domingo, 7 de abril de 2013

SOU MAIS DO QUE PASSIVA AMANHÃ

mulher (1)

Aceite a que eu ofereço,
é a que em mim mais o ama,
não tente alcançar a que não o quer,
a que exala volúpia e é passageira.

Das mulheres que habitam a que sou
evite a que os olhos não lhe dirigir
e nem tente a ela prender.

Meus vultos escorregam passos,
se você não os acompanha
não queira ficar e tudo modificar,
eu sou a sem lei, a parida ventania
nos dias de lamento das montanhas.

Acordo feras no soco ou no beijo
e exprimo meiguice na fala,
armadilha completa aos pés dos desavisados.

Não fique se a paixão for violenta
nem acomode se o amor for paciente, inove.

Mas se acaso descobrir os meus lados
e ainda assim for forte o bastante,
dome meus silêncios de raízes profundas
e toque sem medo o chão que piso.

Há dentro de mim o segredo para a vida,
vida presente para aquele que for sol e lua
nos carinhos sinceros ao escolhido.
Nada de mim é permanente,
eu sou a víbora de doce rastejar,
a criança desabrigada e carente,
a fêmea sem pudores, a santa de coisas válidas.

Não venha com falsas razões
ou engane minha confiança no que vejo,
eu perfuro caminhos por detrás da ânsia.

Nada valho e tudo é precioso
no que de mais puro digo e calo.
Cabe ao imperfeito sondar-me
descobrir meu avesso e habitar-me.

Aquele que vem fogo foge chuva,
aquele que vem utopia nem sequer permeia a Poesia.
Se o que quer é ser meu parceiro
aprenda o sigilo dos loucos
sem cair na masmorra do tédio,
vista camisa de força em minha pele
e trilhe o que existe por trás da coragem
do meu peito de florir espinho.

Eu tenho a oferecer o universo dos meus dias,
as trincheiras do âmago,
as muitas facetas dos meus delírios.
Não ouse chegar bombardeando minha carne
eu sou a própria guerra no amor
sem acenar bandeira de paz.

Aceite a que eu ofereço,
apenas não conforme em ter das tantas
furiosa besta enjaulada
ou mansa cadela em coleira.

Se o que quer é maior que a imposição,
desnuda minha boca, fira a minha fala
e eu rasgo essa que não o entende e elejo-o,
desbravador dos meus desertos,
único dono do meu coração e tesão.

Eliane Alcântara.
http://rabiscosecores.blogspot.com.br

http://youtu.be/3frVMme4EME

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