terça-feira, 25 de novembro de 2014

IMPRENSA ALTERNATIVA


UBERLÂNDIA, MINAS GERAIS

uberlândia mg - centro - by bkm_br

PRÓ-DONS ,O JORNAL DA POESIA

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No post de hoje, poemas extraídos da publicação alternativa "Pró-Dons, O Jornal Da Poesia", editado em Uberlândia, MG. Filiado à Febac.

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ANTES, SIMPLES EMPREGADO
Arlindo Nóbrega

Antes, simples empregado
agora virou patrão
Mas, alguém desconfiado,
só lhe taxa de ladrão

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DIAS FELIZES
Janice Martins de Castro Santos

Nesse deserto, eu sinto
alguém olhando prá mim.
Muitas vezes,eu sou uma.
Outras, sou outra. Uma na outra.
No tempo, comanda Deus e eu,
Mais um dia que inicia..
Imensas bênções.

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AS JANELAS DO VIVER
Angelo Augusto Ferreira

Não existe hora, minuto, segundo
Que determinem o acontecer, sem prever
A vida comparável à um grande casarão
Abre a janela e surge o acontecer
A nova visão..

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NÃO TE EXPRESSO, EM VERDADE
Oefe de Souza

Não te expresso em verdade
Um simples bem passageiro
Pois quero é felicidade
Cercando teu ano inteiro

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PRÓ-DONS, O JORNAL DA POESIA, é um periódico literário, distribuido gratuitamente aos grupos de amigos apreciadores da poesia. Projeto Fundação Casa do Poeta em Uberlândia, MG.

Filiado à Federação Brasileira de Alternativos Culturais

Seu editor é Angelo Augusto Ferreira ( pseudônimo), detentor de muitos prêmios em literatura. Pertence a vários entidades literárias no país.

Contato: Angelo Augusto Ferreira -  CP 4515 -  38408-971 - Uberlândia, MG

AAF

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

CONCURSO DE CONTOS E POEMAS - PRÊMIO FLOR DO IPÊ

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O 1º Concurso Nacional de Contos e Poemas - Antologia 2015 - Prêmio Flor do Ipê,  já esta com as inscrições abertas e termina no dia 30/01/2015.

Realização : DEPECAC – Departamento Editorial do Campus Catalão da Universidade Federal de Goiás e o Departamento de Letras da Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão, com o apoio da Coordenação de Extensão e Cultura

Cada proponente poderá submeter 1 obra de cada gênero, sendo conto de até 10 páginas e poema de até 3 páginas.

O concurso abrange as categorias infanto-juvenil e adulto.

Para mais informações :
http://www.depecac.catalao.ufg.br
concursoflordoipe@gmail.com
(64) 3441-5351
www.facebook.com/depecac.ufg

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A LUA ME DISSE

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Essa madrugada, a lua me sorriu,
com o mesmo sorriso que abres quando me olhas.
Preguiçosa, no céu,
esticou braços invisíveis,
como teus braços,
quando enlaçam meu corpo
envolvendo minha pequena estrutura,
na imensidão do teu peito.
Inquietas,
as pernas se expandiam no firmamento,
procurando, incessante minhas pernas,
e num balé esquisito, pareciam dançar.
Sorriso no rosto redondo,
braços e pernas,
perdidos na imensidão dos pensamentos,
na minha memória remota,
na minha memória recente,
a confundir meus pensamentes,
a fundir os corpos,
misturando realidade e fantasia,
alimentando o desejo incessante,
que não descola.
A lua, permanecia em seu lugar,
imóvel aos meus olhos,
mas articulada em meus pensamentos,
perdidos em você.

Valentina Fraga

Ilustração:  Auréa Seganfredo , A Lua dos Amantes
http://aureaseganfredo.blogspot.com.br/

Confira os textos da grande Valentina Fraga, publicados no site Usina de Letras, entre eles,  artigos, cartas, contos, crônicas, ensaios, erótico,frases, humor, letras de música ,poesias , textos religiosos, em
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=valentina

e no blog Valentina Fraga, Contos e Poesia , http://valentinafraga.blogspot.com.br/

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

TROVA Nº 069

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A dor física, doutor,
facilmente se suporta.
Mas uma tal "dor de amor",
nem anestesia corta.

Pedro Giusti

in: http://pedrogiusti.blogspot.com.br

Ilustração: Luiz Pinto, "Cadeira azul"

domingo, 5 de outubro de 2014

NEON

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Silêncio!...
Esse fosso selado
Reconduz
A plenos pulmões
Ao lado esquerdo
Que azul, azul
Sobrevoa a vertigem:
Escrutínio equânime,
Ladeira íngreme
Escarolando a interna turquesa.

Unidade totalitária:
Sanguessuga que emana
Do imo,
Entorpecente argúcia
Que me fala ainda mais límpida
Na luz cor de aço,
Flutuando,
Ampliado de minúcias.

Meus estilhaços:
Percepções sensoriais e fluxos,
Rubro-negros algodões cinzentos,
São como sombras entalhadas nas rochas
Submersas no redemoinho da memória
Para sempre emergindo lucernas.

Adriana Manarelli

Ilustração: José Silva - "Estilhaços"

Outros poemas de Adriana Manarelli podem ser encontrados no blog do meu amigo Everi Carrara , escritor e advogado de Araçatuba/SP - http://jornaltelescopio.blogspot.com/

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

INTERCÂMBIO - CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

No post de hoje, poemas extraídos de correspondência enviada para o fanzine Versos Livres. Contato: touche.sp@uol.com.br

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CAVALGADA
Sônia Maria Carriel Brandão

Faço um cavalo
de vento e vertigem.
Vagamos pela noite,
subimos juntos a montanha.

Ele
cheirando o silêncio,
passando os sonhos entre as pedras.

Eu,
bebendo a vida,
fartando-me de estrelas

Extraído do livro " O Gênero Literário", 3º Prêmio Literário Sérgio Farina, São Leopoldo, RS, Carta Editora.

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ESTA SAUDADE
Manuel Maria Ramirez y Anguita

Esta saudade que vem
e canta, quando não deve
Relembra a ausência de alguém
cantando o amor que foi breve !

in: O Patusco, nº 100, editado por João Batista Serra, Caucaia,CE

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NATALINOS
Larí Franceschetto

Quero Natal mesa nutrida de amor,
Olhar-nos nos olhos sem mágoas
Natal de flores mais nas mãos desarmadas.
De menos armas acionadas
Mais filhos perto dos pais.

Luares em todo beco, em toda praça,
De janelas e portas abertas, iluminadas.
Cadeiras na calçada
Onde sentem-se supostos inimigos
Para trégua de ambição.

Oh, Deus-Menino
Nos indique o caminho da essência de tudo
O pão repartido, verdadeiro sentido
De um mundo mais justo.

in memoriam

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A AMIZADE
Maria Theresa Cavalheiro

A amizade não se faz
de elogio passageiro.
Quem censura e traz a paz
é um amigo verdadeiro

Extraído da folha cultural "O Literário", nº 816, Rio de Janeiro, RJ, editado por Osaeal de Carvalho.

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PRIMAVERA
Eunice Mendes

Por tão nada sou feliz.
Um pouco de sol no mato
um beijo bom de língua
uma porção de risos.
Se houver um céu aberto,
mais feliz serei ainda....

Do jornal "O Capital", jornal de resistência ao ordinário, editado por Ilma Fontes, Aracaju, SE .

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

LIVROS RECEBIDOS

No post de hoje, poemas extraídos do livro " Além dos Ditos Poemas", de Luiz Antonio  de Souza  Salvia, enviado,pelo autor, para a redação do fanzine Versos Livres

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QUANTO COBRO ?
Luiz A.S. Salvia

Então pergunta você
Quando cobro para publicarem meus escritos ?
Não,não digo o valor . "Caridade parece
palavra de pobre, mas haverá virtude mais nobre ?"
Resposta: tolerância e humildade.
Na "hora" do dízimo numa igreja, a música
"Oferto a Deus a alegria"

in: " Além dos Ditos Poemas"

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BRILHO DE SURPRESA
Luiz A.S. Salvia

Ouve, acontece alguma radiação luminosa.
Ao mesmo tempo, eis que você acende e apaga uma luz.
E, no mesmo instante, você move algo.
Eis que, por acaso, você apaga e acende uma luz e vice versa.
Mas, a qual tempo a variação luminosa ?

in: " Além dos Ditos Poemas"

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TUDO É NADA
Luiz A.S. Salvia

Disseram:
"- Todo o mundo é um nada".
Entre o todo e o nada existe uma camplexidade
de acontecimentos. Simplificado a diversos princípios.
Mas, numa única verdade?

in: " Além dos Ditos Poemas"

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FÔLEGO PRÓDIGO
Luiz A.S. Salvia

Tem prodígio que perde o fôlego.
Isto, na averiuação ou comprovação em ser realizado.
Nem mais um suspiro, e já está pronto.
No sinal anterior de fazê-lo .

in: " Além dos Ditos Poemas"

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ALGUMAS DIVERSAS
Luiz A.S. Salvia

Muitas vezes, perder a essência do sonho.
Quando despertar, porque esqueceu seus princípios ?
Quando a sabedoria do sub mundo auxilia, ajuda,
a classe "dominante".
Pode chamar o terapeuta de professor ?
Mas, muitas vezes, o paciente é o confessor !
É, aprendemos e ensinamos, com os erros dos outros

in: " Além dos Ditos Poemas"

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O livro "Além dos Ditos Poemas", é uma edição independente, editado em Curitiba, em 2005, com 53 páginas.

Saiba mais em http://www.terceiramargem.com/poesia/10-a-poetica-do-inconsciente-

Contato com o autor :  Editora Terceira Margem - http://www.terceiramargem.com.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

ND EKO PORAN ?

em um canto da cidade

Ninguém mais me diz
que tenha lido um livro de poesia.
Que saiba recitar uma sequer frase
de Cecília Meirelles ou de Drummond.
Nem isto, nem aquilo.
Só o crime do dia anterior
Renovado pelo de agora.
Só o sequestro bem sucedido
Ou o bebê oferecido num ritual satânico.

Meu amigo de coração pueril
quando de passeio,
desembarcou em São Paulo
Perquirindo se todo aquele ajuntamento
era sinal de briga.
Era São Paulo, incansável e cosmopolita.
De onde veio meu amigo,
Gente só junta
Quando vaca brava invade a rua,
Quando cachorro doido morde
criança indefesa
Ou lobisomem sai da toca,
esquecendo que não chegou agosto

Tom

A frase "Nd Eko Poran" significa  "Você está bem ?", em tupi- guarani.

Ilustração : Miguel Angelo 
http://ateliemiguelangelo.blogspot.com.br/

Saiba mais sobre o poeta Tom em http://letrastaquarenses.blogspot.com.br/2014/04/tom-tomzine-de-frei-gaspar-para-os.html

Confira outros poema do grande poeta de Frei Gaspar em https://tomzine24.wordpress.com/

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

POETAS DO BRASIL

MINAS GERAIS

MAURO FERREIRA - Riacho na Zona da mata, MG - Óleo sobre tela - 46 x 75

O grosso da espécie humana
Lembra platéia infeliz
Ao ator que mais a engana
não cessa de gritar "Bis".

José Fabiano
Belo Horizonte/MG

Ilustração: MAURO FERREIRA - Riacho na Zona da mata, MG. Óleo sobre tela - 46 x 75

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

INTERCÂMBIO - CORRESPONDÊNCIA

No post de hoje, poemas extraídos de alguns dos emails enviados para a redação do Versos Livres. Textos, criticas e sugestões serão benvindos no email touche.sp@uol.com.br

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O PRIMEIRO PASSO DE UM BÍPEDE
Dieter Droos

o primeiro passo de um bi-péde .

só o segundo passo liberta :
com o primeiro
um pé ainda fica preso no passado

dieterroos@yahoo.de

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POETA ABEL B. PEREIRA
Teresinka Pereira

Já não é preciso
chorar nem cantar
seu desencanto.

O sacrificio de seu vôo
sobre a terra não deixou
a página em branco.

Consagrado já era em vivo,
imortal será de agora
em diante
em nossas vozes.

tpereira@buckeye-express.com
(O saudoso poeta Abel Pereira, faleceu em 1 de março de  2011)

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O PASSAGEIRO
Bertolt Brecht 

Quando, há alguns anos
Aprendi a dirigir um carro, meu instrutor
Me fazia fumar um charuto; e quando
Na confusão do tráfego ou em curvas difíceis
O charuto apagava, ele me tirava o volante.

Também contava piadas, e se eu não sorria
Muito ocupado com a direção, afastava-me
Do volante. Eu estava inseguro, dizia ele.
Eu, o passageiro, me apavoro quando vejo
O motorista muito ocupado com a direção.

Desde então, ao trabalhar
Cuido para não ficar absorvido demais no trabalho.
Dou atenção a muitas coisas em volta
Às vezes interrompo o trabalho para Ter uma conversa.
Andar mais rápido do que o que me permite fumar
É algo que já não faço. Penso
No passageiro.

enviado pelo Centro de Estudos Políticos e Culturais CEPEC
www.cepec.org3@gmail.com;

-

atuamos-cleo 

-

ONIPOTÊNCIA
alaorpoeta

Quando criança brincávamos
de ser gente importante
do mundo dos adultos.
Um dia fui Deus...

Enquanto José erguia cidades
Maria trocava fraldas
eu abobalhava uma formiga
numa caixa de fósforos redonda
azul vista do espaço
e dizia: - Comece a rezar!

Deixava um curto escape
de liberdade. Mas advertia:
- Só quando eu quiser!
Então a formiga, sempre,
porque era formiga
e não sabia o que fazia
desafiava pelo orifício
seu cérebro de saudade
e com olhos de finitude
lograva a consciência
na guilhotina de Deus.

Nunca entendi o despropósito
daqueles seres ínfimos
a corroer minhas dúvidas
porque jamais me deixaram
brincar de ser formiga.

Quando cresci
virei formiga de verdade.

Alaor Tristante Júnior
http://alaorpoeta.blogspot.com.br

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INDIGNAÇÃO
Almandrade

Passatempo ordinário
...
depois a humilhação
vem o envelhecimento
o repouso é inesperado
esterilidade da emoção
provável decadência
...
enfim as incertezas.

linguagemviva@linguagemviva.com.br

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Ilustração: Ekaterina Panikanova,

domingo, 3 de agosto de 2014

Belô Poético deixa saudades e lições

Folder Belô Poético

O Belô Poético deixa saudades e lições de que é possível empreender cultura e literatura com cooperação, mais calor humano que capital, mais positividades que poderes, no âmbito dos indivíduos e sociedade civil.

Bertold Brecht, poeta e dramaturgo alemão, escreveu:

Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis

Durante um decênio, o Belô Poético contou com esses três tipos: houve aqueles que ajudaram num episódio e foram bons, houve aqueles que integraram comissão organizadora ao longo do ano, e esses foram melhores. Houve ainda aqueles que desde 2005, quando do 1º Belô, ajudam na organização, e esses foram muito bons. E há pessoas como Rogério Salgado e Virgilene Araújo, que lutam a vida inteira, esses são imprescindíveis. 

Muitos de nós, somos “carona”, usufruindo do esforço alheio, mas me consola saber que engajamento não se obriga e que todos somos seres em evolução moral. Em breve relato, o poeta Rogério Salgado nos contou sobre caso exemplar, que explicita bem a responsabilidade de cada um. Certa vez, foi organizado um sarau com o objetivo de arrecadar donativos, apareceu um ou dois poetas; mas quando se organizava um sarau convencional, com pompa e aplausos, abundavam.

O Belô passa uma lição que serve para todos os grupos literários, qual seja, de que por mais que haja uma injustificada competição, neste precário campo das letras, ela nunca será melhor que a cooperação, o congraçamento literário, afetivo, humano, que é besteira brigar por migalhas, que estamos no mesmo barco, e que é melhor matar saudades que favorecer disputas e desgastes, sem também forçar amizade.

Outra lição é que, de fato, há ciclos na vida, assim como há ciclos naturais, de forma que um fim nunca é um fim em si mesmo, mas o começo de algo novo. É isso o que quis transmitir o palestrante Paulo Pina, na abertura do 10º Belô Poético, em oratória impecável de linha humanista-cristã, que muito me agradou. Ao longo da vida, trocamos de pele, renovar é um movimento irresistível, a fim de manter a saúde.

            O Belô serve de exemplo de que é possível empreender efemérides, publicações, solidariedade, através do cooperativismo artístico, onde todos saem sentindo-se engrandecidos e realizados. Dado o exemplo, agora, cada um de nós pode caminhar com as próprias pernas, sendo a autonomia do indivíduo outra lição do Belô. Ensinar a pescar e engravidar possibilidades, como diz o poeta Diovani Mendonça, homenageado na abertura do evento, assim como Severino Iabá, multiativista.  

Como se não bastasse, outra lição do Belô é da importância do intercâmbio cultural com movimentos, grupos e pessoas de outras cidades, fora do nosso espectro geográfico-mental. É uma forma de desengessar o olhar, arejar a cabeça, conhecer novas culturas, experiências, possibilidades, sendo o último dia de todos os dez episódios do evento, dedicado a um passeio fora de Belo Horizonte, com saber e sabor.

O aspecto humano também é importante ser ressaltado: o Belô Poético, geralmente chamado de “evento”, sempre foi mais do que isso, isto é, ele nunca foi efêmero propriamente, mas sempre uma continuidade de uma irmandade poética, um constante reencontro de poetas esperado todos os anos, algo que durava dentro de cada um. Também não era mais um evento fast-food (acabou, passou), estandardizado, espetacular, mas poroso às contingências e sensibilidades, mais humano. Os participantes, ao final, senão transformados, saíam sensibilizados, solidarizados, irmanados. Já os organizadores, cansados, mas cansaço bom, de quem travou o bom combate, que merece nosso apreço e compreensão. 

A melhor forma de ser fiéis ao espírito emanado do Belô Poético, talvez seja aprendermos a caminhar com as próprias pernas como indivíduos e sociedade civil; cooperados, que isolados nada realizamos; arrefecer egotismos e cultivar virtudes; sair do comodismo atrofiador, obrar o bem. Tempo foge, vida passa, ‘vai a idade’, o Belô nos deixa sim saudades, mas também exemplo aos nossos empreendimentos e desdobramentos presentes e futuros.

Vinícius Fernandes Cardoso,
Poeta, 28/07/2014

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Rogério Salgado e Virgilene Araújo.

domingo, 27 de julho de 2014

Cantiga dos Moleques Fruteiros

Severin-Roesen-Still-Life-with-Fruit-10-

Pedrinho tem fome de mato,
das frutinhas que tantas dão por lá:

Cajuí, taperebá, araticum e cajá
Cambuci, guabiroba, cagaita e maracujá

Juca menino erradio
pulou a cerca do sítio,
e lá se foi, frutas a roubar:

Pindaíva, marôlo, sorvinha e biribá
saguarají, feijoa, sapoti e joá

Gustinho não poupa ninguém
nem atina se a fruta é veneno;
se tem polpa pouca
ou se nem polpa tem,
a de vez ele come,
a passada também:

Mangaba, guriri, tucum e butiá
uarutama, bacupari, marmelinho e ingá

Renato é um bicho-do-mato:
chafurda nas matas,
rompe pelos florestins
sabe o tempo de cada fruta,
e deita sozinho a fazer seus festins:

Babaçu, inajá, catolé e bacuri
sapota, cupuaçu, araçá e cacauí

Fernandinho é moleque mateiro:
gosta é de pelar pé de árvore
no pomar da avó.
É fruta que não acaba tão cedo
e lá vai ele, arteiro, trepar no arvoredo:

Grumixama, cubíu, marmixa e abiu
guaburiti, pitangatuba, murtinha e camu-camu

Saltam riacho, cerca de roça,
mata fechada e o que se lhes dá;
Comem de tudo e tudo sem pressa,
sorvendo o bom doce de tudo o que há:

Acumã, pequiá, jameri e jaracatiá

aboirana, curriola, fruta-de-tatu e cambuiú.

Sammis Reachers

Azul Caudal
http://azulcaudal.blogspot.com.br/

Ilustração: Severin Roesen (1815-1872, Germany)

terça-feira, 15 de julho de 2014

QUISERA O AMOR FOSSE FÁCIL

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QUISERA O AMOR FOSSE FÁCIL,
COISA DE APENAS UM DIA,
QUE PASSASSE NUM LAMPEJO
QUE FOSSE APENAS SEXO E ORGIA.

QUISERA NÃO FOSSE SENTIMENTO,
QUE TREME PERNA E CORAÇÃO,
QUISERA O AMOR FOSSE FÁCIL,
FOSSE FRACO DE INTENÇÃO.

FOSSE LEVADO A REBOQUE,
FOSSE TIRADO NUM BANHO,
FRÁGIL COMO MAQUIAGEM,
FOSSE PEQUENO EM TAMANHO.

FOSSE DOR QUE DÓI BEM POUCO,
FOSSE FÁCIL DE FALAR,
QUISERA FOSSE TIRADO,
DA LITERATURA O VERBO AMAR.

VALENTINA FRAGA

Ilustração: Julio Romero De Torres

Confira outros textos da grande Valentina em http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=VALENTINA

Acompanhe o blog de Valentina Fraga em http://valentinafraga.blogspot.com.br

sexta-feira, 4 de julho de 2014

UMA CERTA ARTE

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A arte da perda é fácil de estudar:
a perda, a tantas coisas, é latente
que perdê-las nem chega a ser azar.

Perde algo a cada dia. Deixa estar:
percam-se a chave, o tempo inutilmente.
A arte da perda é fácil de abarcar.

Perde-se mais e melhor. Nome ou lugar,
destino que talvez tinhas em mente
para a viagem. Nem isto é mesmo azar.

Perdi o relógio de mamãe. E um lar
dos três que tive, o (quase) mais recente.
A arte da perda é fácil de apurar.

Duas cidades lindas. Mais: um par
de rios, uns reinos meus, um continente.
Perdi-os, mas não foi um grande azar.

Mesmo perder-te (a voz jocosa, um ar
que eu amo), isso tampouco me desmente.
A arte da perda é fácil, apesar
de parecer (Anota!) um grande azar.

Elizabeth Bishop
(tradução de Nelson Ascher)

Do livro : ASCHER, Nelson. Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998.)

Ilustração: Iderval Tenório

quarta-feira, 25 de junho de 2014

BORGEANO

DOUGLAS OKADA - No sítio pela manhã - Óleo sobre tela - 40x50cm

Manhã de domingo.
Visito Os Olhos de Borges
(*)
para sentir-me vivo.

Embora manhã
de pólen e sol
há sombras na brancura dos lírios.

A tristeza reside
naquilo que vejo
e não me pertence.

E meus olhos divisam
domingo de giz
na morte das horas.

(*) Livro do poeta Jaime Vaz Brasil
Lari Franceschetto

Ilustração: Douglas Okada

terça-feira, 17 de junho de 2014

Biblioteca recebe nome de Larí Franceschetto

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Em 2013, no dia 11 de novembro,  foi realizada a solenidade que oficializou o nome da biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Senador Alberto Pasqualini de Biblioteca Larí Franceschetto.

O evento contou com a presença de familiares do poeta, a secretária municipal de Educação e Cultura, Elis Regina Perachi Favero, o presidente da Câmara de Vereadores de Veranópolis, Moisés Pertile, e os vereadores Irineu Machado dos Santos, Lirio Soares, Luis Carlos Comiotto, Rudimar Caglioni e Vladis José Scorsatto, a diretora da escola, Ivete Grando, professores, funcionários e alunos do educandário. Na oportunidade, uma aluna leu o histórico do homenageado e um grupo de alunas encenou a obra ‘Fotografia’, de Larí.

O nome da biblioteca foi definido por um Projeto de Lei Legislativo, de autoria de todos os vereadores, como uma forma de homenagear o poeta e jornalista que faleceu no mês de fevereiro e deixou um legado de sucesso.

Confira fotos da solenidade e outras informações em
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.619518091423408.1073741985.136831159692106&type=1

quarta-feira, 11 de junho de 2014

ADEUS

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Adeus, meu amor, logo nos desconheceremos. Mudaremos os cabelos, amansaremos as feições, apagarei seus gostos e suas músicas. Vamos envelhecer pelas mãos. Não andarei segurando os bolsos de trás de suas calças. Tropeçarei sozinho em meus suspiros, procurando me equilibrar perto das paredes. Esquecerei suas taras, suas vontades, os segredos de família. Riscarei o nosso trajeto do mapa. Farei amizade com seus inimigos. Sua bolsa não se derramará sobre a cadeira. Não poderei me gabar da rapidez em abrir seu sutiã. Vou tirar a barba, falar mais baixo, fazer sinal da cruz ao passar por igrejas e cemitérios. Passarei em branco pelos aniversários de meus pais, já que sempre me avisava. O mar cobrirá o desenho das quadras no inverno. As pombas sentirão mais fome nas praças. Perderei a seqüência de sua manhã - você colocava os brincos por último. Meus dias serão mais curtos sem seus ouvidos. Não acharei minha esperança nas gavetas das meias. Seus dentes estarão mais colados, mais trincados, menos soltos pela língua. Ficarei com raiva de seu conformismo. Perderei o tempo de sua risada. A dor será uma amizade fiel e estranha. Não perceberei seus quilos a mais, seus quilos a menos, sua vontade de nadar na cama ao se espreguiçar. Vou cumprimentá-la com as sobrancelhas e não terei apetite para dizer coisa alguma. Não olharei para trás, para não prometer a volta. Não olharei para os lados, para não ameaçá-la com a dúvida. Adeus, meu amor, a vida não nos pretende eternos. Haverá a sensação de residir numa cidade extinta, de cuidar dos escombros para levantar a nova casa. Adeus, meu amor. Não faremos mais briga em supermercado, nem festa ao comprar um livro. Não puxaremos assunto com os garçons. Não receberemos elogios de estranhos sobre nossas afinidades. Não tocaremos os pés de madrugada. Não tocaremos os braços nos filmes. Não trocaremos de lado ao acordar. Não dividiremos o jornal em cadernos. Não olharemos as vitrines em busca de presentes. O celular permanecerá desligado. Nunca descobriremos ao certo o que nos impediu, quem desistiu primeiro, quem não teve paciência de compreender. Só os ossos têm paciência, meu amor, não a carne, com ânsias de se completar. Não encontrará vestígios de minha passagem no futuro. Abandonará de repente meu telefone. Na primeira recaída, procurará o número na agenda. Não estava em sua agenda. Não se anota amores na agenda. Na segunda recaída, perguntará o que faço aos conhecidos. As demais recaídas serão como soluços depois de tomar muita água. Adeus, meu amor. Terá filhos com outros homens. Terá insônia com outros homens. Desviará de assunto ao escutar meu nome. Adeus, meu amor.

Fabrício Carpinejar

Ilustração: Sérgio Helle

quarta-feira, 28 de maio de 2014

INTERCÂMBIO - EMAILS

No post de hoje, poemas extraídos de emails enviados para o fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos. Textos, críticas e sugestões, serão benvindos em touche.sp@uol.com.br 

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ERA CARNAVAL
Adélia Einsfeldt

No carnaval de outras eras
quem eras, como eras?
eras Palhaço ou Arlequim?
quem sabe eras o anjo Querubim!
nem sei na verdade quem eras.
Tua máscara escondia
teu rosto eu não via
já era quase dia
eu ainda não te conhecia...
Muitos anos passaram
quando numa tarde
plantando flores no meu jardim,
ouvi uma música de carnaval
lembrei do carnaval de outras eras,
a emoção tomou conta de mim
Chorei!

adeliaeinsfeldt@yahoo.com.br
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NOITE FEBRIL
Welington de Sousa

Por hora
teu gosto amargo me basta
e todo silêncio é bem vindo
cerveja bem gelada carne mal passada
um canto qualquer ...um cão vira lata
e se puder um blues vagabundo
de alma penada...

sem dó nem pena
em qualquer encruzilhada
pra que eu me sinta um pouco melhor
esculpindo as palavras que tua boca deixou
no canto vazio daquela noite febril.

São Gonçalo - RJ -

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VIVER É UMA AVENTURA
Cecília Fidelli

Viver é uma aventura,
é sempre mais um passo,
mesmo que seja rastejante.
Constantes alturas, muitos tombos.
As noites...
foram feitas pra mim.
Na verdade, fomos feitas uma pra outra.
Durmo insônias em versos sem fim.,
acreditando que estou fazendo a coisa certa.
A vida é um paraíso de embates constantes.
Nos jardins dos meus caminhos,
toda hora é hora de partir.
As noites seguem.
A vida segue,
por isso é que a gente tropeça
e quase sempre... enlouquece.
Se fôsse tudo direitinho,
sem momentos de gritos,
não haveriam chôros
que nos trouxessem sorrisos.

in memoriam

-

REINVENTEI SILÊNCIOS
Harley Meireles

reinventei silêncios
desespero tempo
na calada da sua boca
gritos de carbono

acordes de giz - 2010

-

Recebemos ainda os links das entrevistas do escritor e dramaturgo
Paulo Mohylovski - mohylovski@bol.com.br; :

entrevistas com Marcilio Moraes e Joeli Pimentel
http://www.germinaliteratura.com.br/2010/pcruzadas_marciliomoraes_dez10.htm
http://www.germinaliteratura.com.br/2010/pcruzadas_joelipimentel_dez10.htm

segunda-feira, 19 de maio de 2014

INTERCÂMBIO - CORRESPONDÊNCIA

No post de hoje, poemas extraídos da correspondência postal enviada para o fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP. Textos, críticas e sugestões podem ser enviados para touche.sp@uol.com.br

Norman-Rockwell-Little-boy-writing-a-letter

ALMA DO VINHO
Francisco Carvalho

O amor é alma do vinho
que passeia nas adegas.
O cristal de que ele é feito
não se parte nem se quebra.

É uma taça de chamas
com que o céu nos golpeia.
Um cálice de veneno
entre as orquídeas da ceia

O amor nos presenteia
com o seu diadema.
A fagulha que incendeia
o esqueleto do poema

( Em: "Esquinas do Tempo")

Francisco Carvalho é poeta e crítico literário. Membro da Academia Cearense de Letras.

Poema publicado na edição nº 126, do caderno literário "Binóculo", enviado por seus editores Dias da Silva e Batista de Lima, Jbatista@unifor.br , fone: (85) 3279.1752

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PRIMAVERA
Ademir Antonio Bacca

os vôos
de todos os pássaros
parecem partir
de dentro de mim

quantos chegaram
ao seu ninho ?

Em: Cotiporã Cultural, nº 43, gentilmente enviado pelo seu editor, o nosso amigo Adão Wons. Saiba mais em www.adaowons.blogspot.com

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RECUSO-ME
Viviane Schiller Balau

Recuso a acreditar
Que você partiu e o que
restou foram apenas lembranças
De nossas carícias de amor

E recuso a apagar os momentos
De felicidade que vivemos juntos

Também me recuso a dizer
Um basta para essas loucuras que cometi

jobalau@uol.com.br

Publicado na folha cultural "Farroupilha", editado por Leonel Dutra V. Lopes, Viviane M. Lopes Viana, contatos : Caixa Postal 123, Taquari, RS, 95860.000, insanityrock@taquari.com.  Enviado por Adão Wons.

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REMINISCÊNCIAS
Larí Franceschetto

O último apito
do último trem
na última curva
ainda ecoa no menino de ontem.
No menino de hoje
a retina cansada
destila saudade.
O primeiro trem
que viu passar
ainda passa;
o último também.

Dói, também
igual aquele retrato na parede
Drummond....

in memoriam. O amigo Larí nasceu em Veranopólis/RS, onde também faleceu. Tinha na literatura uma de suas grandes paixões, desde a adolescência. Participou de mais de 100 coletâneas em prosa e verso Brasil afora. Também foi muito premiado no Brasil e no exterior. Estreou em livro solo com a obra " Espelho das Águas".
Esse poema ele me enviou em uma carta de junho de 2012,  informando que o mesmo integrava a coletânea "Arabescos", Santa Maria, RS, 2012.  O grande poeta viria a falecer em 2013.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Babilônia

GIANCARLONERY

O ventre estrebucha
Sob esse maior ponto de luz —
Clandestino, a revelia —
Conjunção de aflição e refúgio,
A 360 graus,
Agora intangível
Mas, por estranho que pareça:
Meu corpo,
Guinchando
O mimetismo dos líquens.

Língua rasteira
Pelo trajeto, ofegante
Invólucro
Teia efervescente
Pelas estufas íngremes
Nana a pele pálida
Quem disse
Que coração tem escrúpulo?

Almíscar
Gritando no centro,
Síntese faiscante,
Esporo de fascínio —
Pulsação rubra
Prestando reverência aos séculos.

Adriana Manarelli

Ilustração: fotos da instalação de Gustavo Nery

Outros poemas de Adriana Manarelli podem ser encontrados no blog do meu amigo Everi Carrara , escritor e advogado de Araçatuba/SP - http://jornaltelescopio.blogspot.com/

quarta-feira, 14 de maio de 2014

COTOVIA

CENA V. Jardim de Capuleto
Entram Romeu e Julieta, em cima, na janela.

JULIETA- Queres ir embora ?... O dia ainda não está próximo...Era do rouxinol e não da cotovia a voz que feriu o fundo receoso de teu ouvido...Todas as noites canta naquela romãzeira. Acredita, meu amor, era o rouxinol.

ROMEU - Era a cotovia, mensageira da aurora,e não o rouxinol !.. Olha, meu amor, que raias invejosas de luz separam as nuvens no Oriente longínquo...Os círios da noite já se queimaram e o jucundo dia está, de pontas de pés, no brumoso cimo das montanhas...Preciso partir e viver, ou ficar e morrer.

JULIETA- Aquela claridade longínqua não é a luz do dia, eu sei...É algum meteoro que o sol exala para que seja o portador da tocha nesta noite e te ilumine no teu caminho para Mântua.Fica, portanto!... Não tens necessidade de partir.

ROMEU- Que importa que me prendam, que me matem? Serei feliz, assim, se assim o quiseres. Direi que aquele ponto acinzentado não é o olho do dia, mas o pálido reflexo do diadema da alta Cíntia, e também que não foi a cotovia, cujas notas a abóbada celeste tão longe ferem sobre nossas frontes. Ficar é para mim grande ventura; partir é dor. Vem logo, morte dura! Julieta quer assim. Não, não é dia.

     JULIETA — É dia; foge! A noite se abrevia. Depressa! É a cotovia, sim, que canta desafinada e rouca, discordantes modulações forçando e insuportáveis. Dizem que ela é só fonte de harmonia; não é assim, pois ora nos divide. Há quem diga que o sapo e a cotovia mudam os olhos. Oh! quisera agora que ambos a voz também trocado houvessem, pois ela nos separa e, assim tão cedo, como grito de caça mete medo. Oh vai! A luz aumenta a cada instante.

     ROMEU — A luz? A escuridão apavorante.

     (Entra a ama.)
     AMA — Senhora!

     JULIETA — Ama?

     AMA — Vossa mãe se dirige para cá. Sede prudente; já raiou o dia, como podereis ver. (Sai.)

     JULIETA — Então, janela, que o dia entre no quarto e a vida fuja.

     ROMEU — Adeus, adeus! Um beijo, e desço logo.
     (Desce.)

William Shakespeare
”Romeu e Julieta”

romeoandJulietgde

sexta-feira, 9 de maio de 2014

"..o pássaro possível..."

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o pássaro possível
em minha mão
é mudo

feito de silêncio e asas
sobrevoa tudo
como se tudo fosse sua casa

e nada

depois se recolhe e
se guarda
na fôrma da minha mão
vazia;
pousada

Eunice Mendes

Eunice Mendes é natural de Santos/SP. Formada em Jornalismo. Edita com Walmor Colmenero, a revista literária artesanal POETIZANDO, a folha poética A POETISA e o zine ÁRVORE AZUL, pelo selo ARTESANIA. Possui vários livros de poemas organizados e registrados na Biblioteca Nacional. Tem poemas publicados em vários jornais, revistas, zines e sites.
contato: walmordario@ig.com.br ou revistapoetizando@yahoo.com.br

Confira uma entrevista da poetisa concedida ao site Alegria de Ler, em http://alegriadeler.blogspot.com.br/2006/06/entrevista-com-eunice-mendes.html

Ilustração : Maurizio Bongiovanni
http://obviousmag.org/archives/2010/07/passaros_surrealistas_de_maurizio_bongiovanni.html

segunda-feira, 5 de maio de 2014

"... SÓ SE DAVA BEM COM ANIMAIS..."

Camponês com cavalo, 1948 – José Marques Campão (Brasil, 1892-1949). Óleo sobre tela, 54 x 65 cm. Colecção Particular

Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais.Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado,confundia-se com o cavalo, guardava-se a ele. E falava uma linguagem cantada,monossilábica e gutural,que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado,para o outro lado, cambaio,torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos - exclamações,onomatopéias. Na verdade, falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas.

Graciliano Ramos
"Vidas Secas"

Ilustração: José Marques Campão

quarta-feira, 23 de abril de 2014

SABIÁ

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No seu canto piedoso
Sabiá vive a implorar
o dia em que, glorioso,
a Paz veremos chegar

Henny Kropf
in : " Chuva Lírial de Trovas"

“Poetisa, trovadora, escritora e pesquisadora, Henny Kropf nasceu em Cantagalo, em 1922, e dedicou toda sua vida às letras. Pertence a 50 entidades culturais localizadas em diversos estados brasileiros e até em Londres, na Inglaterra.

Recebeu mais de 100 prêmios de participação em concursos literários. Publicou os livros de poesias Arco-Íris do Amor (1994) e Chuva Lirial de Trovas (1997). Tem trabalhos divulgados em 50 antologias e em cerca de 100 edições de jornais, revistas, boletins literários, programas de rádio e
artigos na internet, na maioria dos estados brasileiros.

É editora do Poenísia, um boletim literário sobre autores cantagalenses e trovadores brasileiros. Aos 90 anos, a simpática senhorinha mora em uma das casas mais antigas da cidade e faz parte da família Chevrand. “Meu bisavô, Luis Antonio Chevrand, foi um dos primeiros escravagistas do Brasil a
libertar os filhos dos seus escravos”, conta orgulhosa. 

Henny aprendeu a ler sozinha e começou a escrever poesias aos 17 anos. E continua escrevendo, além de ser colaboradora da biblioteca municipal e pesquisadora da história da cidade. Henny  também cultiva o hábito, já popular na cidade, de presentear  amigos e moradores cantagalenses com poesias e trovas escritas em bilhetinhos que ela mesma envelopa e entrega ao destinatário. Tem muitas trovas foram dedicadas a sua cidade natal e ao filho  ilustre de Cantagalo, Euclides da Cunha.”
( extraído de Mapa de Cultura RJ -
http://mapadecultura.rj.gov.br/cantagalo/henny-kropf/)

Ilustração : Di Magalhães
http://dimagalhaesstudiologspot.com.br/

sábado, 12 de abril de 2014

POUSOU UMA BORBOLETA...

Margaridas-com-Borboleta

Pousou uma borboleta
na minha cama vazia,
como uma flor violeta
sobre uma campa sombria

Humberto Del Maestro

Nascido em Vitória, Espírito Santo, no dia 27 de março de 1938, Humberto Del Maestro, poeta, teatrólogo, ator, bancário aposentado, intelectual, pensador, produtor cultural, cronista, ensaísta, contista, trovador, crítico literário, é autor de inúmeros livros, entre os quais, “Poesias modernas,” “O tesouro,” “O sonho dos séculos,” “Poesias,” “Contos  Impossíveis ...?” “Aloendros,” “Sonhos e Canções e Breves,” “Trovas, Haicais e outros poemas,” “Dísticos” e tantos outros já publicados, além de participar de algumas dezenas de antologias espalhadas pelo Brasil.

Membro da Academia Espírito-santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, associado do Postal Clube, do Rio de Janeiro e colaborador efetivo da revista alternativa A FIGUEIRA, de Florianópolis – SC. É detentor de vários prêmios, entre outros, Melhor Poeta Nacional de 1997, Embaixador da Poesia do Brasil 2000. É verbete da ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho Botelho, ( fonte : http://www.oocities.org/humbertodelmaestro/)

O CANTO DA PASSARADA

Encontro a rua molhada,
mas um sol ao longe, vejo,
e o canto da passarada
traz as delícias de um beijo

Humberto Del Maestro

terça-feira, 1 de abril de 2014

ANIMAIS



Referências a animais aparecem já nas primeiras obras da literatura de informação sobre o Brasil, desde a Carta de Pero Vaz Caminha aos cronistas dos séculos XVI e XVII. 

A poesia não ficou isenta desse entusiasmo pelas grandezas da terra. Para objetivar seus ensinamentos, o Padre Anchieta comparava virtudes e defeitos humanos ao comportamento dos animais, o mesmo fazendo Gregório de Matos, com relação aos vícios da sociedade baiana.

É porém,no século XIX que se vai encontrar o primeiro grande animalista da literatura brasileira: José de Alencar. Em "O Guarani" e "Iracema", a paisagem se aviva de animais de toda a espécie.Em "Iracema", Japiri,o cão e a Arara que acompanham a jovem índia participam ativamente da história.

Nos seus romances regionalistas,os animais ganham especial relevo,como em O Gaúcho e O Sertanejo. 

Os poetas românticos identificam seus estados sentimentais com alguns pássaros.O canto do sabiá lembra a terra distante e saudosa de Gonçalves Dias,enquanto a juriti é um símbolo da doçura amorosa,na poesia de Casimiro de Abreu,Fagundes Varela ou Castro Alves.

Rolando Morel Pinto
in: Os Animais na Literatura Brasileira,Dicionário de Literatura,1º volume,3ª edição,1979,Figueirinhas,Porto.

sábado, 15 de março de 2014

POETAS DO BRASIL

São Paulo 

Quando o vento enlaça a rosa
num amoroso queixume
ela, fremente e dengosa
nele esparge o seu perfume

Maria Thereza Cavalheiro 

ilustração: Marco Angeli
http://angeliretratosdavida.blogspot.com.br

MARIA THEREZA CAVALHEIRO nasceu em São Paulo/SP a 25 de janeiro de 1929. Coincidentemente faz aniversário junto com sua cidade. Escritora, poetisa, advogada, jornalista, tradutora e ecologista. 

Vários livros publicados: entre outros, em 1960 lançou "Antologia Brasileira da Árvore"; em 1989 publicou "Segredos do Bom Trovar - Como fazer Trova - Exemplos práticos" e, em 2009, "Trovas para Refletir".

Como dirigente, foi co-fundadora e a primeira presidente da UBT (União Brasileira de Trovadores), seção São Paulo, em 11.09.1969, que esteve sob sua batuta até 1976, quando se afastou por problemas de saúde. 

Publica, desde 1973, em vários jornais e revistas da capital paulista, a coluna "Trovas", estendida depois a "O Radar", de Apucarana/PR, e "Bali", de Itaocara/RJ.

Traz a poesia no sangue. Não por acaso é sobrinha/neta de Yde Schloenbach Blumenschein que, literariamente é a célebre Colombina, que aprendemos a admirar, fundadora e presidente perpétua da "Casa do Poeta "Lampião de Gás" de São Paulo. 

saiba mais em http://www.falandodetrova.com.br/therezacavalheiro

quarta-feira, 5 de março de 2014

ELOGIO DA DIALÉTICA

O EREMITA - óleo sobre tela, 100x60cm

A injustiça avança hoje a passo firme.
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas
continuarão a ser como são.
Nenhuma voz além da dos que mandam.
E em todos os mercados proclama a exploração:
Isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.
Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes, falarão os dominados.
Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? De nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe e o que se chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será: ainda hoje.

Bertold Brecht  
-
Confira outros poemas de Brecht em
http://mepr.org.br/cultura-popular/poesias/96-coletanea-de-poemas-de-bertolt-brecht.html

domingo, 2 de março de 2014

A POLÍTICA BRASILEIRA - O perfil dos candidatos

73

No Brasil há candidatos
Que só querem enriquecer
Depois que estão eleitos
Do povo não querem saber
Trazem um mundo de ruínas
Começam a fazer rapinas
Fugindo do seu dever.

É fácil se conhecer
Basta prestar atenção
São dos que usam o dinheiro
Só para comprar mansão
Da cidade sempre esquecem
E depois só aparecem
Na hora de nova eleição.

No momento em que aparecem
Procurando nos enganar
Veem um pobre pela rua
Vem correndo abraçar
Aí que está o perigo
Tenha cuidado meu amigo
E saiba em quem vai votar.

Pode colocar na mente
Com toda maturidade
Prepare seu alicerce
Cuidado com tempestade
Não siga por aventura
Pois tem gente que procura
Desdenhar nossa cidade.

Pra quem pensa no progresso
Trabalho e manutenção
Através dessa leitura
Dou-lhe uma sugestão
Cuidado com o perigo
Abra os olhos meu amigo
Na hora da votação.

Não vote num candidato
Que só vem atrapalhar
Quando passa as eleições
Não lembra mais do teu lar

É melhor pedir a Deus
O nosso Pai Criador
Que nos mostre entendimento
Coragem, paz e amor
Que nos dê determinação
Um voto de gratidão
A um homem trabalhador.

Joaquim Araújo da Silva
Gandu /BA 

Ilustração: Claúdio Souza Pinto

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A ÚLTIMA ESTAÇÃO

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Na fila dos desamparados
todos têm cabeça branca
Os ombros são arqueados
Carregam o peso do tempo,
O rosto marcado pelos infortúnios
E os olhos tristes dos abandonados
Ficam ali, na fila, silenciados
Como cordeiros
Escolhidos e separados
para o sacríficio

Djanira Pio

Ilustração: Luis Royo

pm

".. silenciados , como cordeiros ...."

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

AUTORIAS FALSAS


Fábio Rocha
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Até as pixações de poemas pela cidade são falsas autorias… Essa eu descobri através de um amigo que fotografou esse trecho, num muro quase ao lado de onde moro, no Recreio (Rio de Janeiro). A partir daí, fomos pesquisar e confirmamos mais essa autoria trocada.

Não é de Pablo Neruda nem de Fernando Pessoa, como dito em vários sites. O “Pensador”, que tanto combatemos como propagador de autorias erradas, publicou o poema como se fosse de Neruda aqui.

A confusão já estava descoberta também nessa lista enorme de textos com autorias trocadas que acabei descobrindo.

Saiba mais em http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/

Por Fábio Rocha, para "A Magia da Poesia."
http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

SEM PÉ,NEM CABEÇA


"... as consciências se aniquilam...."

images

acizentando o arco-íris
empoeirados afegãos
humilham e matam
americanos prepotentes

indianos rebeldes
com o cogumelo atômico
ameaçam paquistaneses
intransigentes

na indonésia autoritária
derramam sangue
os timorenses, pela liberdade

etnia contra etnia
dizimam-se africanos

palestinos e judeus
por causa de terra,
odeiam-se, lutam, morrem

o mal, a cada instante
enfrenta audaciosamente
o bem, em eterna disputa

as consciências se aniquilam...
contrárias aos mandos de Deus

Lóla Prata
(Bragança Paulista)

nota: poema para ser lido de cima para baixo
e de baixo para cima ..

cr-exibicao-verdade-benevolencia-tolerancia-inocencia

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Rima

"...nada rima nesse mundo..."

madrugada1

Rondo pela noite
Imaginando mil coisas
Meditando sozinho
Até a madrugada

Isto tudo é tão contrário
Medo e coragem
Amor e ódio
Revolta e compreensão

Mas nada rima nesse mundo
Apenas eu e você restávamos
Resto do que o mundo já foi
Intensamente, imensamente, eternamente

Até mesmo nós sucumbimos
Reavaliamos nossa condição
Indiferentes, deixamos de rimar
Menos um casal no mundo

Agora ando sozinho
Meditando noite adentro
Imaginando e esquecendo mil e uma coisas
Rondando até a madrugada

Raimundo Correia    

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Parnasianismo ( final do século XIX e início do século XX )

O parnasianismo buscou os temas clássicos, valorizando o rigor formal e a poesia descritiva. Os autores parnasianos usavam uma linguagem rebuscada, vocabulário culto, temas mitológicos e descrições detalhadas. Diziam que faziam a arte pela arte. Graças a esta postura foram chamados de criadores de uma literatura alienada, pois não retratavam os problemas sociais que ocorriam naquela época. Os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac, Raimundo Correa, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho.

MEMÓRIA DO FANZINE BRASILEIRO

Prezados Amigos!
Memória do Fanzine Brasileiro é um ótimo livro com depoimentos de vários editores de fanzines. A obra foi organizada pelo Mestre dos Fanzines, Edgard Guimarães. Mais informações por e-mail (edgard@ita.br).

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

tem dias que o poema...

5 
tem dias
que o poema
é um voo
que não leva
a lugar nenhum

© Ademir Antonio Bacca
Do livro: “Grito por dentro das palavras”

roubado do blog do amigo Ademir
http://ademirbacca.blogspot.com.br/

ilustração: Rodrigo Bivar