sexta-feira, 26 de março de 2010

VERSOS LIVRES Nº 02 – PARTE TRÊS

Neste blog estou disponibilizando todas as edições do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, São Paulo, cujo objetivo é a divulgação de poesias. Continuamos com textos publicados na edição nº 02. Aguardo críticas e comentários


CIDADÃO DO MUNDO
 

Valéria L. Santos
Pobres cidadãos do mundo !
Devorados pelos dentes de cristal..
Encarcerados entre as grades agressivas
E as muralhas do medo..

Trancafiados cidadãos do mundo...
Atrás do concreto das correntes e trincos
Entre cofres e alarmes nas fortalezas do medo..

Pobres cidadãos do mundo
Empilhados em prateleiras de concreto
Tendo por céu... O teto !

E por jardins o congestionamento dos pátios de cimento...

Valéria é de Guarulhos/SP
imagem :
Torsten Hoffman


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SONETO PARA MARILYN
Touché

Algum teenegar solitário
Admirava sua fotografia
Enquanto ela abria a porta
 Do seu escuro apartamento

Algum cinema do bairro
Projetava sua imagem sensual e terna,
 Enquanto ela tomava banho, triste..
Pensando só Deus sabe o quê..
Suas formas perfeitas e suaves
 Eram amadas por milhares de rapazes
E ela telefonava para um amigo..

Porque se sentia só
A inacessível estrela, a deusa do sexo.
.Dormiu um sono do qual não despertou..

Guarulhos- SP

 http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net
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ORVALHO

Rodrigo César

Orvalho
Fruto da noite
Brotando nos galhos

Rodrigo é de Curitiba/PA
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ESTOU VENDENDO A MIM MESMO 

 Castelo Hanssen

Y87RD00Z
Quem dá mais ?Quem dá mais ?















Estou vendendo a mim mesmo,
Prostituto de um mundo decadente
Vendo meu corpo, ninha mente...
Eu sei falar mentiras cavernosas
 Eu sei calar verdades dolorosas
Encher de letras um monte de papel...
Sei escrever discursos laudatórios..
Sei escrever poemas em mictórios
Falar doçuras, destilando fel....
Estou vendendo a minha pena (que pena)
 Pelo melhor preço da praça ( de graça )
Por uma casa, um fusca ,um TV colorido
Um prato de lentilhas, ou mesmo um bom sortido..
Estou vendendo a mim mesmo
Quem dá mais ? Quem dá mais ?
O resto, as coisas que não valem nada
( meus sonhos, vícios, medos e besteiras,
O meu primeiro amor, a poesia primeira,
As coisas que envergonho de dizer)
Essa, eu guardo muito bem guardado,
Debaixo do meu pé de goiabeira
Onde enterrei meus passos e meu gato
Onde brinquei de príncipe encantado
Onde sonhei em conquistar o mundo
Onde eu pensei que a vida é prá valer.
Estou vendendo a mim mesmo..
Quem dá mais ? Quem dá mais ?

 Guarulhos/SP
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OUTROS


O fanzine trazia ainda uma coluna de livros e publicações recebidas e uma outra coluna chamada Amostra Grátis, que trazia trechos dos materiais recebidos :

 Publicações Recebidas : - Informativo " O Literário" - Caixa Postal 8109 - Rio de Janeiro - RJ - CEP 21032-970 - Revista " A Cigarra "- Cx Postal 461- Stº André -SP- CEP 09001-970 - Livro " Vasto Abismo "',de Nilto Maciel, Cx Postal 2205- Brasília - DF- CEP 70349 – 970 - Informativo " Divulgação de Concursos Literários "'- Cx Postal 2553 - Santos -SP -CEP 11021-970

Amostra Grátis
1. " Como é fácil enganar com palavras ! Quem perceberá o quanto estou iludindo ? Ou estarei me enganando com palavras ? Não, não existe engano, ilusão. Nós é que estamos inaptos para as sutilezas. ..Ninguém pode escapar ao sortilégio das palavras que inventa. No entanto, poucos são os inventores de palavras e sonhos... A história de cada um de nós é a história que inventamos. Nós a mitificamos a cada sonho, a cada delírio, a cada descida ao poço da consciência." ( De Vasto Abismo - novelas. Autor, Nilto Maciel- Ed. Cótica. Caixa Postal 2205- Brasília- CEP 70349- 970 )

 2. " Eu acredito em Deus. - Porque resolvi escrever ? Porque quero que saibam que em um passado não distante, homens vendiam outros homens, e que o futuro saiba que houve um tempo onde homens se sentiam mais humanos que outros."(............) "Os escravos que participavam do conluio riam à socapa. Era ardentemente desejado o momento em que invadiriam as casas senhoriais..quebrariam as louças...sim. Aquela seria conhecida na História como a noite dos cristais" (De A Noite dos Cristais, de Luís Fulano de Tal, COP-BEM Gráfica Ltda, R. Darzan,80-S.P. 02034-030

domingo, 21 de março de 2010

VERSOS LIVRES nº 02 - PARTE DOIS

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Neste blog estou disponibilizando todas as edições do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, São Paulo, cujo objetivo é a divulgação de poesias.
No post de hoje , mais alguns textos da edição nº 02


NOVA SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1999
7GEI000Z        
Emerson Oliveira
 

In splendóribus 1999
O sacro momento 
Pange  Língua mio dio..
Dois amores, duas artes...
Splendóribus momento..
1999 1999 1999 1999 1999
Admirável ano
De nossos amores..
Feche a porta e deixe-me amá-la,
nem que seja por alguns minutos...
Inumeráveis são as carícias
Por entre os livros, cadernos
E folhas avulsas..
Incendeia-me
Poemas inacabados..
Oramos em silêncio
Entre beijos e abraços..
Um novo livro ,novas vidas
É 1999, de amor sem fim..
É 1999, uma nova época
Surge solene...
Embriagada por desvarios
E encantos passados..
Posso ver
Oswald de Andrade
Com sua coroa de flores
Emergindo
Neste mar de calmaria..
Embevecido por esta
Tarde chuvosa..
E aí consigo ver você,
Largada nostálgica
Nesta cama..
Venha Tarsila do Amaral,
Anita Malfati
Cecília Meirelles
Cantar comigo 1999
Porque
todos os gostos  são bons..
E todas as tardes suaves..
Mário de Andrade pede bis!!

(Cubatão - SP)
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RESTOS DE SOL
Célia Regina

Restos de sol
No céu
Procedem
o anoitecer..
Restos
de vida em mim
Sustentam
minhas ilusões..
A angústia
Atormenta
A razão vacila..
O olhar se apaga
A tarde padece..
Envolta no crepúsculo..
E no céu vermelho
Os rastros de nuvem
Cintilam o espaço..
Enquanto perseguem
O horizonte..
E os restos de mim
Gotejam pelos caminhos,
Enquanto perseguem
Meus sonhos..

(Guarulhos - SP )
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QUADRO DE PALAVRAS
eagle

Nefert Irã 

Os verdes campos de outrora ,
Hoje são vermelhos
E brotam neles as sementes da revolta..
São Josés que não se conformam ,
São Marias que não se consolam..
Pedrinhos e Narizinhos
Nos faróis da cidade ,
Esquecidos sem identidade..
Este quadro,
Eu pinto do Brasil,
Com tinta fresca
da realidade
Que todo mundo
Finge que não viu...

Guarulhos – SP
(do livro "Aos Poetas")

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NOITE
Pedro Dias Gonçalves 

Festa de luzes,
gotas de luar surpreendendo-nos 
Pela tua janela ;
Os meus olhos fixos no teu corpo,
Tua figura divinamente bela
e a luz enciumada esconde-se
Escurecendo o quarto,
trazendo negritude
sem saber que a luz
que vem do teu olhar
ilumina a alcova
em sua  plenitude  do Ano ..
(trecho)

(Pedro Dias Gonçalves nasceu em Caldas, Minas Gerais. Recebeu menção honrosa da Academia Guarulhense de Letras pela classificação do trabalho “Rancho da Saudade”, no 1º Concurso de Contos, da Prefeitura Municipal de Guarulhos. Participou da edição literária da “Folha Metropolitana”, foi membro do grupo literário “Letra Viva” e possui outros trabalhos já publicados no Boletim/82 da Secretaria de Educação e Cultura do Município. Cursou Letras na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras “Farias Brito” e vários cursos de extensão universitária. Foi servidor público municipal. Escreveu, entre outros os livros “Momentos” e “Moleque Atrevido”.
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/390599/lei-3579-90-guarulhos-sp

sábado, 20 de março de 2010

VERSOS LIVRES # 02

Neste blog estou disponibilizando todas as edições do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, São Paulo, cujo objetivo é a divulgação de poesias.

VERSOS LIVRES nº 02

versosdoisimagem

EDITORIAL

ILUSTRES :
Estamos aqui com o segundo número do  “versos”. E tivemos uma boa repercussão.  Como pedir não custa nada, pedimos que  mandem selos para que possamos aumentar  nossa divulgação.  Continuamos abertos à colaborações. Em todo o trabalho, entendemos que o mais importante é o primeiro passo. E esse é o nosso segundo degrau.. 
( TOUCHÉ ) 

SONHOS
pens  
Isabel Borazanian
Guarulhos – SP

São lanças
lançadas
Querendo beijar
um pedaço do céu.
São formas
fincadas
plantadas  no chão.
São sonhos
se armando
em segredos de paixão
__________________

GUARULHOS, 20 ANOS
Pedro Jorge

Cidade que eu vi crescer uma geração inteira,
desde os tempos de colégio.
Quanto tempo passou !
A garotada cresceu  e foi cada um pro seu  canto.
Muita  coisa mudou, mas continua provinciana.
Ninguém foi realmente embora.
Quem não lembra de quem  e quem não conhece quem  ?
Cidade  provinciana de relações provincianas.
Guarulhos,  para mim,
é uma Igreja no centro que já foi diferente.
É um colégio de padres que já não é de padres.
A Dom Pedro e  Sete :
Uma rua que desce outra que sobe,
uma grande ladeira que me leva prá casa.
E uma estação de subúrbio  que se  transformou numa praça,
onde me sento prá fumar.
Guarulhos,  é isso :
uma cidade. um subúrbio
Um monte de preconceitos e de tramas secretas.
E um amontoado de pessoas vazias.que me olham.
Guarulhos para mim é tudo :
o  primeiro baile, o primeiro amor, o  primeiro porre.
Os amigos que perdi, os amigos que ganhei
a poesia  e a perdição.
Guarulhos está  no meu  sangue,   é meu passado,  
é meu presente, meu ódio e meu amor.
A vontade de fugir .A vontade de ficar
Guarulhos é isso  :
Um símbolo na minha   vida..
Uma página em branco
onde escrevi minha história.

“Pedro Jorge é  ilustrador e poeta, participou do show Amostra Grátis, no auditório Guimarães Rosa e da Semana Cultural das Faculdades Farias Brito.Seu primeiro livro de poesias trazia ilustrações do próprio Pedro Jorge, ligando-se mais ao trabalho da visão urbana, das coisas da cidade grande “ ( Texto extraído do jornal Folha Metropolitana, caderno Folha Literária, coordenação de Onofre Leite
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net/arch2004-06-01_2004-06-30.html
__________

QUASE ECOLÓGICA
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Touché 
 
Plantaram nessa terra
Uma frondosa árvore
Que se chama Ignorância
Que todo dia,
Os artistas,
Os estudantes
E os operários
Vão regar
Com o suor de seus rostos

http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net 
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JIMMY HENDRIX
José Alaércio

Seus dedos negros e ágeis deslizavam naquele mar
Imenso de cordas a procura de um éden
Seu limite e desesperadamente
Corriam como um caran-
guejo acuado e
o fim não
havia

cordas ligadas com fios espelhados por toda parte
E nelas ele se mesclava se emaranhava se
eletrizava e seu corpo adquiria o
mesmo gingo mágico de seus
dedos que traziam cada
toque com a força
de um raio que
explodia os
acordes e
sua gui
tarra
como
ele
tomava forma humana e gritava e chorava  e ria até
chegar  em pleno orgasmo e depois penetrava
num êxtase profundo e como uma pluma va
gava pelos prados da delícia...mas
de repente sem que sua própria
mente percebesse aqueles dedos inquietantes eletrizavam tudo,
novamente querendo outros limites e navegavam  furiosos
fazendo aquele instrumento entre gritos e choros
dizer ao mundo toda a incerteza
de uma geração...
e foi numa força cósmica que ao mergulhar no  seu mundo ele
encontrou seu limite ilimitado e nos restou então
só um adeus...
____________________

OS SONHOS
Rubens de Oliveira Santos

Os sonhos se perdem  na hora da realidade.
Os sonhos morrem na visão da verdade.
É tão  triste ver tudo se acabar
É tão triste ver o que  a gente  quer
Não se realizar..
Os sonhos  vão deixando de ocupar espaço
Os sonhos das artérias, das veias, dos nervos de aço
É tão triste ver a moléstia
É tão triste ver os mefistófeles sem justiça
Os sonhos voam na imaginação
Os sonhos dos diversos sem nexo, sem sexo,
sem  aterrisão...
É tão triste ter subordinação
É tão triste se fazer acepção
Os sonhos  correm pela estrada infinita
Os sonhos dos avós, dos pais
Dos  tios, filhos e do artista..
É tão triste ver nada se criar
Da maneira que a gente se fez planejar..
Os  sonhos navegam no imenso mar..
Os sonhos da  imagem do sol no céu do luar..
É tão triste ver tudo se acabar
É tão triste ver o que a gente quer
não se realizar....

Guarulhos - SP
Vencedor do Concurso Alternativo de Poesia, elaborado por Anita Costa Prado.


*

terça-feira, 16 de março de 2010

VERSOS LIVRES # 01


Neste blog estou disponibilizando todas as edições do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, São Paulo, cujo objetivo é a divulgação de poesias.

VERSOS LIVRES
01
EDITORIAL
Versos" é um informativo cuja única função é divulgar a poesia, em suas diversas manifestações. "Versos " é aberto a colaborações, que devem ser encaminhadas à sua sede, à Rua Francisco Antunes, 687- Vila Augusta, Guarulhos, SP, CEP 07040-010. Neste primeiro número, divulgamos os poetas de Guarulhos. Mas, em cada número teremos também, poetas consagrados e letras de música. ( Touché)


*
FRAGMENTO
"...a poesia existe nos fatos..."
*
DE SOMBRAS MÔNADAS FILÓSOFOS E SÁTIROS
Hilton
HILTON é um poeta guarulhense e sua poesia tem uma particulariedade: é feita no formato de 5 versos, espaço e mais 3 versos, que o poeta define como "poemas guarulhos"'.
 repetiu versos mais fatídicos
mais terríveis de Augusto
dos Anjos que dizem
histórias alucinadas
de sombras mônadas filósofos & sátiros
riu
& chorou de alegria
em algum momento compreendeu toda poesia.
*
FRAGMENTO
"...não enterres coveiro, o meu passado:
tem pena dessas cinzas que ficaram ..."
*
CAZUZA
(do livro Inventário de Sentimentos)
caminho pelas gares
de subúrbio
lágrimas salgam o meu rosto
hoje não tem mais Agenor
*
PROGRESSO
A. Ibrahim Khouri
do livro " Eu só..você só "
Ibrahim Khouri é membro da Academia Guarulhense de Letras e do Grupo Literário Letra Viva.
Isto se chama progresso ?
Concreto pelo caminho,
Todos seguem sozinhos
num viajar sem regresso;
Progresso nas águas dos rios
Junto a ganância dos homens
E os pobres de bolsos vazios ?
Não podem amenizar sua fome ?
Progresso num sinal de fumaça
É a guerra das chaminés
O ser humano é caça
Senão, afinal, o que é ?
Isto se chama progresso ?
há algo tão desumano ?
Na revista veio impresso :
o Computador é o Homem...
do Ano .. (trecho)
*
3 DE MAIO
Oswald de Andrade
aprendi com meu filho de dez anos
que a poesia é a descoberta
das coisas que eu nunca vi
*
POESIA VELHA
Castelo Hannsen
Castello Hansen é jornalista, membro da Academia Guarulhense de Letras e um dos fundadores do Grupo Literário Letra Viva.
Minha poesia é velha
como o mundo,
antiga como a dor
Ainda rima beleza com tristeza
ainda sorri diante da natureza,
e chora o desamor
 Na busca do feijão de cada dia,
me perdi na cidade
sem entranhas ,
no cipoal de viadutos loucos,
na solidão de multidão vazia.
Porém, minha poesia
ainda é viola em noite enluarada,
ainda é um pouso bom
a beira da estrada,
é um povo bom
que ainda tem poesia.
Minha poesia é povo,
minha poesia vive de cabreira
entre o som, o ruído, a barulheira
de um mundo que esqueceu
sua linguagem.
Minha poesia é povo,
seu coração ainda não foi poluido
a música não morreu
em seus ouvidos.
sua retina ainda guarda
a velha imagem.
Minha poesia ainda pisa o chão,
seu coração ainda não é eletrônico
nem é plástico o seu ideal.
está perdida neste mundo novo,
mas grita,
na linguagem do meu povo,
contra o som
dessa máquina infernal.
 *
DOS OTÁRIOS E DOS COVARDES
Touché
Esta é a poesia das mulheres feias
mal arrumadas, acabadas;das mulheres doentes com seus filhos ao colo,que vão sozinhas ao pronto socorro, porque seus maridos não se interessam, ou estão caindo de tão bebados..
Esta é a poesia das velhinhas solitarias
isoladas em casa, que não conseguem bordar, nem gostam de ver televisão,nem tem onde ir.
Das velhinhas a quem ninguém pergunta nada, e ouvem, atrás das portas, tramas de alguém que quer interná-las ,,
Das velhinhas que só recordam pensam muito e se destroem por dentro !
Esta é a poesia dos otários e dos covardes :
onde os otários dessa cidade podem se vingar
a poesia que dá uma força aos covardes, que conta à eles o prazer de estar vivos,
a poesia dos enganados assaltados, roubados e traídos
a poesia do sufoco e do berro surdo,dos pusilanimes.
Esta é a poesia dos otários e dos covardes.
 *
FRAGMENTO
Oswald de Andrade
A Poesia para os poetas.
Alegria dos que não sabem
e descobrem ...
*
ESPAÇO ABERTO MUSICAL
ESPERANÇA
Raimundo Sodré
A última vez que eu vi Esperança
foi na mesma esquina em que eu me perdi
Havia uma lacrimogênica ilusão
palavras de ordem sob a calça Lee
O estado de graça de tantas contradições
nas barbas de Marx, de Khrisma mártir.
No livro sagrado de todas as pichações
a voz de John Lennon, na canção de Wladimir
Maio, meia oito, meia vida, meio torta,
meio natureza morta, pode ser...
meia liberdade, nosso sonho
que se solta, mas não volta,
na meia volta volver
Havia vestígios de hippies e cohn-bandits,
os punhos cerrados violando o ar
tropicaetanos, zé celsos, travassos, gis,
em cada cabeça um mundo a mudar
Se somos a soma de tantas subtrações
outras gerações vão nos multiplicar
o sal da semente plantadas nos corações.
ações de outras cabeças, que possam sonhar

(Ouça a bela música do Raimundo aqui )