Tempo é de colheita
Sei na pele a herança
De bocas amordaçadas
De quintais proibidos
De flores enterradas
De filhos sumidos
Misturados aos denso
-escuro- sangue
Das feridas,ainda abertas
Nos subterrâneos da mãe amada
Tempo é de amar
Desesperadamente,a busca
da palavra mais perfeita
Onde a alma se salve
E as cinzas dos dias
Na inatingível beleza, se dilua
Tempo é de expressar o inexpressável
Lá vou eu, março
Das casas brancas sob sombras
Dos bois ruminando no campo
De alguém visitando lembranças
Lá vou eu, março
Que é só da fonte
que tu precisas
E,duras pouco,
Só o tempo breve
de recolher escombros,
alimentar moinhos
Larí Franceschetto
(jornal A Voz, nº 129)
Ilustração: Luiz Pinto
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