sábado, 26 de março de 2011

VERSOS 20 - PARTE UM

 

No post de hoje , alguns textos que foram publicados na edição nº 20, do fanzine Versos Livres, entre prosa e poesia.  Essa primeira parte traz textos de Álvares de Azevedo, Everi Carrara, Welington de Sousa, José Paulo Gonçalves e Manuel Bandeira       
VERSOS 20.

GLÓRIA MORIBUNDA
Álvares de Azevedo

Sinto uma voz no peito que suspira.
É a alma do poeta que desperta
E canta como as aves acordando

Oh! cantemos! até que a morte fria
Gele nos lábios meus o último canto!
Um cântico de amor, ó minha lira!

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VIOLETAS CONTINENTAIS
Everi Carrara

a estrada era uma serpente enrolando
a fina membrana verde das montanhas
eletricidade neutra do automóvel
embaixo dos discos o lar do viajante
é uma floresta interminável
um stereoscópio continental
em toda parte essas ruas são longas demais
as sombras silenciam meu sonho opiáceo
vozes são sombras velozes
esses deuses são violetas continentais

Everi é de Araçatuba, SP. É escritor e advogado, entre outras atividades que exerce . Durante muitos anos manteve o conhecido jornal  "O Telescópio",como referência no movimento alternativo. Depois migrou a sua publicação para a internet, em 
http://www.telescopio.vze.com. Mantém também um blog em que divulga diversas manifestações culturais. Saiba mais em  http://jornaltelescopio.blogspot.com/.

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NOITE
Welington de Sousa

Sem mais nem menos
me aproximo do silêncio
e a noite então me estende os braços.
Me recebe como filho
e no presente momento
Vejo como é inútil
meu pranto.
E o meu plano de vôo se perde
Quando observo atentamente a dança
do vagalume vagabundo
que vagueia sem parar
Depois que apago a luz
acendo a esperança
disperso a solidão
abro as cortinas
E rasgo as fotografias que nunca tirei
Queimo as cartas que nunca escrevi
E passo ( pelos becos da cidade )
o meu passado a limpo

Welington é de São Gonçalo, RJ. Confira outros poemas dele no seu blog "O Barulho do Silêncio ": http://obarulhodosilencioeoutrosruidos.blogspot.com/
noite345

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FRAGMENTO
José Paulo Gonçalves  
 
Nasci para viver à beira mar.porém um deus
colocou-me entre as montanhas condenando-me
a sentir vontade de transpô-las para sempre .
embora meus olhos o façam diariamente
mesmo sabendo que nunca se parte
definitivamente.

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TROVA
Manuel Bandeira

Teu corpo claro e perfeito,
- teu corpo de maravilha,
quero possuí-lo no leito
estreito da redondilha

Um comentário:

  1. Oi Touché,

    Uau, adorei o primeiro verso, me leio muito em Álvares de Azevedo, Lord Byron, Augusto dos Anjos, Kafka e Rimbaud, carrego todos eles em meu coração.

    Obrigado por compartilhar, um ótimo dia.

    Aquele abraço!

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