terça-feira, 12 de abril de 2011

LIVROS RECEBIDOS

O post de hoje é sobre um livro de Irineu Volpato, que foi enviado para a redação do Versos Livres.
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É um livro de poemas , chamado "Variavereda". Mais precisamente um livro de sonetos, da Editora Renard.
O livro não tem apresentação , nem informações sobre o autor.
Saiba mais sobre ele em  http://recantodasletras.uol.com.br/entrevistas/804767
http://paginadoirineuvolpato.blogspot.com/
A seguir, alguns sonetos constantes no livro :
VI Irineu Volpato
criancas-brincando
Dois olhos infantis mareando céu
em preguiça de tarde sendo roça
brincavam nuvens altas ar-de-troça
por infinito azul a mudaréu

Coração de sigilo e cismas longas
alma voraz de esperas incrustadas
desfiavam-se amarras viajadas
a ecos martelados de arapongas

Amando vento que em seu rosto ria
partia coração de fantasia
por sendas de veredas em clareiras

E só acordando quando mãe ou fome
roubava-lhe dos sonhos de desnomes
repondo-o aos tropeços - vida useira

-
X Irineu Volpato
Assuntou olhos no céu  Sol brunia
Setembro consumia-se e horizonte
abstrato de azul se aborrecia
adeuses enredados pelos montes

Solidão de terra arada empoçava
descosidas esperanças de plantio
Gume de estio chão cicatrizava
morriam de silêncio águas do rio

Setembro barganhou-se  Estorvado
viveu outubro mesmas cicatrizes
de terra ensaiada pra raizes

Navegado rosto triste enevoado
no flanco dos enquantos e esperas
cariciava esconsos de quimera

-
XI Irineu Volpato
E vale estilhaçava escuridão
galopado de nuvens aportadas
Ventania singrava sua canção
com ramagens pulsando gargalhadas

Cosendo alma pequena e solidão
consumida entre árvores copadas
nossa casa tumescida de verão
decorava um novembro chuvarada

E espiava escutar fúria dos ventos
exercícios dos avessos elementos
e chuva a devassar-se atrocidade

Sabia entrementes céu breviaria
e que amanhã outra chuva novaria
diáfora do tempo - eternidade

-
XXVIII Irineu Volpato
Ela fez-se orvalhado algodão
com seu artefato enfunado
coração de piano afogado
particípio de rosto paixão

Trazia arco-íris na mão
e no riso cipós sincopados
Estranjeira de sonhos cepados
navegava-se mel seu desvão

Ia além-meio-dia da vida
esmerando indoerse vencida
nem tapera se encalhar de espera

Delírio de lendas em liras
cavalgou pororocas mentiras
e morreu noitidão suas quimeras

2 comentários:

  1. Oi Touché,

    Deve ser um ótimo livro.

    Aquele abraço!

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  2. Caro Antonio venho novamente fazer uma visita a este blog que cada dia mais esta cultural, com assuntos muito interessantes. Um grande abraço.

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