domingo, 22 de setembro de 2013

Lullaby

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Meu decrépito amor nasceu nas vinhas
Inumanos guizos subterrâneos —
Acabrunhada sigo
Sob este manto escaldador
Minhas células inexatas
Se redimem pela palavra
E diabretes bucólicos e bonachões
Compartilham minha estrebaria.

Meus anéis de prata,
meus apetrechos de cobre
Eu poli na crescente
Resignada mulher que antecipa o refúgio
A fêmea desenganada.
Nem súplicas, nem ameaças
Infundem sobre ela
Passes de mágicas,
Truques, diagnósticos, revelações...
Ela deverá cumprir seu próprio destino.

A única fórmula encantatória
É este rosto rasgado
Fundamento de abnegação
Eixo difuso da minha imensionável bruma
Que oferece seu revoar de farrapos,
Seu rumor de cascos.

Adriana Manarelli

in: Versos Livres, nº 34

Saiba mais sobre a minha querida amiga e original poeta  Adriana na entrevista concedida ao amigo Everi Carrara em http://jornaltelescopio.blogspot.com.br/2013/02/entrevista-com-adriana-manarelli.html

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