quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A mulher calada

mulheres

Adriana Manarelli

Repito gestos maternais, maternalmente.
Essa água estagnada
Sucumbe em circunferência.
A luz na minha janela consome
Meu ancestral alabastro
E o tempo descora, ouro a ouro,
Minha pelagem de artífices —
Implantando craquelês
No reflexo do espelho
Até colher-me no índigo infinito.

Sibilo
Como algo que quer ficar.
Permanecer insurgente,
Como as gotículas regando o verde no vermelho.
Sulco de silvos,
Letreiros... balbucios.

Ela está quieta.
Flechas ardentes
Demolem nossas estruturas.
Em meio a nossos discursos
Andamos em círculos.
Vagido de aço
No breu mutilante —
É isso  — Quero que somente as dunas falem. (...)

17/11/2010 - 18/11/2010 . Poema publicado na edição nº 33, do fanzine Versos Livres. Adriana é da cidade de  Araçatuba, SP . Confira outros poemas dela no blog de Everi Carrara, em http://jornaltelescopio.blogspot.com

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

VERSOS LIVRES Nº 33 - PARTE CINCO

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. E ainda poemas de  Arethuza Viana e Harley Meireles, enviados por email. Textos,críticas e sugestões podem ser enviados para o email touche.sp@uol.com.br

MIGUEL
Amancio Netto

Perdido entre árvores
e escombros
ele peca ligeiro
e corre atento

Criminoso
que invade a noite.
A noite dele :
vingativa e fértil
e sem vestígios
de quem nela desaparece

Vila Velha IV - Fortaleza/ CE

-

LÂMINA
Tom

Sigo indigesto
raspando da vida
um trago,
uma úlcera,
um escárnio:
matérias-primas
de absoluto degredo.

De que me vale e pele
Se o guardião do templo
caiu em combate ?

Tanto pus,
tanto fado, melancolia!
Essa corja toda habitando o corpo !
Atiradores de elite
mirando o vírus !
Uma ilha à deriva do horror !

Agora posso,
mensurar a sensibilidade
Dos habitantes
Constrangidos
Pelo olhar da lâmina

http://tomzine24.wordpress.com

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POETRIX
Aline Leal

A simplicidade
é infinita
como a alma do poeta

in: "Cotiporã Cultural", R Marcílio Dias, 253 -
Cotiporã, RS,  Cep 95335.000 -
http://adaowons.blogspot.com/

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SEM TÍTULO
Ilma Fontes

Eu doi

     da
    men
      te
te digo:
um homem é suas pernas
uma mulher é seus braços

Eu doida(mente)
minto:
o medo é uma merda
sinto(muito)
só a loucura basta

Poema extraído do jornal "O Capital", cuja edição é da própria Ilma. O endereço para correspondência do jornal é Av Ivo do Prado, 948, Aracaju, SE, 49015.070. Saiba mais em
http://www.blocosonline.com.br/literatura/poesia/obrasdigitais/saciedigpv/08/ilfontes01.php

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OS CACTOS
Maria José Menezes

Na rigidez da terra,
sob pedras enraizadas,
os cactos se perfilam
Estes vegetais peludos,
esguios, elegantes
alguns bem gordinhos,
mil protuberâncias,
agudos espinhos,
Aparência agreste,
imagem do nordeste.
Levei um para casa
selvageria me excita
dediquei-lhe afeto servil,
fugir à carne não posso,
em sensual contato.
uma carícia lhe faço.
Estático, agressivo,
deixou  meu corpo machucado,
minha alma ferida.
Na florária da vida
as flores vêm e vão
mesmo sem histórias
deixam pétalas no chão.
Os cactos, na intimidade
são como os homens,
escrevem lindas histórias
na íntima face da maldade.

in: 'As Acadêmicas", R Chafic Murad,54,
Ed Paraná - apto 702, Bento Ferreira, Vitória
ES - 29050.660

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IMPOSSÍVEL
Arethuza Viana

Não gostar de você?
Não ter mais os seus carinhos?
Você é tão melhor que todos,
mais sensível!
Eu lhe quero nos passos
de todos os meus caminhos.
Não gostar de você?
Isso é impossível!

Abrace esse meu corpo
que com amor lhe chama.
Que importa se as pessoas
não nos compreendem?
Chegue mais perto,
deite em nossa cama.
Não percebe como
nossos corpos se entendem?

Gosto sim.
Gosto de você!
Por favor não fale nada.
Você é a alegria
que preenche o meu viver.
Segure minha mão,
é longa a nossa estrada...
E nunca me peça
para lhe esquecer !

http://arethuzaviana.blogspot.com/

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POETRIX
Harley Meireles

no vôo dos pássaros
já fui vento
quem sabe ao certo
tempestade
ou apenas
sopro

http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2010/11/harley-meireles-entrevista-n-281.html

domingo, 16 de outubro de 2011

VERSOS LIVRES #33 - PARTE QUATRO

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. E ainda poemas extraídos da correspondência enviada para a redação do Versos. 

Significado-dos-nomes

EIS
Aricy Curvello

eis, mais que os nomes do nada,
menos que os nomes de tudo.
só alguns píncaros
pouco demais do mundo.
eis, dificuldade,a louca recusa
de compreender que é breve
               a eternidade.

eis, linguagem que vivemos,
( a linguagem que nos vive)
o ser, a casa,
o lugar-pátria :
eis todo o teu universo,
dicionários
& enciclopédias
como alicerces

-

HAI CAI
Débora Novaes de Castro

sol nascente    
licores de pitangas
manhanzinha

in: "Linguagem Viva"
R. Herval, 902 - São Paulo - SP
03062.000 - www.linguagemviva.com.br 
-

VELHOS GUARDADOS
Maura Soares

Na velha caixa quase se desmontando,
antigos papéis.
Guardadas no fundo do armário junto a roupas
em desuso, cartas amarradas em fita lilás.
Ela pegou o pacote, desatou a fita
e as lembranças saltaram das palavras
escritas em letra fina e inclinada.
Antigo amor, que desfilou em textos romãnticos
palavras de submissão a um sentimento
que desejava fosse eterno.
Mas...as coisas mudam.
As palavras ficaram guardadas
nas velhas cartas e o amor, antes eterno,
feneceu nas letras que o tempo
se encarregou de desbotar.

extraído da revista Ventos do Sul
Av. Patrício Caldeira de Andrada, 581/306
Residencial Victória - Bairro Abraão - Florianópolis
SC - 88085.150 - www.poetaslivres.com.br

-

copa-fragil-24-9

FRÁGIL
Jorge Fróes

Andava como se pudesse
subir ao alto de um prédio
e de lá pular, ou então
jogar-se á frente de um carro.
Um amor ferira-lhe terrívelmente
o coração. E a dor
de um coração ferido
é como algo que se guarda
em vidros de conservas.

in: Fenestra Literatura,
R. Eng. Antônio C. Tibiriça, 320/302
Jd Botânico - Poá - RS - 90.690-040

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QUADRA
Humberto Del Maestro

Amo o céu, a flor, o mar
amo a praia luzidia.
Por isso é que o meu cantar
vem repleto de poesias.

Vitória/ ES

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MÃOS
Yolanda Montenegro

Tuas mãos deslizam
Suavemente em minha pele
Como a brisa da tarde
Encrespa o manso lago
Súbito a brisa transformada
Em vento revolve-se em furação
Sublimando dois seres
Em um só elemento
Na fúria da criação

Poesia publicada na folha literária "Meya Palavra". Enviada para a redação do Versos Livres pelo seu coordenador José Deusdedit Rocha, de Fortaleza/CE.  Confira outros poemas enviados , no meu outro blog, na seção Correspondências Recebidas, em http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net/arch2011-10-01_2011-10-31.html#2011_10-08_00_19_06-6846865-0

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

LIVROS RECEBIDOS

No post de hoje, poemas extraídos do livro "Poemas no ônibus e no trem", vários autores, projeto da Prefeitura de Porto Alegre, RS.

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Artesanato

ARTESANATO

Busco aquelas semanas
em que a avó trêmula
pintava bules de porcelana
e ouvia orquestra de orquídeas.

Traço rascunhos
de um bule pintado
de cacos, quedas e
gemidos de valquírias.

Sigo estradas tricotadas:
não há teorde mãos eruditas
ou chás de camomila

Bianca Zanini
in: Poemas no ônibus e no trem

-

Dias melhores verão

PRIMAVERAA

Desfruta
sem pressa
essa tua primavera
quando o verão chegar
e fores fruto maduro
vou te colher
com apuro
e te comer
de colher

Germana Konrath
in: Poemas no ônibus e no trem

-

Juras de Amor

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Juro pelos Girassóis de Van Gogh
Pelos Relógios Moles de Salvador Dali
Pelos versos de Fernando Pessoa
Pela Estátua de Davi

Juro pela Odisséia de Homero
Pelo Édipo Rei de Sófocles
Pelas Sinfonias de Beethoven
Pela sapiência de Sócrates

Juro pelo Dom Quixote de Cervantes
Pela Mona Lisa de Leonardo da Vinci
Juro pela Divina Comédia de Dante

Juro por tudo em que me ufano
Pela sabedoria de Confúcio
Juro por Deus que te amo !

Cosme Custódio
in: Poemas no ônibus e no trem

-

Haikai

riquezas

Valeu mesmo a pena ?
a cada milhão
duas pontes de safena

Rafael Vecchio
in: Poemas no ônibus e no trem
_

Os Pães

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Os pães nunca se os
cozem à noitinha. É
com o ar recém amanhecido,
com as mãos larvadas de
luz. Com olhos saídos
dos sonhos, mornos e a
boca selada apetecida.
Mas o fogo sim, quer-se
adentrado, que os pães
nunca se os cozem em fogo
iniciado. É no fogo derradeiro,
aquele que, extinto,
transferiu-se aos tijolos
abrasados.

Maria Carpi
in: Poemas no ônibus e no trem

-

O livro "Poemas no Ônibus e no Trem", foi gentilmente enviado pela escritora Zaira Cantarelli. Projeto da Prefeitura de Porto Alegre, Secretaria Municipal de Cultura .

Na página de apresentação, faz-se um agradecimento especial à professora e pesquisadora Rosane Salmoni. Incluindo os que constam neste post, foram selecionados poemas de Adão Jorge dos Santos, Bianca Zanini, Antoniel Campos, Alcir Nicolau Pereira, Eduardo Morais, Ane Arduim,Erik dos Reis, Ana Mello, Germana Konrath,Gabriel Dinnebier,Ivanise Mantovani, Carlos Pessoa Rosa, Carlos Bruni, Cosme Custódio, Magali Velasco Eidt, Marcelo Lopes, Márcia Carneiro, Jardel Estevão, Jéferson de Souza Tenório, Márcio Davie Claudino, Reginaldo Costa de Albuquerque, Maria da Graça Landell de Moura, Ricardo Rodrigues Jesus, Nelci de Abdala, Sérgio Luis da Silva Vargas, Paulo Roberto Faria, Tania Melo, Sérgio Peixoto Mendes, Rafael Vecchio, Mathias Cramer.

No capítulo "A Mulher e a Poesia", pesquisa de Rosane Salomoni, foram incluídas as poesias de Rita Barém Melo, Olga Savary, Adelaide de Castro Alves Guimarães, Francisca Júlia Silva, Florbela Espanca, Delfina Benigna da Cunha, Anna Alexandrina Cavalcanti De Albuquerque, Cândida de Oliveira Fortes, Maria Carpi , Martha Medeiros e  Sor Juana Inés de La Cruz.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

VERSOS 33 - PARTE TRES

No post de hoje, alguns poemas publicados na edição nº 33, do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. E ainda a poesia de Eliane Alcântara.

salvador-dali-cristo-de-sao-joao-da-cruz

TROVA
Henny Kropf

Braços mostrando na cruz
tanta abundância de dor.
Olhos de nosso Jesus
Que nos ofertava amor

Cantagalo - RJ

-

QUADRA
Deusdedit Rocha

Se eu pudesse, ah, quem me dera 
novamente voltaria
à minha infância, onde eu era
tão feliz e não sabia

Aldeota - Fortaleza - CE

-

HAI CAI
Mário Kassawara 

Manhã de outono
a natureza desperta
vestida de cores

-

HAI CAI
Fernando Yamada

Aberto o diário 
dele salta rosa seca
é o primeiro amor

painting-amor

FRENTE A FRENTE
Eugênio de Andrade

Nada podeis contra o amor,
contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte ;
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco !

poema extraído do  jornal "Vaia" -
R Demétrio Ribeiro, 706/601 - Centro - Porto Alegre - RS - 90010-312 -
http://jornal_vaia.blogspot.com

-

ESCULTURA
Escobar Franelas

o poema está lá :
basta esculpir
nas palavras virgens

publicado na revista  Fundinho Cultural
Cx Postal 1005 - Uberlândia. MG -  38400-204

-

CURIOSIDADE  
Eliane Alcântara
.

Foi perdendo o medo
De abrir minhas cortinas
Que vi flores e borboletas
Na transparência do novo dia.

http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

VERSOS 33 - PARTE DOIS


HAI CAI
Antonio Cabral Filho

Sabiá veloz
Cruza meu pomar qual raio
Sem Gonçalves Dias

Rio de Janeiro / RJ

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SEM TÍTULO
Eunice Mendes

ponte
entre a parte
e o todo

todo amor
é sobrevôo
porque
em tudo
que amo
eu morro

meu corpo
é nau frágil
em águas de batismo

Santos /SP

-

NEM ROSA NEM CRAVO
Nanû da Silva

A pequena garoa banha lentamente a rosa
K se escraviza no jardim urbano
O pequeno raio solar banha lentamente o cravo
K se escraviza no urbano jardim
Afinal, ke tipo de escravos queremos ser ?
Rebeldes ? Dóceis ? Audaciosos ?
Medrosos ?

São Paulo /SP

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POEMETO
Teresinha Machado Guimarães

Nossos filhos são raios de luz
Pérolas preciosas
Amor que conduz

Publicado em Pró-Dons, o Jornal da Poesia
www.poetabrasileiro.com.br   

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TROVA
Aparecida Mariano de Barros

O trem expresso da vida,
não pára nas estações,
nem dá sinal de partida,
nos levando aos trambolhões

Extraído do jornal “Fanal”, Rua Álvares Machado, 22
1º and, São Paulo/SP, 01501.030

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ALQUIMIA
Adriana Manarelli

O sensorial se desdobra:
Eco pungente
Do coração
Que não se altera,
Bate-que-bate.
Visceral língua quente
Que despontada ao longe
É o núcleo
Da lua de cipreste
Cor de alfazema.

Coágulo de sangue
No rastro puro
De verbena e sândalo,
E penugem de prata,
E mãos de veludo:
Profundezas do essencial,
Pulsação vermelha do torvelinho aquecido,
Túnel de ouro azul.

Na ponte dos suspiros,
Orgulhosa de mim mesma,
Suspiro
Gratificada,
Sob esse amparo
Água flórida lápis-lazúli.

http://jornaltelescópio.blogspot.com

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SEMENTES DA VIDA
Efigênia Coutinho

Refiz meu jardim, ressurgido o tempo,
Vitória da vida na maior idade!
Futureceram flores de alegria
O meu sonho feliz da fantasia...

Vão acordar as flores adormecidas
No calor da terra em gestação,
E quando acordarem o mundo treme
Por ser a terra inteira uma emoção!

O alimento é um abraço cheio de força,
Que vai futurecer, na sucessão
das horas mostradas nos grandes relógios,
o grão, amanhã caule, da paixão...

Semeio uma mão pura de sementes
que outros semearam noutras gentes...

http://jornaltelescópio.blogspot.com

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THE BECKFORD CHILDREN
George Romney

romney-george-the-beckford-children

http://www.allposters.com.br