sábado, 20 de abril de 2013

PERFIL - SILVA ALVARENGA

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Manoel Inácio da Silva Alvarenga (Ouro Preto,1749-Rio de
Janeiro,1814). Formado em Direito em Coimbra,ali publicou em 1774 o poema heróico-cômico "O Desertor das Letras", contra o escolasticismo a que dois anos antes a Reforma Pombalina pusera termo.

Glaura -Poemas eróticos (Lisboa,1799) sua obra principal,onde reuniu madrigais e rondós,mostra-o integrado na cultura enciclopédica do Século das Luzes,mas também atento à realidade brasileira.Árcade na forma (tinha o nome poético de Alcindo Palmireno),por sua comovida simplicidade e certos toques de indianismo - o beija-flor mistura-se com as ninfas e surgem driades entre cajueiros e mangabeiras que os zéfiros agitam - é um dos poetas da impropriamente chamada Pleiade Mineira,o que mais se aproxima da sensibilidade romântica . (in: Dicionário de Literatura,volume 1,direção de Jacinto de Prado Coelho, 1979, Figueirinhas, Porto)

Saiba mais em 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_In%C3% A1cio_da_Silva_Alvarenga

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O Beija-flor
Silva Alvarenga
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Deixo, ó Glaura, a triste lida
Submergida em doce calma;
E a minha alma ao bem se entrega,
Que lhe nega o teu rigor.

Neste bosque alegre e rindo
Sou amante afortunado,
E desejo ser mudado
No mais lindo beija-flor.

Todo o corpo num instante
Se atenua, exala e perde;
É já de oiro, prata e verde
A brilhante e nova cor.

Deixo, ó Glaura, a triste lida
Submergi da em doce calma;
E a minha alma ao bem se entrega,
Que lhe nega o teu rigor.

Vejo as penas e a figura,
Provo as asas, dando giros;
Acompanham-me os suspiros,
E a ternura do pastor.

E num vôo feliz ave
Chego intrépido até onde
Riso e pérolas esconde
O suave e puro amor.

Deixo, ó Glaura, a triste lida
Submergida em doce calma;
E a minha alma ao bem se entrega,
Que lhe nega a teu rigor.

Toco o néctar precioso,
Que a mortais não se permite;
É o insulto sem limite,
Mas ditoso o meu ardor;

Já me chamas atrevido,
Já me prendes no regaço;
Não me assusta o terno laço
É fingido o meu temor.

Deixo, ó Glaura, a triste lida
Submergida em doce calma;
E a minha alma ao bem se entrega,
Que lhe nega o teu rigor.

Se disfarças os meus erros,
E me soltas por piedade,
Não estimo a liberdade,
Busco os ferros por favor.

Não me julgues inocente,
Nem abrandes meu castigo,
Que sou bárbaro inimigo,
Insolente e roubador.

Deixo, ó Glaura, a triste lida
Submergida em doce calma;
E a minha alma ao bem se entrega,
Que lhe nega o teu rigor.

extraído do blog Poesia Diversa 

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