segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

OCORRÊNCIA

politico3456

espectros que nos governam
ficções úteis, sociais, divinos
fantasmas
infernos de esbórnias
e prosopopéias: altas alfaias
muito terá chorado quem desprezou
as pequenas verdades policiais.

Aricy Curvello

Publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres.

Aricy Curvello nasceu  em Uberlândia, Estado de Minas Gerais. Formou-se em Direito pela Universidade Federal de M.Gerais,em Belo Horizonte, período durante o qual atuou em política universitária e pró-reformas sociais, o que lhe ocasionou prisões e perseguições durante a ditadura militar (1964-1985).

Trabalha atualmente para a Aracruz Celulose, empresa brasileira que é a maior produtora mundial de celulose (matéria prima do papel) de fibra curta branqueada de eucalipto, cujas fábricas estão situadas no litoral do Espírito Santo. Vive na Praia de Jacaraípe, no município litorâneo de Serra. Integra a direção do Proyecto Cultural Sur, organização internacional de escritores com sede em Montreal (Canadá).

Foi correspondente no Brasil da revista literária portuguesa Anto (Amarante, 1997-2000), subsidiada pelo Ministério da Cultura de Portugal/ Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. Hoje em dia, correspondente da importante revista literária portuguesa  “Palavra em Mutação”, da cidade do Porto. Integra o Conselho Editorial da revista Literatura (Brasília/DF).

Sócio da União Brasileira de Escritores (Seção de São Paulo) desde 1980, bem como da Casa do Escritor de São Roque (SP), da Sociedade de Cultura Latina de Santa Catarina (Florianópolis) e do IAT- Instituto de Artes,Ciências e Letras do Triângulo. Sócio correspondente da União Brasileira de Escritores, do Rio de Janeiro.

Tem trabalhos estampados na grande maioria das publicações literárias dedicadas à poesia brasileira no país, como tem sido também muito divulgado no exterior. E´ considerado um dos mais importantes poetas brasileiros de sua geração.

Recebeu do tablóide de cultura “O Capital – Jornal de Resistência ao Ordinário”, de Aracaju (Estado de Sergipe), o Prêmio Dom Quixote 2001, pelo trabalho de intercâmbio entre Brasil e Portugal, que há anos vem promovendo.

 Confira outras informações sobre o premiado Aricy em http://www.protexto.com.br/autor.php?cod_autor=20

domingo, 18 de dezembro de 2011

VERSOS LIVRES Nº 33 - PARTE NOVE

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. Versos Livres é aperiódico, de distribuição gratuíta. Críticas, textos e sugestões podem ser enviadas para o meu email : touche.sp@uol.com.br

CORDEL

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Não há segundo sem primeiro
Esta é a Lei do Universo
Ficar longe da poesia
é coisa que não disperso
Assim como o Salgado
Um poeta Obstinado
Alimenta do seu verso

Há quem goste do Rogério
Também há quem o detesta
Rogério é agitador
Sobre isto ninguém contesta
Sua lida é de vitória
Já faz parte da história
como um mágico poeta

Olegário Alfredo

Essas são as últimas estrofes do cordel "Rogério Salgado, O Poeta Obstinado Que Não Deixa a Poesia Descansar ".  Publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP.

Confira uma entrevista de  Olegário em http://borrachalioteca.blogspot.com/2011/05/cordelteca-olegario-alfredo-no-terra-de.html . Saiba mais em http://www.olegarioalfredo.com.br

Publico abaixo , uma pequena amostra do trabalho de Rogério.

-

CONCEITO

conceito 3456

Sou o que representa
a febre, a dor
a expressão exata
a corda que desata
todos os nós acorrentados
aos conceitos do que
querem que a poesia seja.

Canto a canção ferida
daquilo que é doido

tenho olhos de vidros partidos
e a imensidão de compor.

Não me estabeleço
amanheço, entardeço, anoiteço
na forma mais concreta.

(Para Otávio de Campos ).

Rogério Salgado

Poema publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos/ SP. Rogério é Belo Horizonte/MG . Juntamente com Virgilene Araújo, é responsável pelo evento Belô Poético, referência no movimento cultural independente. Saiba mais em http://letrasecanaviais.blogspot.com/2011/07/o-quinto-belo-poetico-organizado-por.html

Saiba mais sobre  Rogério Salgado em http://artistasencena.blogspot.com/
http://www.psiupoetico.com.br/blog/rogerio-salgado/
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/minas_gerais/rogerio_salgados.html

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O BOM PASTOR

ceusol

Ele cuida de nós
com juízo
Ele nos dará sempre
o que for preciso
Ele nos une
para a sua luz
O nosso bom Pastor
é Cristo Jesus
Somos um só rebanho
de um só Pastor
Dele temos a vida
do seu amor
Somos um só rebanho
e ouvimos uma só voz
Se O conhecemos
    O sabemos
que Ele é por nós

Rosevaldo Vaz

Rosevaldo é da cidade de Cordeirópolis/SP . Além de poeta, é um excelente crítico literário. Esse poema foi publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

IMPRENSA ALTERNATIVA

No post de hoje, poemas publicados no fanzine "Só Meu Gato Me Entende", publicado em Fortaleza/CE e editado por Filipe Teixeira.

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INSONIA
Filipe Teixeira

Não dormi ainda
E um par de manhãs vieram
Ardem as retinas.

-

SÃO SEUS OS MEUS POROS
Filipe Teixeira

Meus poros são seus agora.
É o seu cheiro que eles exalam.
Os poros de um corpo nú
que ama sem pudor,
que exibe suas reentrâncias ao sol nascente
e que se esconde entre lençóis novos.
São seus os meus poros,
assim como são seus os caminhos
que eles guardam.
São meus os seus poros
que se refrescam
com a água que sobrou.
São os poros
já saudosos por querer
suar os mesmos suores,
sentir os mesmos calores.
Os poros abertos
pela quentura da sua pele
desejam se perfumar novamente
São seus os meus poros agora.

-

SEM POEMA POR HORA
Filipe Teixeira

Sinto-me demasiado feliz.
Feliz além
do que me permito estar
para escrever algo,
algo que preste.

- PhotoFunia-7f6e0a

O fanzine "Só Meu Gato Me Entende", é constituido por poemas, contos e crônicas, de autoria de Filipe Teixeira. E ainda publica sugestões de livros e jornais e também trechos de cartas e emails enviados para a sua redação.

Editado por Filipe Teixeira. Endereço para correspondência: Rua Ana Batista, 445, Fortaleza/CE, Cep 60341.360. Confira poemas, contos, prosas poéticos e outros textos   de Filipe em
http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=17127

sábado, 10 de dezembro de 2011

QUADRA

amigos

Quero contente, morrer
sem de nada me queixar
Se eu vim sem nada trazer
pouco, ao partir, vou deixar

João Batista Serra

Publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. O Versos Livres é aperiódico,de distribuição gratuíta. Textos, críticas e sugestões podem ser enviados para o email touche.sp@uol.com.br . João é  da cidade de Caucaia - CE , editor da revista de variedades "O Patusco".

Sobre ele , Maria Thereza Cavalheiro, escreveu, no site Falando de Trova ( http://www.falandodetrova.com.br/patuscando ):
“Filho de José Araújo Serra e de Cecília Batista Serra, JOÃO BATISTA SERRA nasceu em Fortaleza - CE, aos 28/07/33, mas também residiu em várias outras cidades, como Teresina, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Maringá. Trabalha com vendas e já viajou por todo o Brasil. Trovador, cordelista e compositor, com incursões pelo conto, João Batista Serra faz trovas desde os 15 anos de idade, e publicou  seu primeiro livro, com o incentivo de P. de Petrus, paulista residente no Rio. "

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PERNAS

pernas

Pernas
Entre elas
Um espaço de fome

Como a boca de um monstro
Como o gosto de sangue
Na língua cortada
Por um beijo afiado

Pernas
Como duas sentinelas

Guardando o óvulo
Feito ave..

Everton M. Behenck
http://apesardoceu.wordpress.com/

Publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres. Esse poema foi publicado originalmente no jornal Vaia, R. Demétrio Ribeiro, 706/601 - Centro - Porto Alegre, RS , 90010.312. O "Vaia" é um jornal cultural , com mais de 20 edições editadas.
Publica música, literatura, entrevistas, artigos, contos e poesias de artistas de todo o Brasil, além de promover eventos como o FestiVaia e o FestiPoa, Festa
Literária de Literatura de POA. 
Confira sua edição eletrônica no endereço
http://jornal-vaia.blogspot.com.
Saiba mais em
http://www.3ammagazine.com/brasil/jornal-vaia/
Confira também uma entrevista de Everton ao jornal Vaia em http://jornal-vaia.blogspot.com/2007/11/1-everton-vamos-comear-falando-sobre.html..
Mais poemas do Everton estão no seu blog 
http://apesardoceu.wordpress.com/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

QUADRA

 

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Braços mostrando na cruz
tanta abundância de dor.
Olhos de nosso Jesus
Que nos ofertava amor

Henny Kropf

Publicada na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos SP.  Henny Kropf nasceu e vive atualmente em Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro.
Aposentada no magistério (onde exerceu todas as funções), é escritora, poetisa, historiadora e cronista. Foi Diretora da Biblioteca Pública Municipal e Representante Municipal INL (1974-1982).
Henny é ativa participante de Concursos de Trovas e Poesias, já conquistou classificações e diplomas, inclusive de "Grande Destaque Cantagalense". É representante da FEBET (Município Cantagalo) e colaboradora do Acervo Municipal da Biblioteca Pública. Há alguns anos, edita a folha poética “Poenísia”, que divulga trovas e quadras e informações sobre Cantagalo .
Mais informações em
http://www.poetas.capixabas.nom.br/pesquisa/descri.asp?poeta=Henny%20Kropf

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

TROVA

amanhecer-estrada

Quem tem fé na sua estrada
e segue com Deus à frente
enfrenta qualquer cilada,
sabe ser sábio e prudente
!

Maria Thereza Cavalheiro

Trova publicada na edição nº 33,do fanzine Versos Livres, extraída da Coluna Trovas, do jornal O Radar , de Apucarana, Paraná. 
Maria Thereza é escritora, jornalista, advogada, tradutora e ecologista. Além de exercitar com maestria a poesia clássica, o verso livre, a crônica e o conto, é também uma exímia trovadora, premiada internacionalmente. São incontáveis seus prêmios. Colabora em jornais e revistas, divulgando trovadores e poetas , através de suas colunas literárias pelo Brasil afora.  Saiba mais
em
http://www.sorocult.com/el/colunista_texto.php?name=Maria%20Thereza%20Cavalheiro

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

LIVROS RECEBIDOS

No post de hoje, poemas extraídos do livro " O Amor Sob Todas As Formas", de Gaitano Antonaccio., gentilmente enviado pelo autor para a redação do fanzine Versos Livres.

oamor

O TEU MUNDO
Gaitano Antonaccio.

Teu mundo não é qual o meu – é diferente
Nem mesmo conhecemos a mesma gente
Há uma ânsia te cercando a cada instante
Que te conduz em busca de outro amante.

Não sei com quem andas, nem aonde vais.
Já nem mesmo sei se te conheço mais....
O olhar meigo de outrora, cheio de doçura,
Transformou-se em desespero e amargura.

Vives caindo nos mais estranhos braços,
E não consigo mais ter os teus abraços;
Nem mesmo sei, porque ainda te procuro,
Pois vives num mundo incerto e inseguro.

Talvez um dia, abandonada e sem carinho
Retornes arrependida para o mesmo ninho.
Como não sei viver sem a tua companhia,
E porque te amo, por certo eu te perdoaria...

In: " O Amor Sob Todas As Formas"

-

O AMOR E O TEMPO
Gaitano Antonaccio.

O tempo, para o amor não passa,
Porque o amor não perde tempo.

O amor não marca as horas,
Porque a hora do amor é infinita.

Por isso o amor num só instante
Transforma a vida numa eternidade.

In: " O Amor Sob Todas As Formas"

-

O TEMPO
Gaitano Antonaccio.

Há um momento,
Em que as horas passam
E você não sente;

Há um minuto,
Em que o tempo passa
E você não vê.

Mas há um tempo,
Em que cada instante se eterniza
Diante dos seus olhos,
E você nunca sabe,
Se perdeu ou se ganhou o tempo !

In: " O Amor Sob Todas As Formas"

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BRISA QUE VEM E VAI
Gaitano Antonaccio.

A saudade é como uma brisa...
Ela chega com a tua ausência,
penetra no meu corpo com frieza,
e acaba com o meu sorriso.

E todas as manhãs ao acordar,
tudo se transforma em ilusão,
e eu sinto uma dor imensa
que fica, quando essa brisa vai...

In: " O Amor Sob Todas As Formas"

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A apresentação do livro é feita por Jorge Tufic, que também é responsável pela arte da capa..
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Prefácio do próprio autor, que diz sobre o título do livro : O Amor Sob Todas As Formas”, título desse meu novo livro , é uma expressão inacabada. Sôo tantas as suas formas, que o mundo seria incapaz de acomodar todas elas. “ . Endereço do autor : Rua Monsenhor Coutinho, 527 – Centro – 69.010-110 – Manaus – Amazonas .

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

VERSOS LIVRES Nº 33 - PARTE SETE

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP.

QUADRA
Miguel Russowsky

Nesta vida hostil e azeda,
de desespero sem par,
rogo a Deus que nos conceda
a coragem de sonhar

in: A Voz da Poesia/MPN
Rua dos Bogaris,183 - Bairro Mirandópolis
São Paulo - SP - 04047.020
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QUERIDA
Antonio Pereira Mello

Querida, eu acredito no amor
e eu sei que tu me amas,
em pensamento me chamas
Eu escuto o teu chamado,
em pensamento eu exclamo
Querida, eu também te amo
eu estou apaixonado

Querida, eu te amo tanto
pela eternidade te amarei,
eu te digo, porque eu sei,
que eu sou correspondido
Um dia vais te libertar
e contigo eu vou casar
serei o melhor dos maridos..

Querida, o nosso amor é real
Vamos vive-lo intensamente
Vai durar eternamente
no meu e no teu coração,
por isso sinto alegria
viveremos todos os dias
com carinho e com paixão

Querida, nós seremos felizes
em um próximo futuro
eu te prometo, até juro
por ti serei sempre apaixonado
Por toda a minha vida,
O nosso amor, minha querida,
Por Deus é, e será, sempre abençoado

Mello é um grande colaborador do fanzine Versos Livres, através do envio de textos e jornais. Também é ilustrador. De Santa Maria/RS
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QUADRA
Walter Argento

No murmurinho de vozes
há sempre um som de criança ;
nos sofrimentos atrozes
há sempre um fio de esperança !

in: A Voz da Poesia/MPN
Rua dos Bogaris,183 - Bairro Mirandópolis
São Paulo - SP - 04047.020

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QUADRA
Jose Deusdedit Rocha

Mandacaru não me encanta
ao contrário do meu bem
que embora não sendo planta
tem seus espinhos também

Deusdedit edita, há alguns anos, o jornal  "Meya Palavra", com poemas, ilustrações e informações culturais. O endereço para correspondência do M.P.  é  Rua João Cordeiro, 1991, apto 101, B - Fortaleza/CE

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QUADRA
Osael de Carvalho

As estrelinhas douradas
que brilham na imensidão
são tuas palavras lembradas
dentro do meu coração

Há mais de 25 anos, Osael mantém circulando a folha cultural "O Literário", uma  das publicações mais conhecidas da cena alternativa. O endereço para correspondência é Caixa Postal 8109 - Rio de Janeiro - RJ  21032.970
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

VERSOS LIVRES Nº 33 - PARTE SEIS

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP.

MONOHAICAIS FRANCIANOS

 mong
1.
Fala
Da alma
Acalma

2.
Ter
Empreender
Crer

3.
Orar
Se deparar
Acreditar

Arthur Filho

O gaúcho Arthur ,além de editor do jornal independente "O Mensageiro" e proprietário da editora Opção 2 , é desenhista e roterista de algumas HQ. Saiba mais em
http://tonyfernandespegasus.blogspot.com/2010/10/arthur-filho-o-homem-que-ousou-resgatar.html

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O ÚLTIMO LUGAR
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Sua mão amansava o lençol branco,
tentando superar a margem
entre o prazer e o doer,
entre o ir e o desistir,
entre um porém sussurrado
e um sim silencioso.
Decidiu-se então
pelo novo caminho,
mesmo sem saber
como voltar.
Ela encontrou o mar.

Filipe Teixeira

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=17127&categoria=7

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NA RUA
ruas1

Contemplo passos errantes
alegrias vazias
tristezas singelas
o silêncio conspirador
a calmaria das incertezas
caminhos sombrios
são acenos que se perdem
numa vã procura !

José Vieira

Vieira sempre colabora comigo, me enviando textos e informações. De Galiléia ,MG .

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SEM TÍTULO
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As ruínas do dia começam a surgir
na linha colorida que limita o horizonte.
É lá que ainda restam alguns vestígios de vida e luz,
pelo descanso mágico do Sol,
que nos abandona com propósitos e esperanças
de um breve retorno 

Humberto Del Maestro

http://www.poetas.capixabas.nom.br/Poetas/detail.asp?poeta=Humberto%20Del%20Maestro

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A mulher calada

mulheres

Adriana Manarelli

Repito gestos maternais, maternalmente.
Essa água estagnada
Sucumbe em circunferência.
A luz na minha janela consome
Meu ancestral alabastro
E o tempo descora, ouro a ouro,
Minha pelagem de artífices —
Implantando craquelês
No reflexo do espelho
Até colher-me no índigo infinito.

Sibilo
Como algo que quer ficar.
Permanecer insurgente,
Como as gotículas regando o verde no vermelho.
Sulco de silvos,
Letreiros... balbucios.

Ela está quieta.
Flechas ardentes
Demolem nossas estruturas.
Em meio a nossos discursos
Andamos em círculos.
Vagido de aço
No breu mutilante —
É isso  — Quero que somente as dunas falem. (...)

17/11/2010 - 18/11/2010 . Poema publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres. Adriana é da cidade de  Araçatuba, SP . Confira outros poemas dela no blog de Everi Carrara, em http://jornaltelescopio.blogspot.com

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

VERSOS LIVRES Nº 33 - PARTE CINCO

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. E ainda poemas de  Arethuza Viana e Harley Meireles, enviados por email. Textos,críticas e sugestões podem ser enviados para o email touche.sp@uol.com.br

MIGUEL
Amancio Netto

Perdido entre árvores
e escombros
ele peca ligeiro
e corre atento

Criminoso
que invade a noite.
A noite dele :
vingativa e fértil
e sem vestígios
de quem nela desaparece

Vila Velha IV - Fortaleza/ CE

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LÂMINA
Tom

Sigo indigesto
raspando da vida
um trago,
uma úlcera,
um escárnio:
matérias-primas
de absoluto degredo.

De que me vale e pele
Se o guardião do templo
caiu em combate ?

Tanto pus,
tanto fado, melancolia!
Essa corja toda habitando o corpo !
Atiradores de elite
mirando o vírus !
Uma ilha à deriva do horror !

Agora posso,
mensurar a sensibilidade
Dos habitantes
Constrangidos
Pelo olhar da lâmina

http://tomzine24.wordpress.com

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POETRIX
Aline Leal

A simplicidade
é infinita
como a alma do poeta

in: "Cotiporã Cultural", R Marcílio Dias, 253 -
Cotiporã, RS,  Cep 95335.000 -
http://adaowons.blogspot.com/

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SEM TÍTULO
Ilma Fontes

Eu doi

     da
    men
      te
te digo:
um homem é suas pernas
uma mulher é seus braços

Eu doida(mente)
minto:
o medo é uma merda
sinto(muito)
só a loucura basta

Poema extraído do jornal "O Capital", cuja edição é da própria Ilma. O endereço para correspondência do jornal é Av Ivo do Prado, 948, Aracaju, SE, 49015.070. Saiba mais em
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/saciedigpv/08/ilfontes01.php

-

OS CACTOS
Maria José Menezes

Na rigidez da terra,
sob pedras enraizadas,
os cactos se perfilam
Estes vegetais peludos,
esguios, elegantes
alguns bem gordinhos,
mil protuberâncias,
agudos espinhos,
Aparência agreste,
imagem do nordeste.
Levei um para casa
selvageria me excita
dediquei-lhe afeto servil,
fugir à carne não posso,
em sensual contato.
uma carícia lhe faço.
Estático, agressivo,
deixou  meu corpo machucado,
minha alma ferida.
Na florária da vida
as flores vêm e vão
mesmo sem histórias
deixam pétalas no chão.
Os cactos, na intimidade
são como os homens,
escrevem lindas histórias
na íntima face da maldade.

in: 'As Acadêmicas", R Chafic Murad,54,
Ed Paraná - apto 702, Bento Ferreira, Vitória
ES - 29050.660

-

IMPOSSÍVEL
Arethuza Viana

Não gostar de você?
Não ter mais os seus carinhos?
Você é tão melhor que todos,
mais sensível!
Eu lhe quero nos passos
de todos os meus caminhos.
Não gostar de você?
Isso é impossível!

Abrace esse meu corpo
que com amor lhe chama.
Que importa se as pessoas
não nos compreendem?
Chegue mais perto,
deite em nossa cama.
Não percebe como
nossos corpos se entendem?

Gosto sim.
Gosto de você!
Por favor não fale nada.
Você é a alegria
que preenche o meu viver.
Segure minha mão,
é longa a nossa estrada...
E nunca me peça
para lhe esquecer !

http://arethuzaviana.blogspot.com/

-

POETRIX
Harley Meireles

no vôo dos pássaros
já fui vento
quem sabe ao certo
tempestade
ou apenas
sopro

http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/11/harley-meireles-entrevista-n-281.html

domingo, 16 de outubro de 2011

VERSOS LIVRES #33 - PARTE QUATRO

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. E ainda poemas extraídos da correspondência enviada para a redação do Versos. 

Significado-dos-nomes

EIS
Aricy Curvello

eis, mais que os nomes do nada,
menos que os nomes de tudo.
só alguns píncaros
pouco demais do mundo.
eis, dificuldade,a louca recusa
de compreender que é breve
               a eternidade.

eis, linguagem que vivemos,
( a linguagem que nos vive)
o ser, a casa,
o lugar-pátria :
eis todo o teu universo,
dicionários
& enciclopédias
como alicerces

-

HAI CAI
Débora Novaes de Castro

sol nascente    
licores de pitangas
manhanzinha

in: "Linguagem Viva"
R. Herval, 902 - São Paulo - SP
03062.000 - www.linguagemviva.com.br 
-

VELHOS GUARDADOS
Maura Soares

Na velha caixa quase se desmontando,
antigos papéis.
Guardadas no fundo do armário junto a roupas
em desuso, cartas amarradas em fita lilás.
Ela pegou o pacote, desatou a fita
e as lembranças saltaram das palavras
escritas em letra fina e inclinada.
Antigo amor, que desfilou em textos romãnticos
palavras de submissão a um sentimento
que desejava fosse eterno.
Mas...as coisas mudam.
As palavras ficaram guardadas
nas velhas cartas e o amor, antes eterno,
feneceu nas letras que o tempo
se encarregou de desbotar.

extraído da revista Ventos do Sul
Av. Patrício Caldeira de Andrada, 581/306
Residencial Victória - Bairro Abraão - Florianópolis
SC - 88085.150 - www.poetaslivres.com.br

-

copa-fragil-24-9

FRÁGIL
Jorge Fróes

Andava como se pudesse
subir ao alto de um prédio
e de lá pular, ou então
jogar-se á frente de um carro.
Um amor ferira-lhe terrívelmente
o coração. E a dor
de um coração ferido
é como algo que se guarda
em vidros de conservas.

in: Fenestra Literatura,
R. Eng. Antônio C. Tibiriça, 320/302
Jd Botânico - Poá - RS - 90.690-040

-

QUADRA
Humberto Del Maestro

Amo o céu, a flor, o mar
amo a praia luzidia.
Por isso é que o meu cantar
vem repleto de poesias.

Vitória/ ES

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MÃOS
Yolanda Montenegro

Tuas mãos deslizam
Suavemente em minha pele
Como a brisa da tarde
Encrespa o manso lago
Súbito a brisa transformada
Em vento revolve-se em furação
Sublimando dois seres
Em um só elemento
Na fúria da criação

Poesia publicada na folha literária "Meya Palavra". Enviada para a redação do Versos Livres pelo seu coordenador José Deusdedit Rocha, de Fortaleza/CE.  Confira outros poemas enviados , no meu outro blog, na seção Correspondências Recebidas, em http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net/arch2011-10-01_2011-10-31.html#2011_10-08_00_19_06-6846865-0

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

LIVROS RECEBIDOS

No post de hoje, poemas extraídos do livro "Poemas no ônibus e no trem", vários autores, projeto da Prefeitura de Porto Alegre, RS.

poemasonibustrem

Artesanato

ARTESANATO

Busco aquelas semanas
em que a avó trêmula
pintava bules de porcelana
e ouvia orquestra de orquídeas.

Traço rascunhos
de um bule pintado
de cacos, quedas e
gemidos de valquírias.

Sigo estradas tricotadas:
não há teorde mãos eruditas
ou chás de camomila

Bianca Zanini
in: Poemas no ônibus e no trem

-

Dias melhores verão

PRIMAVERAA

Desfruta
sem pressa
essa tua primavera
quando o verão chegar
e fores fruto maduro
vou te colher
com apuro
e te comer
de colher

Germana Konrath
in: Poemas no ônibus e no trem

-

Juras de Amor

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Juro pelos Girassóis de Van Gogh
Pelos Relógios Moles de Salvador Dali
Pelos versos de Fernando Pessoa
Pela Estátua de Davi

Juro pela Odisséia de Homero
Pelo Édipo Rei de Sófocles
Pelas Sinfonias de Beethoven
Pela sapiência de Sócrates

Juro pelo Dom Quixote de Cervantes
Pela Mona Lisa de Leonardo da Vinci
Juro pela Divina Comédia de Dante

Juro por tudo em que me ufano
Pela sabedoria de Confúcio
Juro por Deus que te amo !

Cosme Custódio
in: Poemas no ônibus e no trem

-

Haikai

riquezas

Valeu mesmo a pena ?
a cada milhão
duas pontes de safena

Rafael Vecchio
in: Poemas no ônibus e no trem
_

Os Pães

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Os pães nunca se os
cozem à noitinha. É
com o ar recém amanhecido,
com as mãos larvadas de
luz. Com olhos saídos
dos sonhos, mornos e a
boca selada apetecida.
Mas o fogo sim, quer-se
adentrado, que os pães
nunca se os cozem em fogo
iniciado. É no fogo derradeiro,
aquele que, extinto,
transferiu-se aos tijolos
abrasados.

Maria Carpi
in: Poemas no ônibus e no trem

-

O livro "Poemas no Ônibus e no Trem", foi gentilmente enviado pela escritora Zaira Cantarelli. Projeto da Prefeitura de Porto Alegre, Secretaria Municipal de Cultura .

Na página de apresentação, faz-se um agradecimento especial à professora e pesquisadora Rosane Salmoni. Incluindo os que constam neste post, foram selecionados poemas de Adão Jorge dos Santos, Bianca Zanini, Antoniel Campos, Alcir Nicolau Pereira, Eduardo Morais, Ane Arduim,Erik dos Reis, Ana Mello, Germana Konrath,Gabriel Dinnebier,Ivanise Mantovani, Carlos Pessoa Rosa, Carlos Bruni, Cosme Custódio, Magali Velasco Eidt, Marcelo Lopes, Márcia Carneiro, Jardel Estevão, Jéferson de Souza Tenório, Márcio Davie Claudino, Reginaldo Costa de Albuquerque, Maria da Graça Landell de Moura, Ricardo Rodrigues Jesus, Nelci de Abdala, Sérgio Luis da Silva Vargas, Paulo Roberto Faria, Tania Melo, Sérgio Peixoto Mendes, Rafael Vecchio, Mathias Cramer.

No capítulo "A Mulher e a Poesia", pesquisa de Rosane Salomoni, foram incluídas as poesias de Rita Barém Melo, Olga Savary, Adelaide de Castro Alves Guimarães, Francisca Júlia Silva, Florbela Espanca, Delfina Benigna da Cunha, Anna Alexandrina Cavalcanti De Albuquerque, Cândida de Oliveira Fortes, Maria Carpi , Martha Medeiros e  Sor Juana Inés de La Cruz.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

VERSOS 33 - PARTE TRES

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. E ainda a poesia de Eliane Alcântara.

salvador-dali-cristo-de-sao-joao-da-cruz

TROVA
Henny Kropf

Braços mostrando na cruz
tanta abundância de dor.
Olhos de nosso Jesus
Que nos ofertava amor

Cantagalo - RJ

-

QUADRA
Deusdedit Rocha

Se eu pudesse, ah, quem me dera 
novamente voltaria
à minha infância, onde eu era
tão feliz e não sabia

Aldeota - Fortaleza - CE

-

HAI CAI
Mário Kassawara 

Manhã de outono
a natureza desperta
vestida de cores

-

HAI CAI
Fernando Yamada

Aberto o diário 
dele salta rosa seca
é o primeiro amor

painting-amor

FRENTE A FRENTE
Eugênio de Andrade

Nada podeis contra o amor,
contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte ;
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco !

poema extraído do  jornal "Vaia" -
R Demétrio Ribeiro, 706/601 - Centro - Porto Alegre - RS - 90010-312 -
http://jornal_vaia.blogspot.com

-

ESCULTURA
Escobar Franelas

o poema está lá :
basta esculpir
nas palavras virgens

publicado na revista  Fundinho Cultural
Cx Postal 1005 - Uberlândia. MG -  38400-204

-

CURIOSIDADE  
Eliane Alcântara
.

Foi perdendo o medo
De abrir minhas cortinas
Que vi flores e borboletas
Na transparência do novo dia.

http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

VERSOS 33 - PARTE DOIS


HAI CAI
Antonio Cabral Filho

Sabiá veloz
Cruza meu pomar qual raio
Sem Gonçalves Dias

Rio de Janeiro / RJ

-

SEM TÍTULO
Eunice Mendes

ponte
entre a parte
e o todo

todo amor
é sobrevôo
porque
em tudo
que amo
eu morro

meu corpo
é nau frágil
em águas de batismo

Santos /SP

-

NEM ROSA NEM CRAVO
Nanû da Silva

A pequena garoa banha lentamente a rosa
K se escraviza no jardim urbano
O pequeno raio solar banha lentamente o cravo
K se escraviza no urbano jardim
Afinal, ke tipo de escravos queremos ser ?
Rebeldes ? Dóceis ? Audaciosos ?
Medrosos ?

São Paulo /SP

-

POEMETO
Teresinha Machado Guimarães

Nossos filhos são raios de luz
Pérolas preciosas
Amor que conduz

Publicado em Pró-Dons, o Jornal da Poesia
www.poetabrasileiro.com.br   

-

TROVA
Aparecida Mariano de Barros

O trem expresso da vida,
não pára nas estações,
nem dá sinal de partida,
nos levando aos trambolhões

Extraído do jornal “Fanal”, Rua Álvares Machado, 22
1º and, São Paulo/SP, 01501.030

-

ALQUIMIA
Adriana Manarelli

O sensorial se desdobra:
Eco pungente
Do coração
Que não se altera,
Bate-que-bate.
Visceral língua quente
Que despontada ao longe
É o núcleo
Da lua de cipreste
Cor de alfazema.

Coágulo de sangue
No rastro puro
De verbena e sândalo,
E penugem de prata,
E mãos de veludo:
Profundezas do essencial,
Pulsação vermelha do torvelinho aquecido,
Túnel de ouro azul.

Na ponte dos suspiros,
Orgulhosa de mim mesma,
Suspiro
Gratificada,
Sob esse amparo
Água flórida lápis-lazúli.

http://jornaltelescópio.blogspot.com

-

SEMENTES DA VIDA
Efigênia Coutinho

Refiz meu jardim, ressurgido o tempo,
Vitória da vida na maior idade!
Futureceram flores de alegria
O meu sonho feliz da fantasia...

Vão acordar as flores adormecidas
No calor da terra em gestação,
E quando acordarem o mundo treme
Por ser a terra inteira uma emoção!

O alimento é um abraço cheio de força,
Que vai futurecer, na sucessão
das horas mostradas nos grandes relógios,
o grão, amanhã caule, da paixão...

Semeio uma mão pura de sementes
que outros semearam noutras gentes...

http://jornaltelescópio.blogspot.com

-

THE BECKFORD CHILDREN
George Romney

romney-george-the-beckford-children

http://www.allposters.com.br

terça-feira, 27 de setembro de 2011

VERSOS 33 - PARTE UM


No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. E ainda poemas de Alaorpoeta e um pequeno poema meu.

segredo_img
OS SEGREDOS 
António Soares

Segredos não têm casa prá morar
mas a tê-la
segredos já não são
Segredos e conquistas
Nem ao pó dos sepulcros sejam dados
Teu segredo te diz
o quanto vales

in : Sorriso Matinal
Porto Alegre - RS -

-

SUBURBANO
Eliana Wissmann Alyanak

Dias e noites
passam a galope
eu caminho

in Revista Literária, Oficina Editores
RJ - RJ

-

REALIDADE FÉRREA
Raimundo D'Magalhães

Que tua estrela brilhe
Não somente no lábaro
Mas também no estribilho
De cada poro de teu filho...
Que teu tesouro efulvente,ouro...
Deságüe ingente
Nas artérias de um porvir
Desse hoje emergente
Pro-esperança
Dos nativos de ti...
Ó garrida Belém-do-Pará
Que não conjuguem crateras
Na tua carne férrea
E que a realidade térrea
Seja-te a locomotiva infinda do veio
Por teu reagir
Aos golpes que sangram
O ventre do teu seio.
Respira Amazônia...Grita!
Grita teus ais!
Mostra que o coro da parcimônia
Tu não queres mais!...
Respira Amazônia...Grita!
Grita teus ais!
E mostra que o coro Cabano
Não te orquestra
Só nos ancestrais!

Ananindeua - BE - PA

-

selo

SELO
Jacy Gê de Almeida

O selo
desgarrou-se da carta que eu abria
assustando-me
Só quando ele interrompeu
o seu vôo
pousando no recôncavo
da minha mesa de trabalho
é que eu pude entender
o fenômeno :
trazia ele, em sua face,
a estampa de uma irrequieta
borboleta...

Ferraz de Vasconcelos, SP
poetajacy@emferraz.com

-

QUADRA
Maria José Menezes

Por caminhos percorridos
fui sentindo as leis da vida
os meus versos tem sabor
de lembranças mui queridas

in Letras Taquarenses
Rio / RJ

-

PASSAGEIROS EM TRÂNSITO
alaorpoeta

Partíamos a destinos disformes
sombras etéreas de fátuos momentos
olhos ausentes vagando uniformes
o silêncio aflito dos pensamentos.
Peles multicores feitas de roupas
secretas coxas estirpes gravatas
borboletas cobras veladas bocas
e o céu metálico nas mãos fumaça.
Fixávamos suaves miragens
no átimo da infância livres bagagens
o último adeus do sabor das almas
a fila móvel nos pontos amargos
quando corpos doentes dos encargos
acolhem outras formas bem mais calmas.

http://alaorpoeta.blogspot.com/

lapidee

LÁPIDE
Touché

Quero um verso de Larí Franceschetto :
"A arte é amanhecer-se enquanto o sol vai embora "
Viver eternamente nos poemas. 

http://www.poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CARTAS RECEBIDAS

ESPERO-TE

espera2
Eunice Mendes

Espero-te
com um morango
entre os dentes
e
derramo-te
pequenas sementes
dentro do meu beijo
na dança das línguas
lânguidas serpentes
límpidas e inocentes
até que o fruto vermelho
irrompa o néctar docemente
beijando a flor
dos teus desejos
acesos

in: Missionários da Poesia, ano 2, nº 13, editado por Antonio Pereira Mello, Santa Maria, RS. 

ANTOLOGIAS PARA FERREIRA GULLAR - O poeta mineiro Aricy Curvello me enviou, entre outras publicações e livros, uma edição da revista Fundinho Cultural, editado por Hélvio Lima, onde consta um bom texto sobre três antologias organizadas em homenagem aos 80 anos do poeta Ferreira Gullar.
A primeira delas, "Poesia do Brasil -11", foi coordenada por Ademir Antônio Bacca e Claúdia Gonçalves ( Editora Grafite). A segunda, "Terça, conVerso no café", foi coordenada pelos integrantes do grupo carioca Poesia Simplesmente, e a terceira "Vozes na Paisagem -II", foi organizada pelas Edições Galo Branco, do Rio de Janeiro. O poeta uberlandense Aricy Curvello está incluído nas três coletâneas . (
http://www.riototal.com.br/coojornal/aricycurvello1.htm)


CITANDO RICARDO ALFAYA - " Penso que o poeta sempre escreve para o Outro. A comunicação da obra faz parte do "jogo" artístico. A cena que mais me ficou do filme " O Pequeno Príncipe" foi aquela da criança querendo mostrar o trabalho a "alguém". No caso,era um desenho. Isto é inerente ao ser humano. Você escreve um poema, tem aquele impulso de mostrar a alguém. Com  o tempo, você consegue mais ou menos administrar melhor isso. Já consegue fazer e guardar, deixar "de molho" para melhor avaliação posterior. Porém, nem sempre. Se houver alguma "vítima" por perto ou se você puder inventar um pretexto, vai acabar submetendo o seu trabalho ao Outro e, principalmente, submetendo o Outro a seu trabalho. Ou seja, a gente sempre escreve pensando num leitor. Se vai conseguir atingi-lo , ou não, é outra história."
( Ricardo Alfaya, poeta carioca, em entrevista à revista  "Poetizando", editada por Eunice Mendes e Walmor Dario Santos Colmenero, editora Artesania –
http://www.revistapoetizando.blogspot.com )

OUTROS SONHOS - Estava na esquina e conversava sobre nada e sobre coisas com meninas, adolescentes como eu, que passaram num instante, a povoar meu mundo, tão minúsculo.Era um projeto, razão, era a vida que se fazia visível e possível. Ao abrir os olhos, a esquina era outra, em outro lugar,com outras pessoas. Foi preciso (re)conhecer as esquinas novamente, as pessoas e outros sonhos ( mini conto de Djanira Pio, publicado no jornal "Binóculo", editado por Dias da Silva e Batista de Lima - ivonildodias@secrel.com )

UM POEMA DE ADÉLIA EINSFELDT

jacaranda

Um pé de jacarandá
se debruça
na minha janela
e derrama
suas pétalas
lilases
que caem no chão
da minha sala
Um presente que
a natureza me oferece
todos os dias
durante a primavera
tal qual um poema
me encanta
e emociona

( poema " Pétalas Lilases". Adélia é de Porto Alegre,RS)
__________
textos extraídos de correspondências enviadas para a redação do fanzine "Versos Livres", de Guarulhos, SP. Textos, críticas e sugestões podem ser enviadas para o email touche.sp@uol.com.br

sábado, 24 de setembro de 2011

CORRESPONDÊNCIA


EU E MINHA INSÔNIA
insonia
Miguel Russowsky

Minha insônia não quis dormir comigo.
Queria conversar !... - disse-me ela.
( desde então, tornou-se tagarela ;
desde então, tornei-me seu amigo )

Hoje eu não julgo mais ser um castigo
ter esta insônia aqui,de sentinela,
falando a toa, dês que venham dela
as sugestões magnifícas que sigo

Não não sofro de insônia... gozo insônia
Levanto e estou de bom humor, mais cedo
e escrevo afoito, até sem parcimônia

Exercícios mentais, me dão saúde
e vou levando a vida, assim, sem medo
com a velhice em plena juventude

Joaçaba, SC -  jornal "A Voz da Poesia", orgão de divulgação do Movimento Poético Nacional.

DOAÇÕES PARA UMA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA -  O professor Francisco Assis Mattos criou, em Itarema, Ceará, a Biblioteca Comunitária João Rodrigues de Mattos, que sobrevive graças a doações de publicações em geral. Mais informações sobre a Biblioteca e sobre doações no email bibliocommatos@gmail.com ou bibliocommatos@yahoo.com.br


LEITURA SEGUNDO  TERESINKA - " A leitura para mim é uma exploração de minas de diamantes guardadas dentro de livros insuspeitos ou de sermões chantageados de fé. Busco na leitura a palavra clara e precisa que possa chegar ao meu entendimento sem adornos superficiais nem subterfúgios: a palavra real. Júlio Cortázar, o contraporte de Clarice Lispector na literatura hispano-americana, discípulo de Jorge Luís Borges, dizia que as palavras deviam ser escovadas e lustradas pelos escritores antes de serem usadas. E tinha razão. Reusar palavras contaminadas pela corrupção literária é um vício que deve ser eliminado da escritura, por mais "rasca y pinganilla" que queira ser .( Teresinka Pereira, na crônica "O Peso da Solidão" - Teresinka é Presidente da Associação Internacional de Escritores e Artistas, IWA - email : tpereira@buckeye-express.com )

INDEPENDÊNCIA  - Em uma crônica sobre o Sete de Setembro e citando o grito de independência, a escritora carioca Glenda Maier, diz: " Não é preciso dizer que este brado continua se fazendo necessário a cada vez que tomamos conhecimento de mais um ato de corrupção ou outra maracutaia. É necessário bradar outra vez diante do constante descaso e desfaçatez de nossos políticos ao lidar com o dinheiro público, ao prestar contas de suas falcatruas tentando convencer o povo de que estão cobertos de razão, e outros muitos crimes diariamente cometidos por esses malfadados seres, infelizmente eleitos por nós ! A vergonhosa situação no Senado Federal torna imperioso um novo bardo de "independência ou morte !". Glenda prossegue falando sobre a destruição do planeta, sobre o lixo reciclável : "este brado de "independência ou morte" diante do lixo que ameaça nossa própria existência deve ser dado por todos e cada um de nós"
( Glenda Maier, na crônica "Independência ou Morte", jornal Jacarepaguá em Destaque )

ARTEIRO - Gosto de pintar. E quando criança fui arteiro. Hoje em dia sofro de artrose que não é cognato nem cognarte. Cognarte não consta da família de qualquer aurélio. Já não cumpro o ritual de ajoelhar, porém não dispenso uma hóstia. Gosto de ouvir : astrolábio, caleidoscópio, obsconso, oblongo, engonço e Augusto dos Anjos ( Ivan de Paulo Jacinto, Florianópolis, SC - jornal literário Letras Santiaguenses, editado por Auri Antonio Sudati e Zé Lir Madalosso)

UM POEMA DE MARGARETE SCHIAVINATTO

ah_o_poeta

Não sou poeta
Sou
a eterna vontade
de ser

( "Confissão", de Margarete Schiavinatto, poema extraído da revista "A Cigarra" , nº 24 )
_____________
textos extraídos de correspondências enviadas para a redação do fanzine Versos
Livres. O Versos Livres é editado em Guarulhos, SP . Textos,críticas e sugestões podem ser enviados para o email touche.sp@uol.com.br 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

VERSOS LIVRES 15 - PARTE QUATRO

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 15, do fanzine Versos Livres. Também poemas extraídos de correspondências enviadas para a redação do fanzine e de publicações da imprensa independente.

VERSOS 15

O POETA
Maria das Graças Cavalcante Freitas

Artífice dos sonhos
Leves, belos e risonhos
Que o próprio Deus arquiteta !

extraído do jornal Pb Letras, Campina Grande , PB

-

QUADRA
João Batista Serra

Meu universo deserto
muda o clima, quando eu falo
que está totalmente aberto
para nós dois povoá-lo !

Caucaia - CE

-

PRELÚDIO 
Raul Seixas

Sonho que se sonha só
É só um sonho que sonha só
Mas sonho que se sonha junto
É realidade

http://youtu.be/EbCdVG_T_U0

-

MEIA NOITE
Francisco José Lacerda

Meia noite em ponto    
cinderela se despiu    
nos jardins do castelo    
Mil sinos repicam   
os anjinhos saltitantes   
descobrem o sexo    

in: Jornal A Voz , Av Dr José  Rufino, 3625 , Teijipió , Recife,  PE  -  Cep 50930.000      

-

relogio mulher hora

TROVA
Maria Thereza Cavalheiro

No tempo mais se comprova
quando é verdadeiro o amor
que não quer jura nem prova
não faz escravo ou senhor

poema extraído do jornal O Literário, enviado por Osael de Carvalho, Rio de Janeiro, RJ. Confira mais poemas enviados para a redação do Versos Livres no meu outro blog, no post  Correspondências Recebidas ,

-

TROVA
Neide Freire

O milagre da memória
nos traz a cada momento
Pedaços da nossa história
Nas asas do pensamento

essa quadra foi publicada na edição nº 13, na revista "Meya Palavra", editada por Deusdedit Rocha. Confira outros poemas publicados e mais informações sobre o M.P. no meu outro blog, no post  Imprensa Alternativa , em http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net/arch2011-09-01_2011-09-30.html#2011_09-20_00_16_03-6846865-0

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

VERSOS LIVRES 15 - PARTE TRES

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 15, do fanzine Versos Livres. Também poemas da mineira Eliane Alcântara e extraídas do livro  "Besouros Falantes", de P.J. Ribeiro.

VERSOS 15

BUSCA
Ney Rodrigues Azambuja

Inusitada busca de tua face oculta
esperança que arrefece
no desencanto do nada

poesia extraída do livro  Antologia Del`Secchi , coordenada pelo meu amigo Roberto Del'Secchi. Para participar de novas antologias, o endereço de contato é R. Profª Nina Berger Gonçalves, 180 - Bairro JK - Vassouras - RJ - Cep 27700.000. Ou acesse o blog da Editora : http://delsecchiantologia.blogspot.com/

-

SEM TÍTULO
Tania Schwab

Ao acordar,
memorizo.  Sigo em frente
Ao anoitecer,
me encho de poesia,
inspiração e saudade.

Tânia é de  Ijuí - RS - 98700.000

-

MOMENTO
DAS DECISÕES
Luiz Fernandes da Silva

a manhã abortou
em minhas mãos
o vazio de nossos gestos
na união
de nossos corpos adormecidos   
A infância de nosso querer
suado e aquecido por palavras
exercita-se na praia cansada

Nossos olhos frustrados   
nossas sombras
varrem espaços
e arrebentamos
todos os infinitos

Nossas mãos sentiram desejos
de matar nossos receios   
Na escuridão nossos segredos
foram ouvidos mais uma vez
      e fomos imunizados   
para gozarmos todos os medos

João Pessoa -PB - http://www.revista.agulha.nom.br/lferna01.html

tempoeliana 

TEMPO
Eliane Alcântara.

Vou abrir o tempo
Com a chave do sorriso
Para medir as chuvas
Através da intenção de fazer florir
Todos os anos que desbotarem
Com a ignorância dos homens.

E quando for outra vez
Talvez tempo de fechar a porta
Vou chorar para semear sorrisos
Onde só a alegria prevaleceu
Quando havia tanto para lamentar
E desacreditar.

Não importando o clima
Vou alçar vôo
E se me imaginarem louca
Vou voar mais um pouco
Até transformar a palavra em penugem
Para que a mesma ensine aos povos
O sentido de amar.

http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br

-

DESEJO
P.J. Ribeiro

Não me deseje mais do que sou
Se sou um cipestre, escolha-me como cipreste.
Não me veja como relva ou rio, esgoto
ou porco- espinho.
Se me deseja,deseje-me simplesmente.

do livro 'Besouros Falantes'. Confira outros poemas do livro e mais informações sobre o autor no meu outro blog, em http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net/arch2011-09-01_2011-09-30.html#2011_09-02_02_18_39-6846865-0

sábado, 10 de setembro de 2011

VERSOS LIVRES 15 - PARTE DOIS

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 15, do fanzine Versos Livres . Também poemas  de Adriana Manarelli e Silvio Afonso.E uma traquinagem da Sayô.  Deixe nos comentários suas críticas e sugestões. Paz e poesia !

VERSOS 15

PRELÚDIO
Eunice Mendes

o amor não é feito
desta matéria
que arde na cama
embora assim se insinue
o amor é este fogo indissolúvel
que nos une e nos perpetua
por dentro
um no outro pregado
depois do fogo extenuado

o amor é este silêncio aceso
esta cave prenhe
este sondar de mãos
que se tocam
e de olhos que se olham
despidos de si mesmos

este vento livre dentro do peito

A amiga Eunice é de Santos, SP. Saiba mais em
http://novapoesiabrasileira.blogspot.com/2010/06/eunice-mendes.html

-

TEMEI, PENHAS
Claúdio Manoel da Costa     

Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra meu coração guerra tão rara
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano;

Vós que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei: que Amor tirano
Onde há mais resistência mais se apura.

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/arcadismo/arcadismo.php

-

SÓ VOCÊ
Adriana Ribeiro Vieira

Só você faz com o que amor
seja o sentimento
mais importante no meu coração
E que a saudade a todo instante
me proporcione a inspiração
para escrever uma declaração
depois de nos encontrarmos 
no sonho

Você sempre me emociona
quando de repente telefona
por guardar no pensamento
uma data especial
do nosso relacionamento

Só você
que no ano inteiro me entende
Os meus pedidos atende
E que me envolve com carinho
quando ficamos bem pertinho.

Só você é o meu namorado
E quando estamos abraçados
tenho a convicção
que também me ama

Por isso
quando trocamos um beijo
ao sentir suas mãos no meu corpo
compartilhamos os nossos
momentos de felicidade

Adriana sempre colabora com o Versos Livres. Ela é de Poá ,RS

-

ALQUIMIA
Adriana Manarelli

O sensorial se desdobra:
Eco pungente
Do coração
Que não se altera,
Bate-que-bate.
Visceral língua quente
Que despontada ao longe
É o núcleo
Da lua de cipreste
Cor de alfazema.

Coágulo de sangue
No rastro puro
De verbena e sândalo,
E penugem de prata,
E mãos de veludo:
Profundezas do essencial,
Pulsação vermelha do torvelinho aquecido,
Túnel de ouro azul.

Na ponte dos suspiros,
Orgulhosa de mim mesma,
Suspiro
Gratificada,
Sob esse amparo
Água flórida lápis-lazúli.

Outros poemas de Adriana Manarelli podem ser encontrados no blog do meu amigo Everi Carrara , escritor e advogado de Araçatuba/SP - http://jornaltelescopio.blogspot.com/

-

O CAIR DA NOITE
silvioafonso

Como o sapo eu olho o céu em busca dos meus sonhos.
Já não penso no príncipe que eu não fui. Não pretendo o
beijo da menina ou que me perdoe a natureza por não ter
a beleza pretendida. Olho para o alto e sinto o dia indo
embora levando com ele as cores alegres das imagens
guardadas nos meus olhos. A noite em preto e cinza traz
com ela o cintilar das estrelas e a pretenção do luar.
Num salto volto para dentro de mim e esqueço lá fora o
lindo quadro que pintei.

Silvio é um mestre. Confiram outros poemas dele em
http://palhacopoeta.blogspot.com
http://reflexosespelhandoespalhandoamigos.blogspot.com/

 

clara