Neste blog estou disponibilizando o conteúdo do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos. No post de hoje, mais alguns textos publicados na edição nº 21.
SÓ JESUS
Adriana Ribeiro Vieira
Jesus sempre me escuta
quando eu reconheço
que não mereço
ter a sua misericórdia.
Pois, por minha culpa
muitas vezes há discórdia.
Jesus cura cada ferida
que surge no meu coração
pelos tombos da vida
e faz com que conceda o perdão
para qualquer ofensor.
Jesus não me deixa na escuridão
e com todo o seu amor
como uma luz ele abre a porta
Iluminando a resposta certa
para a minha vitória
nas horas que de joelhos
oro por seus conselhos.
Jesus tem por mim compaixão
e mesmo que o meu corpo
termine num caixão
Já derramou o seu sangue
para que a minha alma
receba a salvação.
Adriana é de Poá, RS. http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/1071534
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LEMINISKIANOS
Larí Franceschetto
Ao poeta Paulo Leminski
Enquanto, teu corpo mergulhava becos
A pá(lavra) te pintou estrelas
Deixando-te aceso
Depois da obesa noite de venenos.
Enquanto, o dia andava
o mesmo dia te salvou
morrendo.
Curitiba- aguardante- água rasa
Deixou no ar um porquê
De tanta sede
Afogada
Os cães latem mais de madrugada
Os poetas sangram a qualquer hora
O premiado poeta Larí é de Veranópolis, RS .
http://www.emersonmaciel.com.br/2009/02/poeta-lari-franceschetto.html
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ESPERANÇA OU MORTE ?
Dalva Meirelles
Sob céus diferentes
mas feitos da mesma massa.
Meu chão é verde,
o seu é vermelho.
Meu verde é esperança
de ver triunfar no mundo
o amor altruísta
que abraça todas as pátrias
Seu vermelho é o sangue
dos inocentes...
Derramados pelo domínio
e posse de riquezas.
Um dia, se você ganhar
terá o ouro
para queimar-lhes as mãos
Mas se o amor triunfar
teremos o verde
para salvar o mundo !
Dalva é da cidade de Cascadura, RJ . http://www.joaodorio.com/site/index.php?option=content&task=view&id=379
DAS COISAS E DOS SERES
Ricardo Alfaya
Um punhado de tinta vira um quadro
Do barro se ergue um homem
enquanto outro cai e vira fera
Num susto uma criança cresce
termina busto de bronze no meio da praça
Um ventilador se modifica em vento
e se não abuso do invento
palavra de nada viram poema de ser
A água endurecida se faz gelo
Se amolece logo se evapora e vai embora
Um bom relógio dá um duro patrão
Uma estátua idolatrada muda em santo
O santo se transforma em marca de sapólio
ou quem sabe até seu nome batize
uma nave para Marte
Da terra tudo parte
(in "Rios") Ricardo Alfaya é do Rio de Janeiro . Saiba mais em http://www.gargantadaserpente.com/entrevista/ricardoalfaya.shtml
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POEMA
Glenda Maier
Não há justiça nem dogma -
Capaz de julgar o fato em si.
Cada ato em nossas vidas
é como uma obra de arte
e só o artista conhece
a verdade.
A poetisa e cronista Glenda também é carioca. Confira a entrevista que ela concedeu ao grande Selmo Vasconcelos em http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2009/11/glenda-maier-entrevista.html
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POR ENTRE OS CÃES POLICIAIS
Octavio Brandão
Lacaios,bacharéis e beleguins,
Tremei ! Há de surgir a Claridade
Nosso clamor sonoro de clarins
Anuncia o clarão da Liberdade.
Sofro.Mas,transformando cada grito,
Cada soluço que minha alma solta,
- Num duelo varonil contra o Infinito,
Num bradar de Energia e de Revolta !
(Corpo de Segurança- Polícia Central do Rio de Janeiro
25/03/1920 - preso por ter sido considerado "prejudicial
à tranquilidade pública"- isto é, à malandrice e à gatunagem burguesa) (in "Poesia - Laura e Octavio) gentilmente enviado por Dionysa Brandão Rocha. Saiba mais sobre o combativo Octavio Brandão em http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=344&rv=Literatura