sábado, 29 de julho de 2017

ESTRELAS - FRANCISCO CARVALHO


No post de hoje, mais um poema  com o tema "estrelas", um poema de Francisco Carvalho. Para ele, uma nuvem é  " a vertigem da estrela na escuridão". Saiba mais lendo o seu poema "Taça de Nuvem"
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TAÇAS DE NUVEM
















Uma nuvem pode ser uma taça. Uma         
torre de espuma. Um pássaro
de cambrais. Uma ovelha a procura
de lã. Uma cabra de leite. Um cavalo
árabe. Uma égua de crinas de veludo que
amamenta as crias do vento.
O mugido de uma vaga na tarde.     
Um barco onde pusam gaivotas histéricas.
A vertigem da estrela na escuridão.
O salto da pantera cor-de-rosa.
O umbigo de vidro das anpolas de ópio.
A indiferença dos mortos em seus aposentos
de areia. A mortalha de ouro da múmia
do rei. A corda que acaricia o colarinho da
forca. O sexo de veludo entre barris de vinho.
A sopa no prato de prata para as moscas.
as portas que se fecham e abrem.
Os banquetes noturnos para prostitutas
que se divertem num pântano
onde se afogam estrelas apagadas.

Francisco Carvalho
(Esquinas do tempo).
in: Binóculo, Fortaleza, edição 169                 
editado por Dias da Silva e Batista Lima
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Francisco Carvalho (1927-2013) foi um escritor e poeta brasileiro Prêmio Nestlé de Literatura em 1982, com Quadrante Solar.
Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro em 1997, com Girassóis de Barro.
Comenda Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Câmara Municipal de Russas (2006).
Prêmio Francisco Carvalho de Poesia, Casa dos Amigos de Russas (2008-2009).
Membro da Academia Cearense de Letras

O maior destaque na mídia cultural talvez tenha sido dado em 2004, quando o cantor e compositor Raimundo Fagner, conterrâneo de Francisco Carvalho, musicou cinco poemas dele (“O Bicho Homem”, “Esse Touro Vale Ouro”, “Cesta Básica”, “Reino” e “Minueto da Porta”) e incluiu as canções, algumas inclusive em ritmo de samba e rap, no CD “Donos do Brasil”. E o destaque aumentou com o lançamento, no mesmo ano, do livro “Memórias do Espantalho - Poemas Escolhidos”, antologia da obra do poeta cearense.

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