domingo, 19 de dezembro de 2010

VERSOS LIVRES # 21 - TERCEIRA PARTE

Neste blog estou disponibilizando o conteúdo do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos. No post de hoje, mais alguns textos publicados  na edição nº 21.

VERSOS 21PAINT

DESEMBUCHE
Antonio Cabral Filho

Oh,Garcia Marques,
tenha a santa paciência,
ninguém aguenta
cem anos de solidão

O meu amigo Cabral é carioca e adepto do poema- piada 
Saiba mais sobre ele no blog do amigo Selmo Vasconcelos
http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/
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EXERCÍCIO POÉTICO
Antonio Cabral Filho

Gastava a sesta
escarafunchando mapas.
de preferência rotos.
Interrogado,respondeu:
procuro rimas.

Cabral é editor do jornal  Letras Taquarenses.
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DESAFIO
Maria José Menezes

No espaço verde da esperança
saio a te procurar
No embalo longo
das grandes emoções,
sou cupido em noite de luar.
No balanço silencioso
das recordações
desafio em surdina
o tamanho da mágoa
dentro de mim.
Envolvo alma e ser
em realidades e sonhos.
Amanhã talvez vencida,
Não importam chuvas e ventos,
de índole atrevida
agarro-me à muralha do tempo
neste meu sombrio entardecer

extraído do jornal   As Acadêmicas - R Chafic Murad, 54
Ed Paraná-apto 702-Bento Ferreira- Vitória-ES - 29.050-660 - loureiro@tribunaonline.com.br
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meninaestrelas 
EU,MENINA
Cristiane Gayer

A menina olha para o céu
vê as estrelas
admira o universo.
A menina olha para o mundo
vê as pessoas
admira a criação
A menina olha para a vida
vê a si mesma
admira Deus

Cristiane é  de Capão do Leão-RS  e  editora da Folha Poética "A Borboleta"
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EM MEIO AOS SENTIMENTOS HUMANOS
Fábio Cantarero

Em meio às tristezas
carregadas comigo
em meu coração abatido...penso

Em meio ao sofrimento
Na vida só me resta a sombra
de um amargo destino...grito

Em meio ao ódio
Agonizo-me enfurecido
De toda a violência do mundo...sofro

Em meio ao medo
Condeno-me em prantos
Como um homem enfermo...quase morto

Em meio à vida
Existem sentimentos
que me fazem esquecer
de tudo isso...com um sorriso

Em meio ao destino
Deixo correr como um rio
infinito e límpido...livre

Em meio a todos esses conflitos
Resisto em cada momento
Existindo nessa dádiva de Deus.

Em meio aos sentimentos humanos...Vivo.

Fábio é da cidade de  São Caetano do Sul /SP
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Por hoje é só .  Como saideira , um poema  de Bukowsky :

madrugada

CONVERSA ÀS TRES E MEIA DA MADRUGADA
Charles Bukowsky

às três e meia da madrugada
a porta se abre
e há passos na entrada
que trazem um corpo,
e uma batida
e você repousa a cerveja
e vai ver quem é.

com os diabos, ela diz,
você não dorme nunca?

e ela entra
com o cabelo nos rolinhos
e num robe de seda
estampado de coelho e passarinho

e ela trouxe a sua própria garrafa
à qual você gloriosamente acrescenta
2 copos;
o marido, ela diz, está na Flórida
e a irmã manda dinheiro e vestidos para ela,
e ela tem estado procurando emprego
nos últimos 32 dias.

você diz a ela
que é um cambista de jóquei e
um compositor de jazz e canções românticas,
e depois de uns dois copos
ela não se preocupa com cobrir
as pernas
com a beira do robe
que está sempre caindo.

não são pernas nada feias,
na verdade são pernas ótimas,
e logo você está beijando uma
cabeça cheia de rolinhos,

e os coelhos estão começando a
piscar, e a Flórida é longe, e ela diz
que não somos realmente estranhos
porque ela tem me visto na entrada.

e finalmente
há muito pouca coisa
para dizer.

Um comentário:

  1. Temos uma verdadeira Orgia literária aqui, e das boas!

    Gostei de Charles Bukowsky, e dos outros também.
    Muito obrigado Touché, por poder te ler.

    Aquele abraço!

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