sábado, 4 de agosto de 2012

PLANTIO

PLANTACAO

Semeio o trigo sem me preocupar se o vizinho,
durante a noite,virá com a cizânia.
Semeio o trigo,simplesmente.
Porque é uma herança repassada pelos deuses
- legado de esperança.
E já ando aos risos e saltos.
Aguardando a farta colheita que virá.
Semeio o trigo...

Humberto Del Maestro

Vitória,ES.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

CANÇÃO

espanha

Hoje as nuvens me trouxeram
voando,o mapa da Espanha.
Tão pequeno sobre o rio
e tão grande sobre o pasto
a sombra projetada.
Encheu-se de cavalos
na sombra projetada.
Eu,montado nesta sombra
busquei minha aldeia e casa.
Entrei no pátio onde um dia
existira uma fonte com água.
Embora ali não estivesse a fonte,
a fonte sempre soava.
e a água que não escoava,
voltou para me dar água.

Rafael Alberti

publicado na edição nº 32,do fanzine literário Versos Livres,tradução de Paulo Valadares.

Rafael Alberti (Puerto de Santa Maria, 1902 – idem, 1999),foi um poeta espanhol.Saiba mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Alberti

extraído do jornal "O Boêmio",Matão,SP. Saiba mais sobre o jornal e sobre o seu editor Eduado Waack em entrevista concedida ao amigo Selmo Vasconcelos.http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com.br/2012/04/eduardo-waack-entrevista-n-397.html#!/2012/04/eduardo-waack-entrevista-n-397.html ,

segunda-feira, 23 de julho de 2012

ESPLENDOR

Esplendor de uma Deuza

Cor de melado
Essa prata
E esse gesto
Que traz o toque
Onde tudo principia,
Absinto indolente.

Canário fascina
Na imensidão,
Notas e cifras
Entoa
E as Virtudes
Ressonam ao lado.
Perpétuas perpetuam
Cântares e acalantos
E falam
De mágicas melodias.

Do âmago atemporal
Rilha arbitrário esse azul --
Halo difuso
Sobre a relegada carcaça.
Elaborando fragmentos
Descamados,
Válvulas do onisciente,
Como raiz bulbosa no campo celeste
E o verbo macio
Sobre o nanquim.

Para Valdemar Nadai (In Memoriam)

Adriana Manarelli

Adriana é da cidade de Araçatuba,SP.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

UM POEMA DE BELMIRO BRAGA

equilibrio

Nossa vida é uma balança
com duas conchas iguais:
Numa a alegria descansa,
Noutra descansam os ais...
Como são afortunadas
As almas que podem ter
Nas conchas equilibradas
Igual dor,igual prazer

Publicado no "Versos Livres",nº 28.

Belmiro Ferreira Braga (Belmiro Braga, então Vargem Grande, 7 de janeiro de 1872 — 31 de março de 1937) foi um poeta brasileiro. Em sua homenagem, seu local de nascimento recebeu seu nome após ser elevado à categoria de município, passando a ser chamado Belmiro Braga.

Saiba mais em http://www.jgaraujo.com.br/trovadores/01_belmiro_braga_prefacio.htm

terça-feira, 17 de julho de 2012

OFERTÓRIO

MAOS45

Ofereço-te um copo
Mas,de vodca pura
Ofereço-te um sorriso
mas,de sol de outubro.
Ofereço-te um beijo
Mas de boca irônica
Ofereço-te minha história
Mas de braços abertos

Armanezo provimentos
Que uma justa luta exija
E te ofereço a indiferença
Que tua insignificância mereça

Depois te visitarei
Com o que, de céu azul,
Sobrou nos olhos.

Depois,com ousado vôo de condor
Conjugarei os mais difíceis verbos
Carregando flores sobre escombros
Estenderei as mãos desalgemadas
Para que sintas e entendas
A força do sal da oferenda
Nascido no lençol das madrugadas

Larí Franceschetto

Poema publicado na edição nº 25,do fanzine poético Versos Livres.

Saiba mais sobre esse premiado poeta gaúcho em
http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/2011/01/lari-franceschetto-entrevista-n-293.html

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ODE AO PRIMEIRO POETA

POETA

Quando os homens desceram, um dia, dos montes e se detiveram, trêmulos
diante da planície imensa,
eu te vi erguendo a tua voz forte, límpida e viva.
Eras jovem e tinhas a alegria de quem esta descobrindo o mundo.

Foi a tua palavra que modelou a primeira paisagem, deu ritmo aos ventos e
(imaginou a beleza ingênua dos primeiros e únicos símbolos que se perpetuaram.
Eras criatura e criador.

Estavas no gesto maravilhado que armava as primeiras tendas e na mão
(indecisa que traçava o desenho mágico dos caminhos que se improvisavam;
na imagem da vida em que se embebeu o primeiro surto livre do espírito;

estavas em ti mesmo e fora de ti,
quando os homens desceram, um dia, dos montes e se detiveram trêmulos,
diante da planície imensa...

Emílio Moura
Itinerário Poético

publicado na edição nº 31 do fanzine poético Versos Livres, de Guarulhos,SP.

Emílio Guimarães Moura  um dos maiores e mais esquecidos poetas de nosso modernimo. Integrante do grupo de modernistas mineiros que ajudaram a revolucionar a literatura brasileira na década de 1920. Foi redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais. Moura foi também professor universitário, e um dos fundadores da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais FACE-UFMG, em 1945, onde lecionou e da qual foi o primeiro diretor. Emílio Moura fez parte do brilhante grupo de intelectuais formado por poetas, escritores e políticos mineiros, como Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Martins de Almeida, João Alphonsus, Cyro dos Anjos, Aníbal Machado, Abgar Renaut, Milton Campos e Gustavo Capanema, entre outros, que nos anos de 1920 influenciou notavelmente o movimento que mudou os rumos da literatura brasileira, o Modernismo. Diferentemente da maioria dos amigos, que se mudaram para a capital, Rio de Janeiro, Moura permaneceu em Belo Horizonte, onde passou toda sua vida. Em 1924, integrou, com Carlos Drummond, Gregoriano Canedo e Martins de Almeida, o grupo que editava a Revista, publicação literária modernista. A amizade com Drummond perdurou até a morte de Emílio Moura. (extraído do blog A Poesia do Brasil    http://apoesiadobrasil.blogspot.com.br)

Saiba mais sobre Emílio Moura em http://www.jornaldepoesia.jor.br/emi.html

sexta-feira, 13 de julho de 2012

NOITE

noitemulher

A noite nos faz demiurgos
Anjos soturnos sem asas
A noite nos capta espíritos
Vagantes,nefelibatas.

A noite compressa entre corpos
Esmaga falsos langores
A noite soluça entre mortos
Temores,temores,temores.

Ela adivinha assassinos
Acolhe com brusco carinho
Crimes,estupros,abortos.

E sob a luz de bueiros
Por subterrâneos banheiros
Homens,vermes natimortos

Tom

Poema publicado na edição nº 27,do fanzine literário "Versos Livres"
editado em Guarulhos/SP .

O amigo Tom é de Frei Gaspar,MG.Saiba mais sobre ele acessando o seu blog em http://tomzine24.wordpress.com