quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A mulher calada

mulheres

Adriana Manarelli

Repito gestos maternais, maternalmente.
Essa água estagnada
Sucumbe em circunferência.
A luz na minha janela consome
Meu ancestral alabastro
E o tempo descora, ouro a ouro,
Minha pelagem de artífices —
Implantando craquelês
No reflexo do espelho
Até colher-me no índigo infinito.

Sibilo
Como algo que quer ficar.
Permanecer insurgente,
Como as gotículas regando o verde no vermelho.
Sulco de silvos,
Letreiros... balbucios.

Ela está quieta.
Flechas ardentes
Demolem nossas estruturas.
Em meio a nossos discursos
Andamos em círculos.
Vagido de aço
No breu mutilante —
É isso  — Quero que somente as dunas falem. (...)

17/11/2010 - 18/11/2010 . Poema publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres. Adriana é da cidade de  Araçatuba, SP . Confira outros poemas dela no blog de Everi Carrara, em http://jornaltelescopio.blogspot.com

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