sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A LUA ME DISSE

 aurea.seganfredo.fine.art.lua.dos.amantes.oil.on.canvas._n

Essa madrugada, a lua me sorriu,
com o mesmo sorriso que abres quando me olhas.
Preguiçosa, no céu,
esticou braços invisíveis,
como teus braços,
quando enlaçam meu corpo
envolvendo minha pequena estrutura,
na imensidão do teu peito.
Inquietas,
as pernas se expandiam no firmamento,
procurando, incessante minhas pernas,
e num balé esquisito, pareciam dançar.
Sorriso no rosto redondo,
braços e pernas,
perdidos na imensidão dos pensamentos,
na minha memória remota,
na minha memória recente,
a confundir meus pensamentes,
a fundir os corpos,
misturando realidade e fantasia,
alimentando o desejo incessante,
que não descola.
A lua, permanecia em seu lugar,
imóvel aos meus olhos,
mas articulada em meus pensamentos,
perdidos em você.

Valentina Fraga

Ilustração:  Auréa Seganfredo , A Lua dos Amantes
http://aureaseganfredo.blogspot.com.br/

Confira os textos da grande Valentina Fraga, publicados no site Usina de Letras, entre eles,  artigos, cartas, contos, crônicas, ensaios, erótico,frases, humor, letras de música ,poesias , textos religiosos, em
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=valentina

e no blog Valentina Fraga, Contos e Poesia , http://valentinafraga.blogspot.com.br/

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

TROVA Nº 069

 Imagem 2806

A dor física, doutor,
facilmente se suporta.
Mas uma tal "dor de amor",
nem anestesia corta.

Pedro Giusti

in: http://pedrogiusti.blogspot.com.br

Ilustração: Luiz Pinto, "Cadeira azul"

domingo, 5 de outubro de 2014

NEON

1463976_1419181414983082_2074880591_n

Silêncio!...
Esse fosso selado
Reconduz
A plenos pulmões
Ao lado esquerdo
Que azul, azul
Sobrevoa a vertigem:
Escrutínio equânime,
Ladeira íngreme
Escarolando a interna turquesa.

Unidade totalitária:
Sanguessuga que emana
Do imo,
Entorpecente argúcia
Que me fala ainda mais límpida
Na luz cor de aço,
Flutuando,
Ampliado de minúcias.

Meus estilhaços:
Percepções sensoriais e fluxos,
Rubro-negros algodões cinzentos,
São como sombras entalhadas nas rochas
Submersas no redemoinho da memória
Para sempre emergindo lucernas.

Adriana Manarelli

Ilustração: José Silva - "Estilhaços"

Outros poemas de Adriana Manarelli podem ser encontrados no blog do meu amigo Everi Carrara , escritor e advogado de Araçatuba/SP - http://jornaltelescopio.blogspot.com/

-