domingo, 10 de março de 2013

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA - EMAILS

No post de hoje, poemas e informações enviados por email. Agradecemos o intercâmbio. Nosso contato  é touche.sp@uol.com.br, à disposição de todos para envio de textos,comentários e sugestões.

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CAMINHOS 
Adélia Einsfeldt

caminhomulher

Caminhos idos
         vindos
Estradas ralas
         valas
Trilhas ilhas
       incertas
Campos abertos
      desertos
Sementes soltas
      envoltas
nos grãos de terra
   entre as pedras
     germinam
e nascem as flores
  pelos caminhos...

adeliaeinsfeldt@yahoo.com.br

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A COR DO EXÍLIO
Zeh Gustavo

pe-na-estrada

O barco que aporta sem ancorar
os sentimentos que deporta constitui
uma vaga imensa a transnoitar o corpo
para o onde em que mora distante
quem lhe espera de retorno.

O copo que não ousa por ora transbordar
contém o fel que se resguarda, após
forçosa partida. Nada dessa água é líquida
o suficiente para diluir o sentido do laço
perfazido no idílio.

Quem chega só vem em parte.

Se é aceitável, na forma, tal aparte,
o teor desse aniquilamento consentido
funga o pó do sofrimento sem removê-lo;
as aparências desenganam, o sorriso é amarelo.

O sonho ainda falha. O pulso quase que cala.
O sono está carcomido. A poeira não baixa.
O solo cede ante as pisadas dos pés que teimam
em continuar na lida, embora sem estômago nem sede.
O olhar viaja.

Perto-dentro, quem age é a saudade
da terra perdida, quem fala é o suor que bafeja
no colo, a lambida de felicitude cuja completidão
se acha extraviada. Os órgãos viraram vigas em decepamento,
as vísceras expostas no mercado dos ossos de vidro
estão prestes a pôr tudo em desabar.

Marca a pele da memória um beijo proibido,
um amor secular que molha o passar dos dias
com seu ritmo lento de algoz cujo véu
arrancado revelou uma vítima terna e acuada,
bebê do tempo esquecido debaixo de um céu nublado.

Nessa página de exílio costurado tenso
se pode contudo ensejar o porvir, via projeto-curva
de ato corajoso que se tem a tomar, no logo prazo:
o voo derradeiro, a volta à vida tesa, novamente querida,
ao som de violões e sob a lógica de um desvario ameno,
um alheamento lúdico, o corpo em sexo de alquimia
com seu lugar-origem de carícias, sem mais dolo
nem abandono, nunca mais solidão.

Zeh Gustavo, heterônimo do escritor Gustavo Dumas, é poeta e compositor. Entre outros livros, publicou "Idade do Zero" (Escrituras, 2005) e "A Perspectiva do Quase" (Arte Paubrasil, 2008). Faz parte do coletivo de sambistas Terreiro de Breque, que se apresenta quinzenalmente no botequim Vaca Atolada, no Centro do Rio.  Contato: zehgustavo@yahoo.com.br.
Fonte: www.algoadizer.com.br, ed. 56, maio/2012.

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ONICOFAGIA
José Rosa

soldado-roendo-unha-p

Você demora a chegar
E eu a disfarçar calma,
Porém roendo as unhas devagar,
Agoniado revelo-me.
Seus olhos a me procurar
Encontram-me.
Sinto sua boca a me beijar
E seu beijo acalenta-me,
Dissipando qualquer vetígio
De espera e solidão.
Sempre estar com você me cura.

http://www.bizarrodeslumbre.blogspot.com.br

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