Neste blog estou disponibilizando o conteúdo do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos. No post de hoje, mais alguns textos publicados na edição nº 21.
POEMA
Cecília Fidelli
revestir-me de versos
e desfilar sentimentos :
conflitos no papel
resíduos de mim
( in "Cores da Alma" )
http://ceciliafidelli.blogueiros.net
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REVERBERAÇÃO
Lya Luft
O destino trama os dias
e desfaz o sonho: demarca
meus contornos, partes
disso que sou e serei.
Quem sabe desejei demais:
milagres não me bastaram,
mas quando eu quis ser rainha
fui simplesmente humana.
A voz da vida insiste,
chama para o que salva
ou desatina:
nem sempre a entendi.
Palavras buscam sentido
para o que fiz, falhei,
conquistei e perdi
- ou que me abandonou
nalguma esquina.
(Talvez eu precisasse é dos silêncios.)
http://lica.spaceblog.com.br/r10704/Lya-Luft/
TROVA
Henny Kropf
A juventude passou
como uma flor em botão
que só pétalas deixou
murchas no meu coração
Henny é de Cantagalo, Rio de Janeiro. Mais informações em Http://www.poetas.capixabas.nom.br/Poetas/detail.asp?poeta=HennyKropf
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HETERÔNIMO ÉDIPO
Piaza Merigue da Cunha
Palavras soltas no tempo
vampiras negras, servas do amanhã
Poemas loucos
metalinguisticamente sós,
senhores da noite,
deuses de um amanhã incerto e cruel,
catedrais brancas
que Alphonsus não poderia imaginar
emoções que perderam-se eternamente
cérebros e almas mortas
por todos nós,animais.
Palavras são demônios
lendas,
mas lendas não morrem
nós,homens e cães
sim !
Poesia succubus,
mulher perfeita,
pesadelo que os homens rejeitam.
Palavras...
tudo é escuridão e só Édipo
conhece os demônios do espírito
mas Leena conhece a poesia branca
do sol roubado
pelos olhos do lince.
(in "Antologia Del'Secchi - organização Roberto de Castro Del'Secchi - Editora Del'Secchi - R. Profª Nina Berger Gonçalves,180 - Bairro JK- Vassouras- RJ CEP 27700.000 - F. (24)2471.1952) - http://delsecchiantologia.blogspot.com )
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SEM TÍTULO
Ferreira Gullar
São coisas,todas elas,
cotidianas,como bocas
e mãos, sonhos,greves,
denúncias,
acidentes do trabalho e do amor.
Coisas de que falam os jornais,
às vezes rudes,
às vezes tão escuras
que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
Mas é nelas que te vejo pulsando,
mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança
http://www.revista.agulha.nom.br/gula.html
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FELIZ ANO NOVO !!!
Como diz o poema do Gullar, desejo a todos um Ano Novo , em um mundo realmente novo, "ainda em estado de soluços e esperança ". Desejo a todos muita prosperidade, sabendo, como diz Camilo Castelo Branco, "que os dias prósperos não vêm do acaso; são granjeados, como as saaras, a muita fadiga e com muitos intervalos de desalentos."