quinta-feira, 7 de agosto de 2014

INTERCÂMBIO - CORRESPONDÊNCIA

No post de hoje, poemas extraídos de alguns dos emails enviados para a redação do Versos Livres. Textos, criticas e sugestões serão benvindos no email touche.sp@uol.com.br

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O PRIMEIRO PASSO DE UM BÍPEDE
Dieter Droos

o primeiro passo de um bi-péde .

só o segundo passo liberta :
com o primeiro
um pé ainda fica preso no passado

dieterroos@yahoo.de

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POETA ABEL B. PEREIRA
Teresinka Pereira

Já não é preciso
chorar nem cantar
seu desencanto.

O sacrificio de seu vôo
sobre a terra não deixou
a página em branco.

Consagrado já era em vivo,
imortal será de agora
em diante
em nossas vozes.

tpereira@buckeye-express.com
(O saudoso poeta Abel Pereira, faleceu em 1 de março de  2011)

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O PASSAGEIRO
Bertolt Brecht 

Quando, há alguns anos
Aprendi a dirigir um carro, meu instrutor
Me fazia fumar um charuto; e quando
Na confusão do tráfego ou em curvas difíceis
O charuto apagava, ele me tirava o volante.

Também contava piadas, e se eu não sorria
Muito ocupado com a direção, afastava-me
Do volante. Eu estava inseguro, dizia ele.
Eu, o passageiro, me apavoro quando vejo
O motorista muito ocupado com a direção.

Desde então, ao trabalhar
Cuido para não ficar absorvido demais no trabalho.
Dou atenção a muitas coisas em volta
Às vezes interrompo o trabalho para Ter uma conversa.
Andar mais rápido do que o que me permite fumar
É algo que já não faço. Penso
No passageiro.

enviado pelo Centro de Estudos Políticos e Culturais CEPEC
www.cepec.org3@gmail.com;

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atuamos-cleo 

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ONIPOTÊNCIA
alaorpoeta

Quando criança brincávamos
de ser gente importante
do mundo dos adultos.
Um dia fui Deus...

Enquanto José erguia cidades
Maria trocava fraldas
eu abobalhava uma formiga
numa caixa de fósforos redonda
azul vista do espaço
e dizia: - Comece a rezar!

Deixava um curto escape
de liberdade. Mas advertia:
- Só quando eu quiser!
Então a formiga, sempre,
porque era formiga
e não sabia o que fazia
desafiava pelo orifício
seu cérebro de saudade
e com olhos de finitude
lograva a consciência
na guilhotina de Deus.

Nunca entendi o despropósito
daqueles seres ínfimos
a corroer minhas dúvidas
porque jamais me deixaram
brincar de ser formiga.

Quando cresci
virei formiga de verdade.

Alaor Tristante Júnior
http://alaorpoeta.blogspot.com.br

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INDIGNAÇÃO
Almandrade

Passatempo ordinário
...
depois a humilhação
vem o envelhecimento
o repouso é inesperado
esterilidade da emoção
provável decadência
...
enfim as incertezas.

linguagemviva@linguagemviva.com.br

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Ilustração: Ekaterina Panikanova,

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