No post de hoje, poemas que foram publicados originalmente no fanzine Versos Livres, edição 18 ; do blog Nova Poesia Brasileira e um poema meu.
Aquela triste e leda madrugada,
cheia toda de mágoa e de piedade,
enquanto houver no mundo saudade
quero que seja sempre celebrada.
Ela só, quando amena e marchetada
saía, dando ao mundo claridade,
viu apartar-se de üa outra vontade,
que nunca poderá ver-se apartada.
Ela só viu as lágrimas em fio,
de que uns e outros olhos derivadas
se acrescentaram em grande e largo rio.
Ela viu as palavras magoadas
que puderam tornar o fogo frio,
e dar descanso às almas condenadas
Começamos bem, com um soneto de Camões.
Saiba mais sobre o vate português AQUI
-
MÁCULA
Guilherme Scalzilli
Queria um poema a pleno som
como o estalido do cigarro aceso só.
No entanto, meu breve segredo,
soberbo, quer arrancar o redor.
Queria um poema raiz,lenha,
um poema sangue, urina, cinzas.
Mas a fraqueza esplandece uma manhã
sem sal ou odor, só essa dor atroz.
para Carolina Garutti. Poema do livro "Pantomima". Guilherme é de Campinas – SP . Saiba mais em http://www.guilherme.scalzilli.nom.br/
-
SONETO D'ALMA
Gertrudes Grecco
Sorrir com a alma, é fácil,
basta só, sinceridade...
O restante é mais frágil,
basta viver a verdade!..
A alma quando tocada,
voa longe, vai distante...
querendo trocar é trocada,
abandonando o restante...
O que mais vale ? é o que vai ?
Ou será que o que fica ?..
Podendo viver sem dor...
Expressando, vive, sai !
Pois a vida significa :
Um real e grande amor !!!
Gertrudes é de Guaratinguetá - São Paulo . Atualmente integra a diretoria da FEBAC, Federação Brasileira de Alternativos Culturais e a UBT. Confira AQUI
MOMENTOS DAS DECISÕES
Luiz Fernandes da Silva
A manhã abortou em minhas mãos
o vazio de nossos gestos
na união de nossos corpos adormecidos
A infância de nosso querer
suado e aquecido por palavras,
exercita-se na praia cansada.
Nossos olhos frustrados,
nossas sombras varrem espaços
e arrebentamos todos os infinitos.
Nossas mãos sentiram desejos
de matar nossos receios.
Na escuridão nossos segredos
foram ouvidos mais uma vez
e fomos imunizados
para gozarmos todos os medos.
Luiz é de João Pessoa, Paraíba, onde edita o jornal independente "Correio de Poesia" . R. Dr. José Maia, nº 31 - Cidade do Funcionário 1 - 58078-100 - João Pessoa - Paraíba
-
O QUE MAIS DÓI
Patativa do Assaré
O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau
Patativa é a nossa cereja no bolo de hoje. Esse é apenas um dos seus inúmeros poemas . http://www.suapesquisa.com/biografias/patativa_assare.htm
-
Luiz Otavio Oliani
o que escrevo
não cabe em mim
extrapola o sopro da língua
e se faz terra
enquanto sou ar
com raízes fincadas
a palavra não aterrissa
brota qual semente
roubado do blog de Benilson Oliveira
Nova Poesia Brasileira - http://novapoesiabrasileira.blogspot.com/
-
SONS
Touché
Ela ouvia a loirinha tatuada, gemendo no quarto ao lado. Ouvia a música alegre que ainda rolava na sala. Garrafas quebradas, gritos de alegria. Ouvia o som do relógio na mesa de cabeceira. O coração disparado do garoto de lábios doces, pulsava nas suas mãos, como se pudesse ouví-lo.
