue da tua preciosa vida ;
Horizonte de teus olhos,
Aroma da primavera
Poeta dos poetas
Senhor do impossível
Ainda assim, sou singelo grão de areia;
E meu Pai. A Grande Montanha..

Esse poema me foi enviado por carta de Taubaté/SP, assinada apenas com o pseudônimo Pulsar

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SIMPLES QUERER
Nefert Irã

Queria eu entender o Homem
Mas, como entender o que Sou ?
Queria eu entender a Vida
Mas, como entender o que tenho de complexa simplicidade ?Queria eu entender o ínicio de tudo
Mas, como entende-lo,
se sou o fim?
Queria eu ver o teu rosto
Todas as manhãs
mas, como ver-te se o que tenho
É só o espelho ?
Queria eu sentir o seu calor
E ouvir teu som mais íntimo,
Mas, como faze-lo se vivo só ?
Queria eu querer não te querer
Mas, como, se és tu
quem me fascina ?

Nefert Irã é um poeta e ator da cidade de Guarulhos/SP. Poema extraído do livreto “Aos Poetas”

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