domingo, 5 de junho de 2011

VERSOS LIVRES # 18 - PARTE SETE

No post de hoje, poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, edição 18  ; do blog Nova Poesia Brasileira e um poema meu. 

VERSOS 18
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SONETO
Luís Vaz de Camões

Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de üa outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
de que uns e outros olhos derivadas
se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas

Começamos bem, com um soneto de Camões.
Saiba mais sobre o vate português
AQUI

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MÁCULA
Guilherme Scalzilli

Queria um poema a pleno som
como o estalido do cigarro aceso só.
No entanto, meu breve segredo,
soberbo, quer arrancar o redor.
Queria um poema raiz,lenha,
um poema sangue, urina, cinzas.
Mas a fraqueza esplandece uma manhã
sem sal ou odor, só essa dor atroz.

para Carolina Garutti. Poema do livro "Pantomima". Guilherme é de  Campinas – SP . Saiba mais em http://www.guilherme.scalzilli.nom.br/

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SONETO D'ALMA
Gertrudes Grecco

Sorrir com a alma, é fácil,
basta só, sinceridade...
O restante é mais frágil,
basta viver a verdade!..

A alma quando tocada,
voa longe, vai distante...
querendo trocar é trocada,
abandonando o restante...

O que mais vale ? é o que vai ?
Ou será que o que fica ?..
Podendo viver sem dor...

Expressando, vive, sai !
Pois a vida significa :
Um real e grande amor !!!

Gertrudes é de Guaratinguetá - São Paulo . Atualmente integra a diretoria da FEBAC, Federação Brasileira de Alternativos Culturais e a UBT. Confira AQUI

SEPARA~1

MOMENTOS DAS DECISÕES
Luiz Fernandes da Silva

A manhã abortou em minhas mãos
o vazio de nossos gestos
na união de nossos corpos adormecidos
A infância de nosso querer
suado e aquecido por palavras,
exercita-se na praia cansada.
Nossos olhos frustrados,
nossas sombras varrem espaços
e arrebentamos todos os infinitos.
Nossas mãos sentiram desejos
de matar nossos receios.
Na escuridão nossos segredos
foram ouvidos mais uma vez
e fomos imunizados
para gozarmos todos os medos.

Luiz é de João Pessoa, Paraíba, onde edita o jornal independente "Correio de Poesia" . R. Dr. José Maia, nº 31 - Cidade do Funcionário 1 - 58078-100 - João Pessoa - Paraíba 

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O QUE MAIS DÓI
Patativa do Assaré

O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.

Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.

O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.

É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau

Patativa é a nossa cereja no bolo de hoje.  Esse é apenas um dos seus inúmeros poemas . http://www.suapesquisa.com/biografias/patativa_assare.htm

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desPERTENÇA
mao_escrevendo

Luiz Otavio Oliani

o que escrevo
não cabe em mim
extrapola o sopro da língua
e se faz terra
enquanto sou ar

com raízes fincadas
a palavra não aterrissa
brota qual semente

roubado do blog de Benilson Oliveira
Nova Poesia Brasileira - 
http://novapoesiabrasileira.blogspot.com/

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SONS
Touché

Ela ouvia a loirinha tatuada, gemendo no quarto ao lado. Ouvia a música alegre que ainda rolava na sala. Garrafas quebradas, gritos de alegria. Ouvia o som do relógio na mesa de cabeceira. O coração disparado do garoto de lábios doces, pulsava nas suas mãos, como se pudesse ouví-lo.  

http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net

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