segunda-feira, 16 de maio de 2011

VERSOS LIVRES # 18 - PARTE QUATRO

No post de hoje, poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, edição 18 .  Deixo ainda um link para as correspondências recebidas, mencionadas no meu outro blog, Poetas de Guarulhos e Outros Versos.

VERSOS 18

DEUS TV
Jacy Gê de Almeida

Fica-se ali
horas a fio
em sublime
contemplação.

Somos nós
diante da
Televisão

do jornal Cultural Ação Poesia - http://acaopoesia.vilabol.uol.com.br/

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MOCIDADE
Gregório de Matos

Goza, goza da flor
da mocidade,
Que o tempo trata a toda a ligeireza,
e imprime em toda a flor sua pisada.
Ó não aguardes,
Que a madura idade,
te converta essa flor,
Essa beleza,
Em terra, em cinza , em pó , em sombra, em nada

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DO SOL AO SUL
Silvério R. da Costa

Do sol
ao sul
         de mim
         há um abismo
de mar
e    sal
          um mar salgado
          cheio de medo
          Um mar encapelado
onde mora  o meu segredo.

Silvério é de  Chapecó/ SC . Confira essa deliciosa CRÔNICA  de Nelson Hoffman que fala sobre o poeta .. 

ltinta bico de pena 1990

POEMETO I
Almir de Carvalho Filho

Diminuto é o poema, 
onde eu traço o meu destino,
a bico de pena.

O amigo Almir é de Campo Grande/RJ. Saiba mais sobre ele,visitando o seu blog no endereço  http://carpediemvivaavida.blogspot.com

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QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES
Taiguara

O tempo passa e atravessa as avenidas
E o fruto cresce, pesa e enverga o velho pé
E o vento forte quebra as telhas e vidraças
E o livro sábio deixa em branco o que não é

Pode não ser essa mulher o que te falta
Pode não ser esse calor o que faz mal
Pode não ser essa gravata o que sufoca
Ou essa falta de dinheiro que é fatal

Vê como um fogo brando funde um ferro duro
Vê como o asfalto é teu jardim se você crê
Que há sol nascente avermelhando o céu escuro
Chamando os homens pro seu tempo de viver

E que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor
E que o passado abra os presentes pro futuro
Que não dormiu e preparou o amanhecer...

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CORRESPONDÊNCIAS RECEBIDAS

As correspondências enviadas para a redação do Versos Livres, podem ser conferidas e comentadas no meu outro blog;, AQUI - 

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QUE AS CRIANÇAS CANTEM LIVRES  

sábado, 14 de maio de 2011

VERSOS LIVRES # 18 - PARTE SEIS

No post de hoje, poemas de Adriana Manarelli, poetisa da cidade de Araçatuba, SP ; de Cecília Fidelli, do blog Reviragita Poesia e poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, edição 18

VERSOS 18 


FRAGMENTO


Vera de Barcellos


"..ensine outros a sorrir
esta é a lição da vida
com alegria sorria
as estrelas sorriem
piscando..piscando.."



Belo Horizonte - MG


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POÉTICA

Vinícius de Moraes


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

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SENTINDO A VIDA

Manoel Gomes

Um destino
coroado pelo ritual da vida,
Um momento
desencadeado
pela liberdade,
Um amanhã,
rumo ao nascimento
da alma,
Uma luta,
desencarnada, límpida,
Um combate,
sem mudar as causas,
Liberdade,
a conquista das horas,
a realidade estampada,
Um conhecimento,
adornar a sabedoria
como arma

http://gdesgomes.blogspot.com/
amar
POETRIX
Ivone Vebber

Amar
é desarmar
- se


Além de escritora,Ivone  é astrológa e editora do fanzine  "Entre Amigos" , premiado com o Troféu Capital. Saiba mais em
http://blog.clickgratis.com.br/bigrendaextra

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TROVA
Jairo de Mattos

O lápis foi a herança
o exemplo, o pivô,
alegria e esperança,
lembram sempre o avô !..

Jairo é editor do jornal  "O Grilo" , de  Jundiaí - SP
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CEIA
poetisa 
Adriana Manarelli
Seis concavidades amarelas
No semblante fosco —
E o reflexo velado, salgado e gélido,
Sem cor, transcende
No sétimo circuito, centro
Do círculo embaciado.

Mensagem entrançada nas artérias,
Pétala negra,
Pétala azul,
Minhas entranhas
Se estreitam
Bem fundo:
Um racemo de orvalho.
Essa noite

Em que os astros
Se entrelaçam,
Meus querubins em sangue
Guardam minhas veias
E velam por minha respiração
Quando meus dogmas aurinegros cantam
As espirais que serpentiam
Prata e vermelho.
A cordélia alva dispara
O míssil anil perene.

Confira outros poemas de Adriana, no blog de Everi Carrara :  http://jornaltelescopio.blogspot.com
-
PENSA RÁPIDO Cecília Fidelli
Razões.
Quem tiver ouvidos pra ouvir,
que as ouçam.
Sonhos e ilusões.
Quem tiver coração,
que acolha.

http://ceciliafidelli.blogspot.com/

quinta-feira, 12 de maio de 2011

VERSOS LIVRES # 18 - PARTE TRES

No post de hoje, poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, edição 18. E, de quebra  , um poema de Eliane Alcantara.  

- VERSOS 18

ENGRENAGEM
Bruno Candéas

Poesia
Não se entorna
se transforma.
Não se copia
cria– se.
Tem dedos nos pés
prá caminhar
na linha
sem desequilibrar.
Poesia é máquina
e pulsação.

Extraído do livro “Férias do Gueto”. Saiba mais em http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=1191
brunocandeas@bol.com.br

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CÂNTICO II
Laércio Zaramella

O Espírito de Deus
soprou forte sobre a vida.
O estático se mexeu,
a Terra movimentou-se
em função dos feitos Divinos..

E paira sobre ela até hoje
o sopro Divino ;
que é eterno !!

Laércio é de Presidente Prudente, SP. Sempre colaborou com o Versos Livres, com poemas informações culturais e um braço amigo. 

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SILÊNCIO
Marcela Vieira

o silêncio da noite
me faz chorar
vendi a minha alma
por tão pouco
e agora algo morreu em mim
a solidão invadiu todo o lugar
o que se esconde neste vazio ?

Extraído do fanzine "Lady Of The Flowers" . Endereço para correspondência :  R. Gotaru Suzuki, 131 - 06765.140 - Taboão da Serra - SP

Adiar-sentidos-de-vida-por-conjugar

ILUSÃO
Aila Magalhães

levar a vida
a conjugar o futuro
do pretérito

http://nossaspalavras.blig.ig.com.br
http://tamarindeiros.blig.ig.com.br

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JARDINEIRO
Marina de Fátima Dias

Quisera eu ter tal poder
de seduzir-te por inteiro..
Ser a flor do teu jardim
Fazer de ti meu jardineiro

(in- memoriam). A saudosa Marina de Fátima Dias, era do Mato Grosso do Sul e uma das mais ativas participantes da imprensa alternativa, tendo colaborado com diversas publicações. Ainda coordenou uma antologia poética e mantinha correspondência com pessoas do Brasil inteiro. Marina ocupa  a Cadeira nº 11, da Academia Momento Litero Cultural, criada pelo jornalista e amigo Selmo Vasconcelos .

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ÓTICA
Eliane Alcântara.

De tão clara
A luz se fez Poesia
E as trevas
Intervalo dos meus olhos
Desenharam o Poema
Para que a vida
Tivesse filhos
E em mim
Os versos que gritam
Não fossem órfãos.

http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br

segunda-feira, 9 de maio de 2011

VERSOS LIVRES # 18 - PARTE DOIS

No post de hoje, poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, e ainda o auxílio luxuoso de Nilto Maciel e Octavio Paz. 
VERSOS 18

ANGELICAL
Idalina de Carvalho

Angelical
Aquele vôo de
querubim
ameaçava
tridentes
e fogo
no ar

Extraído do jornal  "Correio de Poesia". R. Dr. José Maia, nº 31 - Cidade do Funcionário 1 - 58078-100 - João Pessoa - Paraíba . Saiba mais sobre a mineira Idalina , aqui,no site do RECANTO DAS LETRAS -

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ELO
Fátima Segatto

Elo
Elos passageiros
elos definitivos.
Conquisto e preservo
todos os elos sólidos
que formam a corrente
da minha vida.

Além de professora e escritora, Fátima organiza o projeto " Conquistando Mais Amizades Do Que Solidão ",com lançamentos de antologias cooperativadas. Mais informações através do endereço  Av. N.S.Medianeira, 2017/04 - Centro - Santa Maria - RS - 97060.001

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MACEIÓ
Ari Lins Pedrosa

Maceió
É uma aquarela,
onde o verde e o azul
dão o tom.
Tom da beleza natural.
Assim é este paraíso
das águas. 
Onde afogo
minhas mágoas

http://varejosortido.blogspot.com/2008/01/poetas-alagoanos.html

mulher_arco_iris_da_silvia

A VÉSPERA DO SONO
Rossyr Berny

o arco-íris
e seus sete corpos coloridos
são sete vidas tuas
em minhas mãos atônitas
eu
sete mil arco-íris
em tua boca que me beija

Extraído do jornal O Mundo Mágico da Poesia VI - Suplemento 1 - RS Letras - coordenação :  Viviane  Balau - R. Gedeon Leite, 99 -F-Belém Novo - Porto Alegre /RS - 91787-770
jobalau@terra.com.br 

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PEQUENO SERMÃO DA MONTANHA
Nilto Maciel

Enquanto esfrego um olho,
o diabo se apodera do outro.
No palco, o pastor exige dízimos,
aos berros:
deem-me seus míseros teres,
que Jesus vos dará em troca
o dobro, o triplo, mil vezes mil.
Os cacarecos levados pelas demolições,
pelas enchentes, pelos tsunamis
(“cada tauba que caía doía no coração”),
voltarão luzidios, em forma de mansões.
E todos vós estareis no paraíso.
Esfrego o olho perdido.
“Deus dá o frio conforme o cobertor.”

http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/

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NOITE EM CLARO
Octavio Paz

Aos poetas André Breton
e Benjamin Péret

Às dez da noite no Café da Inglaterra
além de nós três
                          não havia mais ninguém
ouvia-se lá fora o passo úmido do outono
passos de gigante cego
passos de bosque chegando à cidade
Com mil braços com mil pés de neblina
cara de névoa homem sem cara
o outono caminhava rumo ao centro de Paris
com seguros passos de cego
As pessoas caminhavam pela grande avenida
algumas com gesto furtivo arrancavam seu rosto
Uma prostituta bela como uma papisa
atravessou a rua e desapareceu em um muro esverdeado
A parede voltou a fechar-se
Tudo é porta
Basta a leve pressão de um pensamento
Algo se prepara
          disse um de nós
Abriu-se o minuto em dois
li signos na testa desse instante
Os vivos estão vivos
andam voam amadurecem explodem
os mortos estão vivos
oh ossos ainda com febre
o vento os agita os dispersa
cachos que caem entre as pernas da noite
A cidade se abre como um coração
como um figo a flor que é fruto
mais desejo que encarnação
encarnação do desejo
Algo se prepara
                        disse o poeta

Extraído do site  Agulha, revista de cultura -
http://www.jornaldepoesia.jor.br/agportal.htm

sábado, 30 de abril de 2011

VERSOS LIVRES # 19 - PARTE CINCO

No post de hoje , alguns poemas publicados no fanzine Versos Livres, edição 19 . Na saideira,  um poema da sensual Eliane Alcantara. 

Sem título

SEM TÍTULO
Cecília Fidelli

A saudade,
ante a eternidade
é um espaço de minutos.
Quando nossos olhos se
encontrarem outra vez
teremos vencido a distância
e alcançado a eternidade.

(in "Coisa Nossa", ed. opção2 )
Cecília é de Itanhaem, SP e referência na cena alternativa. Seus poemas estão disponíveis em 
http://ceciliafidelli.blogspot.com

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ENCANTOS E DESENCANTOS
Rosemary Lopes Pereira

" .. Manhã de inverno. De um lado a carência. Do    outro a opulência. Não é esmola. É uma atitude. Em defesa do irmão. .. Carência de   agasalho. Que  aqueça o    coração. Quisera apagar o cinza. Pintar de azul o rosto da manhã. ...Convidar a   ternura. A coragem de ser justo.... E descobrir nesse burburinho. De idéias e    sedução. O verdadeiro sentido da vida. Dentro do projeto do Criador. "

( trecho) : in " Radar “ -  caixa postal 601 - Apucarana– PR - 86800-970

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FRAGMENTO
Luís de Camões

De amor e seus danos
Me fiz lavrador ;
Semeava amor
E colhia enganos

-

mulher no barco ao por do sol

MATINAL
Emílio Moura

Sobre as ondas mansas
brincam os barcos.
Diante dos meus olhos
matinais, as coisas
se ordenam simples
e perfeitas : o céu, 
o mar, teu corpo.

Ah , o teu corpo !

Meus olhos brincam
sobre o teu corpo
Nenhuma nuvem
na minha alma

-

PORTA DO CAVALO
Sammis Reachers

Eu sonhei com uma Porta
por onde, em eu passando,
Ela segurava ( em  suas
malhas de amor)
todos os meus erros, cada encarniçado pecado.

Eu sonhei uma Porta
- e ela agora é -
que me cortasse
as correntes
à todas as âncoras

Sammis é de São Gonçalo, RJ.  Esse poema foi extraído da sua publicação " Portas de Jerusalém ". Segundo um artigo do Pastor José Valente, no Recanto das Letras, a Porta dos Cavalos é assim explicada :  “Desde a porta dos cavalos repararam os sacerdotes, cada um defronte da sua casa”(A Porta dos Cavalos (Ne 3.28). Naqueles dias, os cavalos eram peças essenciais nas guerras, sem os quais os carros  não poderiam andar. Os cavalos simbolizavam as guerras, as batalhas, as lutas, enfim, as conquistas dos povos! .  Espiritualmente, traz-nos à lembrança o imensurável amor de Deus que deu o seu unigênito Filho para levar sobre si as nossas cargas de pecado, de doenças, de possessões (Jo 3.16 e Is 53.4)."

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FRAGMENTO
Ferreira Gullar

A palavra erguida
vigia
acima das fomes
o terreno ganho.

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PASSA (O) TEMPO

eternidade
Eliane Alcântara.

Trabalhei um pensamento
Para criar um instante
Que me fosse eterno.

De nada serviu tanto empenho
Se quando desisti
Descobri no silêncio:

A eternidade das coisas
Não dura mais
Que o atual momento.

http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br/

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terça-feira, 26 de abril de 2011

VERSOS LIVRES # 19 - PARTE QUATRO

No post de hoje , alguns poemas publicados no fanzine Versos Livres, edição 19 . E ainda poemas de Adriana Manarelli  e de Adão Wons. 

Sem título

CALE-SE E AME
Fátima Segatto

Para que falar
se o silêncio diz mais
pelas curvas dos caminhos
dos corredores só de medo
de paredes enegrecidas.
Com pensamentos ausentes
junto a nós anda o mundo
eu, procuro meu espaço
e te perco no labirinto.
Para seguir minha vida
aflita ando a passo
com medo ou covardia
apago minha imagem
do espelho
Com olhos tristes e lúcidos
escondo-me no teu abraço
perdida em minha vida

(do livro “Conquistando Mais Amizades Do Que Solidão IV)
Fátima Segatto edita há muitos anos a coletânea   "Conquistando... ", com participação de escritores de todo o país. Todo mundo que escreve pode participar. Basta enviar uma carta para Fátima, no endereço  Av. N.S.Medianeira, 2017/04 - Centro - Santa M
aria - RS - 97060.001. Mais informações sobre a escritora em
http://www.mensagensvirtuais.xpg.com.br/eu.php?id=66111

PUREZA
Ivone Vebber

Deus não olha
minha aparência
se sou feia ou bonita
se católica ou budista
se fria ou quente
Deus só vê a luz
na minha mente
a qual reverencia
em silêncio
e alegria

A gaúcha Ivone, além de escritora, é astrologa. Editou durante anos o premiado jornal Entre Amigos. Mais informações em  http://blog.clickgratis.com.br/bigrendaextra

*

SEM TÍTULO
Almir de Carvalho Filho

se um pássaro é preso,
qual foi o seu crime ?

http://www.carpediemvivaavida.blogspot.com/

*

mae_negra_g

SEM TÍTULO
Arlindo Nóbrega

mãe,
quem a tem,
a beije .
quem não a tem como eu,
ore hoje e sempre

O paraibano Arlindo Nóbrega, é editor do jornal Literarte-SP e, entre outras atividades culturais, presidente da FEBAC, Federação Brasileira de Alternativos Culturais. Conheça o Literarte em http://jornalliterarte.blogspot.com/

*

ANTI FÍSICA
Touché

teu  amor  ocupa
o espaço . da ausência
dos  meus  sentidos

Touché é de Guarulhos,SP e editor deste blog.
touche.sp@uol.com.br 

*

AR-TESÃO
Marilda Confortim 

tua língua-cinzel 
em riste, restaurando-me .
pietá ! !

http://twitter.com/mipoetrix

*

ESPETÁCULO

img013
Adriana Manarelli

A ousadia, pensava,
Embalava o fim  de uma era.
De repressão e distorção da identidade.
E a oprimida cinzenta
Num interlúdio paradoxal
Desabrochou um embrião corporificado.

Aspiro o puro veículo acumulado,
Rota de fuga singular,
Centro magnético
De perplexa subjetividade.
Esta manhã quero esse gótico
Azul, feito de abóbora de ocre à tarde.
Quero esse apinhado de brocado: noite
Dos olhos de Irina da noite.

De rígidas estruturas passivas
A singular alteridade
Grunhiu espontânea:
A destemida Laélia
No gemedouro do universo.
A terra, os cabelos de açucena,
Os interlúdios de primazia,
O soberbo sol de ébano
Tombando Órion,
Sobre o espaço da verve.

Adriana Manarelli é da cidade de Araçatuba, SP. Outros poemas dela podem ser apreciados no blog Jornal Telescópio, do advogado Everi Carrara, em http://jornaltelescopio.blogspot.com/2011/03/adriana-manarelli.html

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Tudo em mim1
Extraído do blog de Adão Wons
http://adaowons.blogspot.com/
Adão é editor do jornal Coitiporã Cultural 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

VERSOS LIVRES # 18 - PARTE UM

No post de hoje, poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, edição 18  e de Adriana Manarelli, extraído do site Telescópio Negro . Na saideira, um poema meu  . 

VERSOS 18 

AGORA
NÃO MAIS AGORA
Aricy  Curvello

o implacável ardor que é viver
enquanto grassa
tudo o que passa

implacável ardor
que não se cansa
na linha do destino o fogo  dança
o implacável ardor apenas dança
o sonho a cada sonho 
mais informe
a vida mais torta a cada vida
eu te amei mais do que te amava
amor com amor se apaga
outras maçãs outras manhãs
anos enganos
sobre o fio da navalha dança
o vacilante coração do instante

Aricy é referência no poema contemporâneo. Mais informações sobre esse excelente poeta no Jornal da Poesia 
 

-

AOS VÍCIOS
Gregório de Matos

Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil, vícios e enganos.
E bem que os descantei bastantemente,
Canto segunda vez na mesma lira
O mesmo assunto em plectro diferente.

Já sinto que me inflama e que me inspira
Talia, que anjo é da minha guarda
Dês que Apolo mandou que me assistira.
Arda Baiona e todo o mundo arda
Que a quem de profissão falta à verdade
Nunca a dominga das verdades tarda.

Nenhum tempo excetua a cristandade
Ao pobre pegureiro do Parnaso
Para falar em sua liherdade.
A narração há de igualar ao caso
E se talvez acaso o não iguala
Não tenho por poeta o que é Pegaso.

De que pode servir calar quem cala?
Nunca se há de falar o que se sente
Sempre se há de sentir o que se fa1a.
Qual homem pode haver tão paciente,
Que, vendo o triste estado da Bahia
Não chore, não suspire e não lamente?

Isto faz a discreta fantasia:
Discorre em um e outro desconcerto
Condena o roubo, increpa a hipocrisia.
O néscio, o ignorante, o inexperto
Que não elege o bom, nem mau reprova
Por tudo passa deslumbrado e incerto.

E quando vê talvez na doce trova
Louvado o bem e o mal vituperado
A tudo faz focinho, e nada aprova.
Diz logo prudentaço e repousado:
-Fulano é um satírico, é um louco,
De língua má, de coração danado.

Néscio, se disso entendes nada ou pouco,
Como mofas com riso e algazaras
Musas, que estimo ter, quando as invoco.
Se souberas falar, também falaras
Também satirizaras, se souberas
E se foras poeta, poetizaras.

A ignorancia dos homens destas eras
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
Que a mudez canoniza bestas feras.
Há bons, por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não  por não ter dentes.

Quantos há que os telhados têm vidrosos,
E deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receosos?
Uma só natureza nos foi dada
Não criou Deus os naturais diversos;
Um só Adão criou e esse de nada.

Todos somos ruins, todos perversos,
Só nos distingue o vício e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos
Quem maior a tiver do que eu ter pude,
Esse só me censure, esse me note,
Calem-se os mais chitom, e haja saúde.

-

MALANDRAGEM
Cazuza / Frejat

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o ônibus da escola sozinha
Cansada com minhas meias três-quartos
Rezando baixo pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
Que vive dando no meu saco
Quem sabe a vida é não sonhar

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança e não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar

Bobeira é não viver a realidade
E eu ainda tenho uma tarde inteira
Eu ando nas ruas, eu troco um cheque
Muda uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo pra cantar

mulher-escrevendo-no-jardim-pintura-sem-nome-de-autor


SEM TÍTULO
Telma Scherer

nesta faina de escrever
me perco em melodias
em cefaléias vãs
procuro o poema puro
desfaço os feitos
refaço defeitos
procuro o barulho da chuva
desligo o som
alivio a pressão nas têmporas
depois volto na velha teima
e teimo comigo e com outros
que nem sei se lerão
algum dia
faço-desfaço
tento dormir meu sono-verso
mas sempre uma palavra
incomoda
e traz de volta o berço
do rarefeito, no ar .

Extraído do jornal "Vaia", de Porto Alegre, RS. Mais poemas da gaúcha Telma, vocês podem ler no blog dela em http://telmascherer.blogspot.com/ 

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CONVITE À MARÍLIA
Manuel Maria Barbosa du Bocage

Já se afastou de nós o Inverno agreste
Envolto nos seus úmidos vapores;
A fértil Primavera, a mãe das flores
O prado ameno de boninas veste:

Varrendo os ares o sutil nordeste
Os torna azuis; as aves de mil cores
Adejam entre Zéfiros, e Amores,
E toma o fresco Tejo a cor celeste:

Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo:

Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!

-

CORAÇÃO DE SABEDORIA
Adriana Manarelli

A cada esgar de prata
O funeral de um medo.
Na teia translúcida
Se recolhe, o inatingível.
As tempestades
São apenas o refugo
De núcleos obsoletos.
Essa terra não vela natimortos.

Na arena enferrujada
De cadáveres rubro-negros,
A tuculência aborrece e dorme.
Na imersão límpida a percepção profunda,
Depressões, cabelos de espuma,
Sabedoria real do absoluto.

Isso é o dogma:
Desafia as perguntas —
Indiscutível nesga
Na pele de léguas tórridas.
Achincale dourado
Sobre tudo,
Cada vez mais
Até a perfeição
Do silencioso
Alvo.

Extraído do site Telescópio Negro do ativista cultural e advogado Everi Carrara.  A poetisa Adriana é de Araçatuba, SP.

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VELHOS AMIGOS
Touché    

revivemos o passado
e entre risos paramos o tempo .
sobre o futuro : só
o que irá em nossas lápides

touche.sp@uol.com.br
http://poetasdeguarulhoseoutrosversos.zip.net