sexta-feira, 24 de junho de 2016

REGRESSO

Para M.E.

Regresso a Lisboa

Eu regressei para os braços de alguém que me ama
Cozinhei polentas bem amarelinhas e crocantes
E servimos cerveja e ligamos o rádio para ouvir música
Uma luz fina e linda entrava pela janela e era a última

luz do crepúsculo.
Contamos piadas antigas e rimos da mesma maneira jovial de

sempre.
Nossos dedos e nossas bocas estavam engordurados
Mesmo assim nos beijamos e deixamos um pouco de cerveja

nos copos
antes de irmos para a cama.
Dormimos juntos com o gato siamês, que também era amarelo

como as polentas
Desta vez ligamos a televisão, mas logo desligamos e
voltamos a nos envolver no novelo do amor
O frio começou a entrar pela janela,
mas permanecemos despidos, principalmente nossos espíritos

estavam despidos.
Tudo ficou branco repentinamente
e nossos corpos pareciam sorvetes de morango.
Era o amor no inverno, era a última estação de nossas

vidas.
Arrumamos os cobertores e ficamos embaixo, dando beijos de

língua
Eu não sabia o que estava acontecendo
Eu apenas regressei para os braços de quem me ama
A casa ficou bagunçada; o telefone tocou, mas ninguém

atendeu
Não tínhamos mais tempo.
Alguém apagou a luz. Foi a noite que entrou e nos

encontrou
silenciosamente atirados, um nos braços do outro.
- Boa noite, querida. O anjo limpou a casa por nós...

P.M.

Paulo Mohylovski

http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=72420

https://www.facebook.com/paulo.mohylovski

Ilustração: António Tapadinhas

Um comentário:

  1. Lindo poema !! gosto muito do teu blog..nem sempre posso coment ar,mas estou sempre acompanhando,,tudo de bomm

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