sábado, 27 de agosto de 2011

VERSOS ROUBADOS

No post de hoje, poemas roubados de alguns blogs. Para críticas, sugestões, envio de poemas e reclamações, deixo mais uma vez o meu email : touche.sp@uol.com.br 


chuva21

DERRAMAR
Sérgio Cazu

Deixa eu me derramar sob os teus braços
semelhante a chuva que vai caindo aos poucos.
Ousada o bastante para querer banhar a todos,
pois de gota em gota vou preencher o frasco
que tu chamas de corpo.

roubado do blog do grande Sérgio Cazu
http://sercazu.blogspot.com/

-

COMUNHÃO
J.T. Parreira

Despertaste-me, porque querias
dizer-me qualquer coisa
qualquer coisa em Ti
é um pássaro que vem espreitar na lente
grande angular da minha lágrima
qualquer coisa em Ti é uma onda
que vem
limpar meus pés das areias
do deserto
É uma orquídea no outono
Despertaste-me porque querias
dizer-me qualquer coisa
Esperavas por mim, paciente
às portas do sonho.

roubado do blog do mestre  Sammis Reachers
Poesia Evangélica -
http://poesiaevanglica.blogspot.com

-

FILHA DO PECADO
Catiaho Reflexo d'Alma

Esculpida em carmesim
Boca em fogo
Mãos que abraçam
Pernas que apertam
Pés que se apressam
Tudo é fogo
Vento veloz
Lua por testemunha...

O amor não
tem parceiros
Mas sim cúmplices
Aliados em prol
de uma só causa
O prazer
sem
limites...

Ciranda de sensações
Gosto de pecado
sabor de desejo
perfume de intenção
culminando em mais
que paixão
prazer absoluto
êxtase a se fazer

Nem sabe se pecado
ou de virtude
se benção
ou maldição
mas sim
gosto um do outro
quando um no outro
sabem exatamente  fazer

Pecado
Erro, desacerto?
Nada disso!
Sim encanto
Entrega
Amor, Paixão
desejo explodindo em nós ...

roubado do blog da amiga Cátia
Reflexo d'Alma entre Sonhos e Delírios
http://reflexodalma.blogspot.com/

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SEM TÍTULO
Eunice Mendes

porque meu pai queria ser pássaro
talvez eu tenha esta herança de asas
entre nuvens sobre céus anis
desde ventos ancestrais meus olhos
buscam mais do que o que vêem
meu espírito conhece outros lugares
rastros de perfumes e paisagens
vestígios de chuvas e suas luzes
despedidas de mim mesma
pareço sempre ter as mãos pousadas
sobre a matéria ao desabrigo de qualquer acaso
como duas aves sobrepostas a sobrevoarem
o mundo que me deserta abismo
a beira de mim mesma sobreaviso
de longe vem suave regozijo
nem paira sobre mim sutil resíduo
farpas do que a vida talvez fosse
acaso outras vestes eu lhes tivesse sido

Santos/SP
in: Paisagem com Pássaro - roubado do blog Revista Poetizando 
dos guerreiros Walmor Dias e Eunice Mendes
http://revistapoetizando.blogspot.com

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PINTURA
IMG_0013
Marcelo Biancalana

imagem roubada do blog Revista A Cigarra
de Jurema Barreto de Souza, um blog sobre uma das mais importantes e melhores revistas da cena alternativa
http://revistacigarra.blogspot.com/

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

POEMAS E CONTOS RECEBIDOS

No post de hoje, publico mais alguns poemas e textos recebidos por email. Grato a todos que enviaram. 

voar gaivota

AULA DE VÔO
Mauro Iasi

O conhecimento
caminha lento feito lagarta.
Primeiro não sabe que sabe
e voraz contenta-se com cotidiano orvalho
deixado nas folhas vividas das manhãs.
Depois pensa que sabe
e se fecha em si mesmo:
faz muralhas,
cava Trincheiras,
ergue barricadas.
Defendendo o que pensa saber
levanta certeza na forma de muro,
orgulha-se de seu casulo.
Até que maduro
explode em vôos
rindo do tempo que imagina saber
ou guardava preso o que sabia.
Voa alto sua ousadia
reconhecendo o suor dos séculos
no orvalho de cada dia.
Mas o vôo mais belo
descobre um dia não ser eterno.
É tempo de acasalar:
voltar à terra com seus ovos
à espera de novas e prosaicas lagartas.
O conhecimento é assim:
ri de si mesmo
E de suas certezas
É meta de forma
metamorfose
movimento
fluir do tempo
que tanto cria como arrasa
a nos mostrar que para o vôo
é preciso tanto o casulo
como a asa.

-

SAC
José Rosa

Não diga em vão
Eu te amo.
A desilusão
Não aceita enganos.

(ZeRo S/A)

-

FRUTOS E GENTE                             
Carlos Lúcio Gontijo

Frutos e gente são iguais
Ambos acabam amadurecendo
Quem o colhe deseja o fruto
Quem o acolha almeja o homem
Frutos e gente têm sabor
Somente renascem se provados
O fruto através da semente
O homem pelo milagre do amor

-

A FELICIDADE
Teresinka Pereira

É o sorriso de uma criança
rompendo o silêncio
das lágrimas.
Sua alegria
é um pedaço do céu.
-

PARADOXOS
Cathiato Reflexo d' Alma

Quero escrever,
mas as palavras, presas em mim estão.
Desejo que saiam ,
mas como meus pensamentos, bem longe estão.
Parte  em amor se espalha
e a outra parte em decepção me retalha.
O melhor é que o que me leva  ao extremo da saudade
não se mistura ao que de decepção me cerca.
A falta das palavras  nesse momento não tem nada a ver com
a decepção.
Essa apenas é menos um nome na lista,
enquanto a saudade...
é  amor em mim
deixando fundo sua marca.
Já não sofro com a  decepção da perda,
mas em compensação
sinto  da pele o aroma
que em mim fixou.

-

DOLCE PENSARE 
bassi-scala-gualtiero-dolce-pensare
Gualtiero Bassi Scala

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

POEMAS E CONTOS RECEBIDOS


No post de hoje, alguns poemas que recebi por email . Agradeço a todos que me enviaram poemas, textos ,mensagens,  críticas e sugestões. Meu email , como vocês já sabem é touche.sp@uol.com.br . À vosso dispor.

noite

NOITE FEBRIL
Welington de Sousa

Por hora
teu gosto amargo me basta
e todo silêncio é bem vindo
cerveja bem gelada carne mal passada
um canto qualquer ...um cão vira lata
e se puder um blues vagabundo
de alma penada...

sem dó nem pena
em qualquer encruzilhada
pra que eu me sinta um pouco melhor
esculpindo as palavras que tua boca deixou
no canto vazio daquela noite febril.

São Gonçalo - RJ - 08/01/2011

-

ERA CARNAVAL
Adélia Einsfeldt

No carnaval de outras eras
quem eras, como eras?
eras Palhaço ou Arlequim?
quem sabe eras o anjo Querubim!
nem sei na verdade quem eras.
Tua máscara escondia
teu rosto eu não via
já era quase dia
eu ainda não te conhecia...
Muitos anos passaram
quando numa tarde
plantando flores no meu jardim,
ouvi uma música de carnaval
lembrei do carnaval de outras eras,
a emoção tomou conta de mim
Chorei!

-

QUESTÃO DE TEMPO
alaorpoeta

Dia após dia
tento esquivar-me do tempo
o beijo fatal

-

APRISIONADA
Arethuza Viana

Que coisas pensarás?
Em cada curva
dos meus instantes,
deparo-me
com teu sorriso lindo
e teu olhar infantil...

Quem te abraçará
nesse momento
e tem o teu prazer?

Aprisionada em ti,
desconheço distâncias
e mesmo
sem receber boas vindas,
queria um cantinho,
onde tivesses
saudades de mim,
no teu inquieto coração!

-

EFEITO
HERÓICO À EXTREMA
ESQUERDA
Rogério Salgado
Para Lecy Pereira Sousa

A esquerda de deus poesia
todo poderoso
de onde não julgará nem vivos
nem mortos
sobreviveremos na palavra
que atravessará os séculos
seculorum
amém.

-

O VELHO
Benilson Toniolo

De dentro de seus oitenta e sete anos, ele fecha os olhos para se proteger da algaravia dos netos no corredor da casa, que ele construiu quando ainda era vivo. Não se atreve a ordenar que parem, temeroso que o escorracem. Também de nada adiantaria pedir a intervenção dos mais velhos, que vieram passar o feriado de Finados e nunca mais saíram. Ultimamente, filhos, netos e bisnetos se confundem. Já não sabe mais quem é quem, quem é o quê. Mistura os nomes e as idades, chega a desconhecer o que foi história e o que foi sonho, o que foi verdade e o que foi inventado. Precisa ficar atento para que não desarrumem os livros de poesia na estante cinza, os seus preferidos. Também desconfia que descobriram o esconderijo das revistas pornográficas. Há anos convertera-se em um eunuco, praticamente, mas mantinha o hábito de conservar coisas que amara durante a vida – inclusive livros e mulheres de papel. No final de cada tarde se recolhe, deita-se na cama de onde raramente sai. E a cada manhã, quando é o primeiro de todos a abrir os olhos insistentes, repete a mesma pergunta: “será que ainda falta muito?”

-

IMAGENS DO VERSOS

No post de hoje, poemas de Cecília Fidelli e Adão Wons.

ceciliafidelli

tudo em mim

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

VERSOS LIVRES 17 - PARTE DEZ


No post de hoje, poemas extraídos do fanzine Versos Livres, edição 17. Alguns poemas enviados por Alaor Poeta e Arethuza Vianna e um link para o meu outro blog com informações sobre livros enviados para a redação do Versos Livres.

versos 17

PIERCING
Flávio Machado

a menina enfeita o umbigo
com pedras brilhantes
para iluminar o caminho
dos desejos.

Blog Domínio Público 
http://poesiasflavio.blog.uol.com.br

-

NOITE SEM LUA
Aparecida M. de Barros

O vôo da suindara
terminou na gelosia
Quebrada.
O pio sinistro
faz dueto
com soluço da madrugada.
Na intimidade
dos sentimentos
ressaltam ímpetos
macerados,
já próximos a serem
cortados pelo desligamento:
uma ponta distanciando,
outra,
lágrimas segurando.
O zéfiro
fala baixo...

Jundiaí - SP
( in “ A serenata, o luar e a saudade)

-

DESCAMINHO
Djanira Pio

Que sensação
É essa que chega sem aviso
E aperta minha alma ?

in "Papo e Poesia ", publicação alternativa editada por algum tempo por Manoel Gomes  . Mais informações sobre a talentosa Djanira em http://www.ube.org.br/biografias-detalhe.asp?ID=241

- curso_otimizacao_de_tempo

FORA  DO TEMPO
alaorpoeta

Há tempo perdi a vontade do meu tempo!
Ando à esparavela e pressinto o movimento
do sopro do vento na face o passatempo
capenga de quem abandonou o argumento.

Por que cogitar que sou senhor dos meus versos,
dos meus livros, meus filhos, meu juízo, meus...
incertos abrir e fechar olhos imersos
na alvorada fugaz se escondendo do adeus.

Estou-me nas tintas para ladrar à lua
como o sono de morte do mendigo na rua
pouco me importa estancar ou não a goteira.

Há tempo perdi a vontade do meu tempo!
Quem quiser obrar que vá eu paro e contemplo
na estrada das almas vou ficando poeira.

http://alaorpoeta.blogspot.com/2010/11/fora-do-tempo.html

-

MEU CIÚME
Arethuza Viana

Uma inquietação
me faz tão egoísta,
se te afastas,
ou te perco de vista,
se desconheço
o lugar aonde vais...

A imaginação solta
me domina,
com ciúme
a dor me desatina
em palavras
e atitudes banais...

Esse ciúme
me toma, me adoece,
por acreditar
que alguém se aquece
no teu abraço
tão gostoso e terno...

E por não me livrar
dessa droga que domina,
que em desespero
me desatina,
faço da tua e minha vida
um verdadeiro inferno!

http://doceamor2.blogspot.com/

-

LIVROS RECEBIDOS

Confira, no blog Poetas de Guarulhos e Outros Versos, informações sobre o livro Perfil 2002, da APPERJ , ………AQUI ..........

sábado, 6 de agosto de 2011

VERSOS LIVRES 17 - PARTE NOVE

NO post de hoje, poemas extraídos do fanzine Versos Livres, edição 17.  E um poema de Adriana Manarelli, de Araçatuba e um conto de "Nato" Azevedo.

versos 17

FRAGMENTO
Cláudio Rabello

Faça como se já fossem
reais os sonhos que eu trouxe
e que joguei a seus pés

in “ Todas “

-

EU QUERO
Adriana Ribeiro Vieira

Eu quero aceitar a Jesus
como meu único rei
levando a minha cruz
obedecendo a Sua lei.
E ainda que encontre no caminho
quem me diga algo cruel
darei o meu testemunho
de quanto Ele é fiel.

Eu quero muito ser escolhida
para morar com Jesus Cristo
na maravilhosa Terra Prometida
e ter meu nome escrito
no eterno Livro da Vida.

Eu quero em cada oração
ao fazer pedidos sábios
que Jesus perceba no meu coração
a sinceridade que sair dos meus lábios
e que ele me proporcione seu perdão
nas horas que estiver enganada.

Eu quero fazer com Jesus uma aliança
ao deixar tudo do mundo
e segui-lo com confiança
quando ele segurar minha mão
e me livrar do abismo
ao atravessar as águas
no instante do meu batismo
com irmãos falando em línguas.

Eu quero com vestes brancas
glorificar Jesus com palmas
e agradecer com felicidade e paz
por salvar a minha alma.

Adriana é de Poá, RS e sempre que pode me envia poemas.
Adriana integra a Sociedade Partenon Literário
.
Saiba mais em
http://www.partenonliterario.com.br.

-

POEMA DO CRISTÃO
Jorge de Lima

Porque o sangue de Cristo
jorrou sobre os meus olhos,
a minha visão é universal
e tem dimensões que ninguém sabe.
Os milênios passados e os futuros
não me aturdem porque nasço e nascerei,
porque sou uno com todas as criaturas,
com todos os seres, com todas as coisas,
que eu decomponho e absorvo com os sentidos,
e compreendo com a inteligência
transfigurada em Cristo

Continue lendo POEMA DE CRISTÃO  no blog Fúrias de Orfeu, http://furiasdeorfeu.blogspot.com

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POETRIX
Maria Thereza Cavalheiro

as árvores
se enfeitam de flores
para a festa do dia

http://www.sorocult.com/el/colunista_texto.php?name=Maria%20Thereza%20Cavalheiro

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HAI CAI
Humberto Del Maestro

a noite é de prata
o chuveiro das estrelas
me banha de sonhos 

http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/01/humberto-del-maestro-entrevista.html

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POETRIX
Touché

a  felicidade sonha..
nas várias  madrugadas
do  olhar

http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/03/touche-entrevista.html

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SOMBRAS
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Adriana Manarelli

Ressoa o bronze
sob a pele de papel
Essa face, essa face
máscara
argila escarlate
desnudando a memória

Estátua de sal
Himalaia
A chave da palavra
é cada chaga
e no silêncio serpenteia
o tempo
visceral

Eis o que faz
o reino descoberto
e se consagra
o ouriço e a férula
com a fúria do oceano

As espirais das algas
correntes, algemas
sombras submersas
e os corais transparentes
e o lodo e o lodo

Outros poemas de Adriana Manarelli podem ser encontrados no blog do meu amigo Everi Carrara , escritor e advogado de Araçatuba/SP - http://jornaltelescopio.blogspot.com/

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jogo-loteria 
A ÚLTIMA CHANCE
"Nato" Azevedo

Temmiko Nashapa era nissei ou sansei (nem sei, que essas coisas são bem complicadas), nascido no coração de São Paulo, num pedacinho do Japão incrustado em terras "brasirêras", no orientalíssimo bairro da Liberdade.
Criado e instruído como seus ancestrais o foram, geração após geração, Temmiko abrasileirou-se com o tempo e a convivência com a "galera" da periferia "classe média pobre-pobre" e, apesar do calvário que as gozações e trocadilhos com seu nome lhe proporcionaram, fez muitos amigos, assimilando o linguajar e os trejeitos da rapaziada esperta da área.

Assim que pode, trocou seu belo nome de batismo por um sonoro "Fernando" e os hábitos de labor persistente e diário, herdados dos produtivos pais, pela certeza de que um só jogo ou aposta resolveria seu futuro. Pôz para funcionar sua inteligência privilegiada e, após longos meses de constante análise dos resultados das loterias, estava pronto para o sucesso.
Meteu-se a contragôsto no ramo da pastelaria, num restaurante chinês (oh, quanta humilhação !) denominado "Hakata's Town" e passou duros e intermináveis meses varrendo e lavando o chão, além de esvaziar cestos de lixo. Seus pais sequer sabiam desse "emprego", pois "Nando" -- conforme o chamava a turma de videogames e bailes "techno" -- saía de casa muito bem vestido, todas as manhãs.

O montante de parte dos salários economizados mês a mês crescia no cofrinho em forma de templo japonês e Fernando passava horas esquecidas "rezando" sobre a estrambótica casinha, porque até simpatias êle aprendera. Não andava debaixo de escadas, esconjurava gatos pretos e, de família budista, habituara-se ao "sacrilégio" de fazer o sinal da cruz diante de cemitérios. Enfim, estava irreconhecível !
Quando o valor acumulado após tantos meses de suor e cheiro de pastel queimado atingira a almejada quantia o ex-Temmiko Nashapa deu adeus à chapa de "hamburguers" e ôvo frito (fôra promovido!), deu uma vistosa "banana" para o antipático "china" que gerenciava a loja e pediu as contas, juntando o saldo da rescisão aos seus direitos trabalhistas garantidos por lei.

Chegara o tão sonhado momento...a conjunção dos astros estava quase em seu ponto ideal, sob a regência de Libra, belo nome a lembrar cifrões. As moedas do milenar I Ching cantaram seu doce futuro de opulência e esplendor e, culminando esse raro período benfazejo, para o "tupi-nipo" Fernando iniciara o Ano do Dragão, sua fase de sorte e sucesso.
Retirou da gaveta os trezentos cartões da Lotomania, um jogo oficial que virara mania no país inteiro. Aquelas apostas lhe consumiram semanas de estudos profundos, noites e madrugadas em claro, analisando tendências e possibilidades.

Investiu seus conhecimentos de álgebra e física, de logaritmos, relatividade e até mesmo geometria para construir apostas que cobrissem todas as probabilidades, não deixassem ao acaso nenhum tipo de resultado.
Desenhos verticais e horizontais, entrecruzados, perpendiculares, figuras de animais e aves, números marcados aleatóriamente, repetição de sorteios anteriores, os números mais e menos frequentes... tudo foi pensado, analisado meticulosamente e cravado "cientificamente".

Com 50 números jogados pareceu-lhe fácil acertar os 20 do sorteio oficial.As trezentas chances de fortuna rápida vibravam em suas amarelas mãos quando saíu do guichê de apostas. O resultado viria sábado à noite, via Internet, ou no domingo em todos os jornais do país.
Ademais, homem precavido, guardara verba suficiente para quatro semanas de apostas. Mesmo que a sorte de início lhe fosse madrasta, no fim do mês estaria rico. Uma vida de milionário era tão inevitável que Fernando não se abalou com o resultado da primeira semana, quando acertou alguns poucos cartões, com 16 pontos cada, o que representava em dinheiro uma micharia, a "bolada" só viria se acertasse todos os vinte números sorteados.

Na segunda semana, um breve instante de glória: 18 pontos num cartão, o dinheiro investido já lhe retornara, mas o que importava mesmo era dar "uma tacada" que mandasse para o espaço todos os problemas e preocupações. Contudo, quando o resultado da terceira semana saiu, seu ânimo abateu-se quase por inteiro.
Acertar aquilo era impossível, nem mago poderia prever aquele "desenho"... por isso, ficaram acumulados os prêmios maiores. Mesmo assim, emplacou 17 pontos em dois míseros cartões.

Fernando dera a si mesmo uma última chance, a derradeira; afinal, segundo o horóscopo chinês aquele era seu ano de realização e progresso. Acompanhou ansioso o sorteio via computador, direto da sede da CEF, bola por bola, com seu PC informando a cada segundo quantos dos seus 300 cartões estavam no páreo.
Os números saíam fáceis e o que era só pensamento positivo em Fernando transmutou-se de expectativa em certeza e, a seguir, num berro de samurai kamikaze, o coração a explodir no peito, a glória orgasmática a satisfazer o ego combalido.

Seu dia finalmente chegara ! Tremiam-lhe as pernas e os joelhos se entrechocavam, os braços se agitavam descontrolados, as maçãs do rosto balançavam, a casa toda estremecia... a capital de São Paulo assistia boquiaberta de espanto e de terror ao primeiro terremoto do século, transformando arranha-céus em geléia de concreto e aço e a sala do sorteio num pandemônio, com o teto de gesso desabando por completo e os computadores que registravam os números sorteados entrando em pane geral, virando "bolas" de fumaça e fogo.
Mais tarde, um boletim extra-oficial informaria à nação que o sorteio fôra anulado, com todas as apostas valendo para a semana seguinte. Nem a sanguinária bomba "Fat Man" teria feito um estrago tão devastador em Temmiko-Fernando. Ainda chorava um mar de lágrimas quando o mais estimado amigo adentrou seu quarto.

Entre guitarras, periféricos de computador, posters de gueixas e montanhas de livros do curso superior de eletrônica que abandonara para "trabalhar", "Nando" contou ao "General" -- o amigo era muito "mandão", daí o apelido -- seu segredo e sua desdita. Perdera mais de um ano de sua preciosa existência só para realizar aquele sonho e, agora, o cruel Destino lhe pregara aquela peça. Não queria saber mais do jogo... sua sorte acabara. Os deuses não lhe dariam outra chance!
Desfez-se dos 300 cartões e de suas respectivas apostas, dando tudo para o amigo. Celso ainda protestou: poderia ganhar desta vez, o que estava fazendo era loucura. "Nando" recusou todos os argumentos. O que quer que ganhasse, era seu. A sorte dele se fôra !

Oito dias depois a periferia da capital acordou em polvorosa... um jovem morador, dos mais humildes, acertara a sorte grande. Abiscoitara mais de meio milhão de reais, além de vários prêmios menores.
Quando a imprensa o procurou, Celso de Moraes, vulgo "General", confessou que ganhara as apostas de um amigo, desiludido com o adiamento do concurso que já o premiara.

Perguntado se devolveria o fabuloso prêmio ao tresloucado rapaz, respondeu sem pestanejar:
-- "De jeito nenhum... êle fez estes jogos diversas vezes e não ganhou nada. Quando acertou, cancelaram o sorteio. Vai ver a sorte tinha que ir era prá mim mesmo. Só vou lhe dar uma bela moto... o "Nando" adora uma Harley Davidson incrementada! E despediu-se feliz e faceiro, com a multidão em festa atrás de si.

roubado do blog NATO AZEVEDO- QUASE NADA
http://natoazevedo-quasenada.blogspot.com

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

VERSOS LIVRES 17 - PARTE OITO


Olá, no post de hoje, poemas extraídos do fanzine Versos Livres, edição 17. E alguns poemas recebidos por email e uma poesia minha. E ainda, um link para meu outro blog , com  informações sobre o fanzine O Patusco.

versos 17 

SE SE MORRE DE AMOR 
Gonçalves Dias

Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração – abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!

Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores,murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d’lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

http://www.artedavida.net

*

SEM TÍTULO
P.J. Ribeiro

Não me deseje mais do que sou.
Se sou um cipreste, escoIha-me como cipreste.
Não me veja como relva ou rio, esgoto ou porco-espinho
Se me deseja, deseje-me simplesmente.

do livro "Besouros Falantes"
P.J  é deCataguases - MG . Saiba mais em
http://www.revista.agulha.nom.br/pjribeiro.html

*

LOUCO “MY LOVE”
Aline Leal

Meu amor era tanto!
Que desvestia minhas tempestades.
Eram tantos versos doidos
Com um riso de liberdade...
Meu amor era tanto !
Que no final
Se transformou em guerra:
Hoje você me atropela
E amanhã te dou uns tiros.

Aline é bastante conhecida na cena alternativa através de contribuições a diversos fanzines e por editado por algum tempo a revista  A Goiaba, com hq  e poemas . É de Niterói - RJ 

Farol

FRAGMENTO
Regina Menezes Loureiro

Que luzes divinas caiam sobre nós iluminando nossa caminhada.
Cada semente minúscula que  plantamos hoje é o trigal produtivo que trará a ave poderosa do amanhã que nos traz esperanças de um novo  porvir. ...

trecho de um dos  editorais de As Acadêmicas , folha literária editada por Regina e Maria José Menezes , em  Vitória — ES . Saiba mais clicando POETAS CAPIXABAS

*

INCOERÊNCIA
Arethuza Viana

Fui sim,
o teu porto seguro,
quando tateavas
no escuro,
aqueci teu corpo frio
no inverno...

Esqueci
as minhas dores,
do mundo,
mostrei-te as cores,
fiz um céu
do teu inferno...

Nunca desejei
teu amor forçado,
com abnegação,
fiquei ao teu lado
com desvelo
te dei guarida...

Não contava
com tanta incoerência
e não sei como
não te dói a consciência,
pelo desgosto
que me consome a vida!

http://www.youtube.com/watch?v=Ebst0rY5ux0

*

VELHOS AMIGOS
Touché

revivemos o passado
e entre risos paramos o tempo .
sobre o futuro : só
o que irá em nossas lápides

Guarulhos- SP
http://ekr2.blogspot.com
________

IMPRENSA ALTERNATIVA

Conheça a revista alternativa O Patusco, AQUI