segunda-feira, 9 de maio de 2011

VERSOS LIVRES # 18 - PARTE DOIS

No post de hoje, poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, e ainda o auxílio luxuoso de Nilto Maciel e Octavio Paz. 
VERSOS 18

ANGELICAL
Idalina de Carvalho

Angelical
Aquele vôo de
querubim
ameaçava
tridentes
e fogo
no ar

Extraído do jornal  "Correio de Poesia". R. Dr. José Maia, nº 31 - Cidade do Funcionário 1 - 58078-100 - João Pessoa - Paraíba . Saiba mais sobre a mineira Idalina , aqui,no site do RECANTO DAS LETRAS -

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ELO
Fátima Segatto

Elo
Elos passageiros
elos definitivos.
Conquisto e preservo
todos os elos sólidos
que formam a corrente
da minha vida.

Além de professora e escritora, Fátima organiza o projeto " Conquistando Mais Amizades Do Que Solidão ",com lançamentos de antologias cooperativadas. Mais informações através do endereço  Av. N.S.Medianeira, 2017/04 - Centro - Santa Maria - RS - 97060.001

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MACEIÓ
Ari Lins Pedrosa

Maceió
É uma aquarela,
onde o verde e o azul
dão o tom.
Tom da beleza natural.
Assim é este paraíso
das águas. 
Onde afogo
minhas mágoas

http://varejosortido.blogspot.com/2008/01/poetas-alagoanos.html

mulher_arco_iris_da_silvia

A VÉSPERA DO SONO
Rossyr Berny

o arco-íris
e seus sete corpos coloridos
são sete vidas tuas
em minhas mãos atônitas
eu
sete mil arco-íris
em tua boca que me beija

Extraído do jornal O Mundo Mágico da Poesia VI - Suplemento 1 - RS Letras - coordenação :  Viviane  Balau - R. Gedeon Leite, 99 -F-Belém Novo - Porto Alegre /RS - 91787-770
jobalau@terra.com.br 

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PEQUENO SERMÃO DA MONTANHA
Nilto Maciel

Enquanto esfrego um olho,
o diabo se apodera do outro.
No palco, o pastor exige dízimos,
aos berros:
deem-me seus míseros teres,
que Jesus vos dará em troca
o dobro, o triplo, mil vezes mil.
Os cacarecos levados pelas demolições,
pelas enchentes, pelos tsunamis
(“cada tauba que caía doía no coração”),
voltarão luzidios, em forma de mansões.
E todos vós estareis no paraíso.
Esfrego o olho perdido.
“Deus dá o frio conforme o cobertor.”

http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/

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NOITE EM CLARO
Octavio Paz

Aos poetas André Breton
e Benjamin Péret

Às dez da noite no Café da Inglaterra
além de nós três
                          não havia mais ninguém
ouvia-se lá fora o passo úmido do outono
passos de gigante cego
passos de bosque chegando à cidade
Com mil braços com mil pés de neblina
cara de névoa homem sem cara
o outono caminhava rumo ao centro de Paris
com seguros passos de cego
As pessoas caminhavam pela grande avenida
algumas com gesto furtivo arrancavam seu rosto
Uma prostituta bela como uma papisa
atravessou a rua e desapareceu em um muro esverdeado
A parede voltou a fechar-se
Tudo é porta
Basta a leve pressão de um pensamento
Algo se prepara
          disse um de nós
Abriu-se o minuto em dois
li signos na testa desse instante
Os vivos estão vivos
andam voam amadurecem explodem
os mortos estão vivos
oh ossos ainda com febre
o vento os agita os dispersa
cachos que caem entre as pernas da noite
A cidade se abre como um coração
como um figo a flor que é fruto
mais desejo que encarnação
encarnação do desejo
Algo se prepara
                        disse o poeta

Extraído do site  Agulha, revista de cultura -
http://www.jornaldepoesia.jor.br/agportal.htm

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