segunda-feira, 16 de julho de 2012

ODE AO PRIMEIRO POETA

POETA

Quando os homens desceram, um dia, dos montes e se detiveram, trêmulos
diante da planície imensa,
eu te vi erguendo a tua voz forte, límpida e viva.
Eras jovem e tinhas a alegria de quem esta descobrindo o mundo.

Foi a tua palavra que modelou a primeira paisagem, deu ritmo aos ventos e
(imaginou a beleza ingênua dos primeiros e únicos símbolos que se perpetuaram.
Eras criatura e criador.

Estavas no gesto maravilhado que armava as primeiras tendas e na mão
(indecisa que traçava o desenho mágico dos caminhos que se improvisavam;
na imagem da vida em que se embebeu o primeiro surto livre do espírito;

estavas em ti mesmo e fora de ti,
quando os homens desceram, um dia, dos montes e se detiveram trêmulos,
diante da planície imensa...

Emílio Moura
Itinerário Poético

publicado na edição nº 31 do fanzine poético Versos Livres, de Guarulhos,SP.

Emílio Guimarães Moura  um dos maiores e mais esquecidos poetas de nosso modernimo. Integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universitário, e um dos fundadores da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais FACE-UFMG, em 1945, onde lecionou e da qual foi o primeiro diretor. Emílio Moura fez parte do brilhante grupo de intelectuais formado por poetas, escritores e políticos mineiros, como Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Martins de Almeida, João Alphonsus, Cyro dos Anjos, Aníbal Machado, Abgar Renaut, Milton Campos e Gustavo Capanema, entre outros, que nos anos de 1920 influenciou notavelmente o movimento que mudou os rumos da literatura brasileira, o Modernismo. Diferentemente da maioria dos amigos, que se mudaram para a capital, Rio de Janeiro, Moura permaneceu em Belo Horizonte, onde passou toda sua vida. Em 1924, integrou, com Carlos Drummond, Gregoriano Canedo e Martins de Almeida, o grupo que editava a Revista, publicação literária modernista. A amizade com Drummond perdurou até a morte de Emílio Moura. (extraído do blog A Poesia do Brasil    http://apoesiadobrasil.blogspot.com.br)

Saiba mais sobre Emílio Moura em http://www.jornaldepoesia.jor.br/emi.html

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