Neste blog estou disponibilizando todas as edições do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, São Paulo, cujo objetivo é a divulgação de poesias.
VERSOS LIVRES nº 02
EDITORIAL
ILUSTRES :
Estamos aqui com o segundo número do “versos”. E tivemos uma boa repercussão. Como pedir não custa nada, pedimos que mandem selos para que possamos aumentar nossa divulgação. Continuamos abertos à colaborações. Em todo o trabalho, entendemos que o mais importante é o primeiro passo. E esse é o nosso segundo degrau.. ( TOUCHÉ )
SONHOS
Isabel Borazanian
Guarulhos – SP
São lanças
lançadas
Querendo beijar
um pedaço do céu.
São formas
fincadas
plantadas no chão.
São sonhos
se armando
em segredos de paixão
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GUARULHOS, 20 ANOS
Pedro Jorge
Cidade que eu vi crescer uma geração inteira,
desde os tempos de colégio.
Quanto tempo passou !
A garotada cresceu e foi cada um pro seu canto.
Muita coisa mudou, mas continua provinciana.
Ninguém foi realmente embora.
Quem não lembra de quem e quem não conhece quem ?
Cidade provinciana de relações provincianas.
Guarulhos, para mim,
é uma Igreja no centro que já foi diferente.
É um colégio de padres que já não é de padres.
A Dom Pedro e Sete :
Uma rua que desce outra que sobe,
uma grande ladeira que me leva prá casa.
E uma estação de subúrbio que se transformou numa praça,
onde me sento prá fumar.
Guarulhos, é isso :
uma cidade. um subúrbio
Um monte de preconceitos e de tramas secretas.
E um amontoado de pessoas vazias.que me olham.
Guarulhos para mim é tudo :
o primeiro baile, o primeiro amor, o primeiro porre.
Os amigos que perdi, os amigos que ganhei
a poesia e a perdição.
Guarulhos está no meu sangue, é meu passado,
é meu presente, meu ódio e meu amor.
A vontade de fugir .A vontade de ficar
Guarulhos é isso :
Um símbolo na minha vida..
Uma página em branco
onde escrevi minha história.
“Pedro Jorge é ilustrador e poeta, participou do show Amostra Grátis, no auditório Guimarães Rosa e da Semana Cultural das Faculdades Farias Brito.Seu primeiro livro de poesias trazia ilustrações do próprio Pedro Jorge, ligando-se mais ao trabalho da visão urbana, das coisas da cidade grande “ ( Texto extraído do jornal Folha Metropolitana, caderno Folha Literária, coordenação de Onofre Leite )
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net/arch2004-06-01_2004-06-30.html
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QUASE ECOLÓGICA
Touché
Plantaram nessa terra
Uma frondosa árvore
Que se chama Ignorância
Que todo dia,
Os artistas,
Os estudantes
E os operários
Vão regar
Com o suor de seus rostos
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net
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JIMMY HENDRIX
José Alaércio
Seus dedos negros e ágeis deslizavam naquele mar
Imenso de cordas a procura de um éden
Seu limite e desesperadamente
Corriam como um caran-
guejo acuado e
o fim não
havia
só
cordas ligadas com fios espelhados por toda parte
E nelas ele se mesclava se emaranhava se
eletrizava e seu corpo adquiria o
mesmo gingo mágico de seus
dedos que traziam cada
toque com a força
de um raio que
explodia os
acordes e
sua gui
tarra
como
ele
tomava forma humana e gritava e chorava e ria até
chegar em pleno orgasmo e depois penetrava
num êxtase profundo e como uma pluma va
gava pelos prados da delícia...mas
de repente sem que sua própria
mente percebesse aqueles dedos inquietantes eletrizavam tudo,
novamente querendo outros limites e navegavam furiosos
fazendo aquele instrumento entre gritos e choros
dizer ao mundo toda a incerteza
de uma geração...
e foi numa força cósmica que ao mergulhar no seu mundo ele
encontrou seu limite ilimitado e nos restou então
só um adeus...
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OS SONHOS
Rubens de Oliveira Santos
Os sonhos se perdem na hora da realidade.
Os sonhos morrem na visão da verdade.
É tão triste ver tudo se acabar
É tão triste ver o que a gente quer
Não se realizar..
Os sonhos vão deixando de ocupar espaço
Os sonhos das artérias, das veias, dos nervos de aço
É tão triste ver a moléstia
É tão triste ver os mefistófeles sem justiça
Os sonhos voam na imaginação
Os sonhos dos diversos sem nexo, sem sexo,
sem aterrisão...
É tão triste ter subordinação
É tão triste se fazer acepção
Os sonhos correm pela estrada infinita
Os sonhos dos avós, dos pais
Dos tios, filhos e do artista..
É tão triste ver nada se criar
Da maneira que a gente se fez planejar..
Os sonhos navegam no imenso mar..
Os sonhos da imagem do sol no céu do luar..
É tão triste ver tudo se acabar
É tão triste ver o que a gente quer
não se realizar....
Guarulhos - SP
Vencedor do Concurso Alternativo de Poesia, elaborado por Anita Costa Prado.
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