segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CARTAS RECEBIDAS

ESPERO-TE

espera2
Eunice Mendes

Espero-te
com um morango
entre os dentes
e
derramo-te
pequenas sementes
dentro do meu beijo
na dança das línguas
lânguidas serpentes
límpidas e inocentes
até que o fruto vermelho
irrompa o néctar docemente
beijando a flor
dos teus desejos
acesos

in: Missionários da Poesia, ano 2, nº 13, editado por Antonio Pereira Mello, Santa Maria, RS. 

ANTOLOGIAS PARA FERREIRA GULLAR - O poeta mineiro Aricy Curvello me enviou, entre outras publicações e livros, uma edição da revista Fundinho Cultural, editado por Hélvio Lima, onde consta um bom texto sobre três antologias organizadas em homenagem aos 80 anos do poeta Ferreira Gullar.
A primeira delas, "Poesia do Brasil -11", foi coordenada por Ademir Antônio Bacca e Claúdia Gonçalves ( Editora Grafite). A segunda, "Terça, conVerso no café", foi coordenada pelos integrantes do grupo carioca Poesia Simplesmente, e a terceira "Vozes na Paisagem -II", foi organizada pelas Edições Galo Branco, do Rio de Janeiro. O poeta uberlandense Aricy Curvello está incluído nas três coletâneas . (
http://www.riototal.com.br/coojornal/aricycurvello1.htm)


CITANDO RICARDO ALFAYA - " Penso que o poeta sempre escreve para o Outro. A comunicação da obra faz parte do "jogo" artístico. A cena que mais me ficou do filme " O Pequeno Príncipe" foi aquela da criança querendo mostrar o trabalho a "alguém". No caso,era um desenho. Isto é inerente ao ser humano. Você escreve um poema, tem aquele impulso de mostrar a alguém. Com  o tempo, você consegue mais ou menos administrar melhor isso. Já consegue fazer e guardar, deixar "de molho" para melhor avaliação posterior. Porém, nem sempre. Se houver alguma "vítima" por perto ou se você puder inventar um pretexto, vai acabar submetendo o seu trabalho ao Outro e, principalmente, submetendo o Outro a seu trabalho. Ou seja, a gente sempre escreve pensando num leitor. Se vai conseguir atingi-lo , ou não, é outra história."
( Ricardo Alfaya, poeta carioca, em entrevista à revista  "Poetizando", editada por Eunice Mendes e Walmor Dario Santos Colmenero, editora Artesania –
http://www.revistapoetizando.blogspot.com )

OUTROS SONHOS - Estava na esquina e conversava sobre nada e sobre coisas com meninas, adolescentes como eu, que passaram num instante, a povoar meu mundo, tão minúsculo.Era um projeto, razão, era a vida que se fazia visível e possível. Ao abrir os olhos, a esquina era outra, em outro lugar,com outras pessoas. Foi preciso (re)conhecer as esquinas novamente, as pessoas e outros sonhos ( mini conto de Djanira Pio, publicado no jornal "Binóculo", editado por Dias da Silva e Batista de Lima - ivonildodias@secrel.com )

UM POEMA DE ADÉLIA EINSFELDT

jacaranda

Um pé de jacarandá
se debruça
na minha janela
e derrama
suas pétalas
lilases
que caem no chão
da minha sala
Um presente que
a natureza me oferece
todos os dias
durante a primavera
tal qual um poema
me encanta
e emociona

( poema " Pétalas Lilases". Adélia é de Porto Alegre,RS)
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textos extraídos de correspondências enviadas para a redação do fanzine "Versos Livres", de Guarulhos, SP. Textos, críticas e sugestões podem ser enviadas para o email touche.sp@uol.com.br

Um comentário:

  1. Versos Livres foi uma publicação que marcou época no cenário alternativo e continua vivo no mundo virtual.
    cafofodakatita.blogpsot.com

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