terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

UMA JOVEM

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Há poucos dias, vi uma jovem, no alpendre de uma casa, entretida na leitura de um livro. Alheara-se do mundo à sua volta, sempre lendo. Como que toda a sua vida lhe subira aos olhos, e estes iam devorando as linhas impressas, velozmente, sofregamente, página sobre página.

Aproximei-me, curioso. Que estaria lendo com tanto interesse, horas e horas, longe de tudo? Poesia não podia ser: verso não dá ansiedade. Dá êxtase, olhos esquecidos no ar, por cima do texto. Romance policial? Uma biografia? Uma peça de teatro?

Perguntei-lhe. Ela chegou primeiro ao fim da página, virou depressa a folha. E mostrando a folha de rosto do livro. Um romance. É assim que eu desejo ser lido. Só quero essa ansiedade, esse interesse, essa emoção. Para dizer comigo antecipadamente, que sou grato a Deus por me ter feito romancista.

Josué Montello
in :Diário da Tarde  / p.386  /
https://amorasazuis.com/type/image/page/17/

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Josué Montello (J. de Souza M.), jornalista, professor, romancista, cronista, ensaísta, historiador, orador, teatrólogo e memorialista, nasceu em São Luís do Maranhão a 21 de agosto de 1917, onde passou sua infância e juventude. No começo de 1936, mudou-se para Belém, dali saindo com destino ao Rio de Janeiro, em dezembro do mesmo ano.

Morou
também no Peru de 1953 a 1955, como Catedrático Honorário da Universidade Maior de São Marcos, de Lima;

Quase toda sua obra literária traz a marca da inspiração e da cultura maranhense.

Foi agraciado com 12 prêmios literários, um Fardão de Imortal da Academia Brasileira de Letras, no dia 4 de julho de 1955, ocupando a cadeira nº. 29, Membro da Academia Maranhense de Letras desde 1948 e sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.

Acumulou uma coleção de títulos e funções entre eles o de Reitor da Universidade Federal do Maranhão. Foi considerado um clássico de nossa literatura com muitos livros traduzidos no exterior, bem como versões cinematográficas de duas de suas novelas.

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A obra literária de Josué Montello eleva-se a 160 títulos em vários gêneros, entre eles: romances, ensaios, crônicas, história, história literária, discursos, antologias, educação, novelas, teatro, biblioteconomia, literatura infantil e juvenil, memórias, prefácios, edições para cegos e cinema. Foi colaborador do Jornal do Brasil e também da Revista Manchete.

Ocupou o cargo de presidente da Academia Brasileira de Letras, eleito em 09 de dezembro de 1993, onde tomou posse no dia 16 de dezembro permanecendo até dezembro de 1995.

Faleceu em 15 de março de 2006, aos 88 anos no Rio de Janeiro, onde vivia. Seu corpo está enterrado no cemitério São João Batista, naquela capital.(http://www.cultura.ma.gov.br/portal/ccjm/index.php?page=biografia)

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Ilustração :” Mãe e filha lendo”. Jacoba (Espanha, contemporânea) óleo sobre tela |

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