segunda-feira, 26 de novembro de 2012

MAGIA DA TARDE

TARDEFIMDETARDE
O entardecer desce pelas colinas. Doura as águas dos rios. Veste-se com o manto rubro dos beijos do sol.

Transmuda-se a paisagem. E o céu se faz mais azul. A aragem traz abraços distantes,afaga o coração, neste nostálgico entardecer.

Na mística do cair da tarde ouço distantes vozes musicais. Que se alternam em ladainhas. É o canto chão da saudade, rezas de monges nos conventos esquecidos.

A tarde é assim.Transcende-se.Eleva-se. Como mãos postas em oração. E o divino artista dá as últimas pinceladas deste entardecer. Extasiada contemplo a obra divina.

Anoitece. Dormem as flores.Orquídeas e violetas,juntas e serenas.Ofertando beleza a todos nós. Aquieta-se a natureza,recolhem-se os pássaros,abrigam-se nos ninhos. Deus é o arquiteto.É a perfeição.É a vida pulsando,neste mistério que arrebata.

Meu santo Deus.De todas as estradas,de todas as flores,das águas,do trigo e do pão,companheirismo e partilha.Das amizades,fermento do amor. Canto ao Senhor,que de graça me dá este universo bendito.

Porém,no caminho das pedras, do egoísmo absoluto,da ganância destruidora, do ódio e da vingança,dos desafetos,é preciso ter olhos para ver,que tudo está aí,ao alcance da mão. A base de toda arquitetura é a alma. Para entender melhor é com o coração.

É preciso se despir da hipocrisia. Da negação dos valores perenes. Ter humildade e sabedoria.

A tarde continua a descer.Lenta e bela. Todos os dias. O universo obedece a regência do maestro. O grande arquiteto.É ele o autor da Vida.O amor é o aroma que atrai, a delicadeza é a magia.

Um grão de areia pode receber todo sol. No grande mistério que move o universo. A doçura do mel.O maná do céu.As amoras do campo.O vinho da comunhão. Tudo mesmo, temperado com amor. Acrescento minha teimosia e minha paixão.

Rosemary Lopes Pereira
Apucarana - Paraná

crônica extraída do jornal O Radar, Rua Prof João Cândido Ferreira, 308,s/05, Caixa Postal 601 - Cep 86880.100 - Apucarana,Paraná.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

PASSEIO NOTURNO

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Ela veio,entrou no carro,encostou-se no assento,me pegou de jeito e deu um suspiro : - como passei aperto,bem !...Quase não deu prá vir...Eu não disse nada,passei a marcha,acelerei,o carro começou a andar,chovia,chovia muito naquela hora,liguei o pára-brisa,ela quis acender aquela luzinha de dentro que eu acho uma porcaria,não deixei,tirou o braço sem graça,fingiu que tava danada,depois deu de ombros, pôs a mão no rosto e ficou assim como se estivesse dormindo. Eu parei o carro,cheguei prá perto dela e comecei a beijar sem parar a sua orelhinha furada.

P.J. Ribeiro

in: "Interlocutando"

publicado na edição nº 27 do fanzine cultural Versos Livres

P. J. RIBEIRO tem contos e poemas publicados em diversas revistas e jornais, como Literatura – Revista do Escritor Brasileiro. Reside em Juiz de Fora (MG). Alguns livros, como Vida Rebelde, de 2001.

Saiba mais em http://portalcataguases.com.br/portal/index.php/2009/10/24/sobre-p-j-ribeiro-titulo-a-descobrir/

Ilustração : Nathalie Mulero

ANGINA PECTORIS

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Se metade do meu coração está aqui,
Doutor, a outra metade está na China
com o exército que flui em direção
ao Rio Amarelo.

E, toda manhã, Doutor,
todo amanhecer o meu coração
é golpeado na Grécia. E toda noite, Doutor,
quando os prisioneiros estão adormecidos
e a enfermaria está deserta, meu coração vai
para uma cansada casa velha em Istambul.

E então depois de uma década tudo o que
tenho para oferecer ao meu pobre povo
é a maçã na minha mão, Doutor, uma maçã
vermelha : meu coração.

É isto, Doutor, a razão para esta angina pectoris,
não é nicotina, prisão ou arteriosclerose.
Eu olho a noite através das grades
e desprezo o peso no meu peito.

Meu coração bate tranqüilo
Com as mais distantes estrelas.

Nazim Hikmet

(Salônica, 1901 – Moscou, 1963), poeta turco.

Tradução de Paulo Valadares

in: Versos Livres,nº 28

extraído do jornal "O Boêmio",editado por Eduardo Waack,Av América Brasiliense,784, Jd Aeroporto,Matão,SP.Saiba mais sobre o jornal e sobre o seu editor Eduado Waack em entrevista concedida ao amigo Selmo Vasconcelos.http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com.br/2012/04/eduardo-waack-entrevista-n-397.html#!/2012/04/eduardo-waack-entrevista-n-397.html  ,

Nazım Hikmet Ran (20 de Novembro de 1901 – 3 de Junho 1963) foi um importante poeta e dramaturgo turco, conhecido na Europa como o melhor poeta de vanguarda da Turquia, sendo os seus poemas traduzidos para diversas línguas, sem exceptuar o português.
Nascido em Salónica, no Império Otomano, situada no seio da actual Grécia, foi registrado a 15 de Janeiro de 1902, embora tenha nascido efectivamente no dia 20 de Novembro do ano de 1901, mesmo no início do século XX.
Hikmet pertenceu ao Partido Comunista da Turquia, sumariamente TKP, tendo sido por isso muitas vezes perseguido pelos realistas.Saiba mais em
http://pt.wikipedia.org/wiki/Naz%C4%B1m_Hikmet

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ESTRELAS DO SEMPRE

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Provindas do céu
Divinas sem divãs,
Garbo, Dietrich
Bergman, Hayworth
Gardner,Taylor
Monroe,Bardot,
Loren, Cardinal

Flores belas
de babilônico
Jardim suspenso
Insinuantes,sedutoras
Ousadas,sensuais
Provocadoras de sonhos
Masculinos e lésbicos

Apaixonantes
Apaixonadas
Corpos à serviço da arte
Abasteceram jornais
Revistas
e camas

Acenderam,brilharam
Ascenderam
Passaram a limpo
a vida suja
com tarja
sem bula
Nem receita

Viveram
Morreram
Viverão

Cosme Custódio da Silva
Matutu - Salvador/BA

in: Dois,suplemento do informativo Versos Livres,edição 31

Quando nasceu, a folhinha do calendário marcava uma segunda-feira, 27 de setembro de 1954. Dia de São Cosme e São Damião.  Cidade de Salvador. Seus pais, Josefa Custodio da Silva e Erondino Quintino da Silva.

Daí para o início da vida literária, faz um longo vôo bastante turbulento, entremeado  por momentos de "céu de brigadriro", até à primeira investida, quando decide mostrar o que estava guardado nas gavetas. E não parou mais, escrevendo em prosa e verso, participando de Concursos e Antologias, culimando com os lançamentos dos livros Caderno de Poesia (2003) e A Negativa do Corpo (2005) e O Bicho-Homem (2007), ambos de contos. Além de 80 co-autorias.

Sócio da União Brasileira de Escritores, Movimento VirArte (São Luiz Gonzga,RS), Associação São-Luizense de Autores, Grêmio Literário de Autores Novos (Volta Redonda, RJ), Grêmio de Ação Cultural da Bahia (Salvador), sócio-correspondente da Academia Cachoeirense de Letras (Cachoeiro do Itapemirim, ES) e Decano do Conselho Acadêmico do Clube de Escritores de Piracicaba, SP.

Editor da folha literária O Garimpo, filiada à Federação Brasileira de Alternativos Culturais,SP, verbete da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias, RJ, do Cadastro Nacional de Cultura,RS e Dicionário de Autores Baianos, BA  (fonte : http://www.ube.org.br/biografias-detalhe.asp?ID=210)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SUBMISSÃO

softness_by_AlexiaBleedel

A suavidade...
de suas mãos me tranqüiliza
quando massageia meu corpo e
desliza...

É um turbilhão de ardores,
infinitas sensações.
Mistura de prazeres,
quenturas de verões.

E assim tão de repente,
quando tudo em volta escurece,
as formas se tornam perfeitas,
as mãos já se desconhecem,
e as falas não têm saber.
A firmeza do seu corpo,
a pujança do seu ser
estremece...
Desfalece de prazer,
se curva e enfraquece
diante da minha submissão.

Regina Menezes Loureiro

Regina nasceu em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, filha de Ivan Barbosa de Menezes e Maria José Menezes. É pedagoga de formação, escritora por paixão. Especialista em Orientação Educacional e Magistério de 1º e 2º graus, mas exerce com muito prazer a função de professora. É no contato direto com crianças e adolescentes e no dia a dia com seus colegas de trabalho que se realiza como pessoa e profissional. Pós-graduada em Educação Infantil e Educacão de 1º e 2º graus, é diretora fundadora da Escola "São José" de Vitória, que há mais de trinta anos atende crianças a partir de um ano de idade.

É, desde 1991, presidente da OMEP-BR-ES, (Organização Mundial para Educação Pré-Escolar, seção Espírito Santo) entidade filantrópica, órgão consultor da UNESCO e da UNICEF.Trabalha, incensantemente, em prol da justiça social e do bem-estar da criança. Nos seus escritos poéticos e sua pintura, descobre seu interior, interioriza as belezas do mundo e busca novas formas para viver, renovar, inovar, sobreviver...

Tem muitas poesias publicadas em periódicos das entidades em que atua. Sobre educação escreve, semanalmente, no informativo interno da Escola "São José" de Vitória. Idealizadora do jornal "O Pequeno estudante", publicação mensal da OMEP-BR-ES, com circulação em nível nacional, ten exercitado seu jeito de escrever, observando o mundo e trocando experiências na busca do aprender a aprender.

Criadora e idealizadora do informativo "As acadêmicas", (com 145 números publicados) onde publicou seus trabalhos. Defende a família, tem orgulho de seus filhos e netos, fontes de toda sua inspiração e razão de viver. Ultimamente está empenhada em descobrir e divulgar as coisas belas do Espírito Santo, sua gente e suas riquezas. É membro da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, onde ocupa a cadeira n. 01, cuja patrona é Judith Leão Castelo Ribeiro e se sente orgulhosa por representar a mulher capixaba, na educação, cultura e artes
. ( FONTES: Vozes e Perfis - Antologia 2002 AFESL Textos e Tramas - Antologia 2003 - AFESL )

in:http://www.poetas.capixabas.nom.br/Poetas/detail.asp?poeta=Regina%20Menezes%20Loureiro

Confira a entrevista que a Regina concedeu ao amigo Selmo Vasconcelos em http://www.selmovasconcellos.com.br/colunas/entrevistas/regina-menezes-loureiro-entrevista-no-370/

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

TEMPO DEMAIS

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as fábulas
de um sonho
dourado
vinte mil-réis
não as compram

vinte reais
já não valem

vinte minutos
é tempo demais
para ouvi-las

Aluizio Rezende

publicado na edição nº 27,do fanzine cultural Versos Livres

in: Deleites,editado por Márcia Leite,orgão informativo da APPERJ - Associação de Poetas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro

Aluizio é o apperjiano nº 392. Saiba mais em  http://www.apperj.com.br/

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Domingo

 solidão4 Nos domingos, ao anoitecer,
quanto todos já se foram
e a música baixa é trocada
pelo silêncio de um programa de tv

Nesses dias é que me sinto humana
porque descubro que preciso de colo
que desejo um beijo saboroso,
lento e leve, com gosto de amor...

Nos domingos à noite, eu choro,
pois quando as crianças já pararam o barulho
e todo o silêncio mora dentro de mim
é que minha alma grita, em desespero

Nesses dias eu sou pura inveja
desejo o namorado que não é meu
o marido que não terei, é seu
e todo o pudor do mundo, para amar

Então me entrego à gula: ao vício.
Bebo, fumo, cheiro, como chocolate branco
e vejo um filme romântico e retardado
e venho aqui escrever um poema

Domingo à noite, eu sou só e sozinha
como ninguém merece ser, nem eu
sou somente uma menina, uma criança
que lembra que cresceu rápido demais

Camilinha

http://camilapequena.blogspot.com.br
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