domingo, 3 de fevereiro de 2013

O MOVIMENTO FEMINISTA E A COMUNICAÇÃO IMPRESSA

 

jornalistas_brasileiros2 Enquanto o mundo assistia, desde a década de 1960, a chamada segunda onda do feminismo, através de vozes como as da norte-americana Betty Friedan e da francesa Simone de Beauvoir, lutando pela descriminalição do aborto e pela abolição da dupla jornada de trabalho, a mulher brasileira ainda tinha sua representação na imprensa restrita a revistas femininas como Querida e Jornal das Moças ,que tratavam exclusivamente de temas relacionados ao mundo doméstico, tais quais: família, moda e dicas de beleza. A mais famosa delas, a revista Claúdia, criada em 1961, chegava a aconselhar as leitoras no casamento: "Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto" (1962); "Não acredite que uma fatia de queijo e um sorriso luminoso podem substituir um jantar malogrado" (1963).

fem Segundo Bernardo Kucinski, no livro "Jornalistas e Revolucionários", nos tempos da imprensa alternativa, até a década de 1970, o movimento feminista quase não tinha representação na imprensa brasileira, sendo inclusive motivo de chacota na imprensa alternativa, tal como no Pasquim. Diz o  autor :  “Enquanto um novo movimento feminista explodia na Europa desde o começo dos anos de 1970, no Brasil a questão da mulher era desprezada por diversos jornais alternativos importantes".

18402f2 Para Kucinski, o movimento feminista tem como precursor o jornal Brasil Mulher,que, lançado por Joana Lopes, com apoio do movimento feminino pela anistia, já  em sua primeira edição publicava no editorial: “…não haverá  liberdade para a mulher enquanto não houver liberdade para o ser humano”. O Brasil Mulher possuía marcada influência esquerdista e tratava de temas como prostituição infantil e aborto, denunciando mortes causadas por abortos clandestinos no país.

c198b0fadd19b6483416c42ea8c58b6a Outros jornais feministas importantes: são  Nós Mulheres (1976), Maria Quitéria (1977) e Mulherio (1981), o mais duradouro deles, que,
produzido por Adélia Borges, nasce no final do ciclo alternativo de publicações, à época da ditadura militar brasileira, e, em 1990, continua a existir.

in:A Revolução (ainda) não será virtualizada: Os fanzines feministas na Era da Comunicação Digital - BARREIROS, Bruna Provazi , Graduanda em Comunicação Social -  UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora, MG http://encipecom.metodista.br/

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