segunda-feira, 6 de abril de 2015

Canção do Amor Imprevisto

















Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos…

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita…
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

( Mario Quintana )

Ilustração: Sérgio Astral 

segunda-feira, 30 de março de 2015

A PRIMEIRA ANTOLOGIA

A primeira antologia da literatura brasileira é o Parnaso Brasileiro, publicada de 1829 a 1832, por Januário da Cunha Barbosa. A obra teve êxito e animou vários críticos brasileiros a iniciativas semelhantes e com o mesmo objetivo: dar aos brasileiros a consciência dos valores literários nacionais.

Explica-se,assim, o aparecimento, no século XIX, de grande número de antologias, dentre as quais se podem apontar, como mais importantes, as de Pereira da Silva, Francisco Adolfo Varnhagem e Melo Morais Filho.

Com o desenvolvimento, a partir do fim do século XIX, do ensino médio brasileiro, surgiram as antologias escolares. 

Januário da Cunha Barbosa foi presbítero no ano da chegada da família real portuguesa ao Brasil; lecionou filosofia moral e racional em 1814; foi Cônego na Capela Imperial em 1824 e deputado pelo Rio de Janeiro em 1826; diretor da tipografia nacional e do diário fluminense; partidário e defensor de D. Pedro I. 

A partir de 1835, deixou a política para destinar-se às atividades intelectuais; lutou por conquistas democráticas. Em 1839, foi diretor da Biblioteca Nacional. E fundou, em 1838, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. 
( fonte: Dicionário de Literatura, direção de Jacinto do Prado Coelho, 1979, Figueirinhas, Porto, Lavra Livros Ltda) 

sábado, 14 de março de 2015

FILHOS DA ÉPOCA













Somos filhos da época
e a época é política.
Todas as tuas, nossas, vossas coisas
diurnas e noturnas,
são coisas políticas.
Querendo ou não querendo,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um aspecto político.
O que você diz tem ressonância,
o que silencia tem um eco
de um jeito ou de outro político.
(...)

Wislawa Szymboraka,
Poemas.


publicado no face de Vanna Viana

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

INTERCÂMBIO

No post de hoje, mais alguns poemas extraídos da correspondência enviada para a redação do Versos Livres. Textos, criticas e sugestões serão benvindos no email touche.sp@uol.com.br 


ODE A COPA DO MUNDO NO BRASIL
Paulo Silva 

Lágrimas de um povo
Os de baixo da pirâmide
Na longa sombra da ganância
Esconde a mutilação da vida
(Anigav/Sujeira - povo boliviano ferve! – como eles
dizem e pixam pelas ruas: Fuzil, metralha, o povo não
se cala!)

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ODE A ÚLTIMA SEMENTE
Paulo Silva 

Na plantação de jaz
Os pássaros constroem chips para controle Uno
As abelhas arrumaram emprego em fabricas de ondas
curtas
Os beija-flores vendem flores nas esquinas da vida
A semente brota
Tatuada em seu caule
Prazo de validade
(Anigav – Boicote a Monsanto – Kem controla a
comida controla tudo)

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ODE A KEM CONTROLA A COMIDA
CONTROLA TUDO
Paulo Silva 

Ao passar pela plantação
Indo em direção
A busca dos cindo As
A pekena pombinha
Mudou seu curso
Pois o semeador semeava
Veneno ao invés de alimento.
(Anigav – Viva o alimento orgânico)

Paulo Silva 
poemas extraídos do livreto Floresta no Asfalto 
dadazdawa@hotmail.com; 




domingo, 1 de fevereiro de 2015

Nélida

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"..a gloriazinha fácil não me interessa, essa glória atada com esparadrapos ou arames farpados. Minha obra não tem preço: eu acredito noutro tipo de investimento, que não se paga. Acredito na função social do escritor e é essa crença que sustenta sete ou oito versões do meu texto, o meu alimento diário.

Sou muito ambiciosa, tenho a propriedade de fazer mil combinações verbais. Luto com a palavra, e eu sei que ela é transitória. Quando não consigo a definitiva, quando não tenho outra saída, outra paixão, então eu compreendo que aquela palavra terá que ficar.

Só despacho o texto quando sinto que o dominei temporariamente, quanto sinto uma coisa muito profunda dentro de mim. Eu não me deixo sucumbir pela tentação..."  (Nélida Piñon, em entrevista a Norma Couri, revista Escrita, nº 4)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

POEMAS DE SONIA PALLONE

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"...Eu Te Amo Tudo... Amo até, que doidice, o teu desamor.
Esse esfacelamento que cada ausência tua fez de mim...
Essas ausências estão contigo, são pedaços meus, esmagados
em ti como feridas..."

Sonia Pallone

Confira mais poemas da poetisa Soni@Pallone em  http://solidaodealma2.blogspot.com.br e em
https://www.facebook.com/encantodaspalavras

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CENÁRIOS

Em-uma-tarde-chuvosa

"...Aos poucos, todos os cenários se fecham...
Paisagens desmaiam seus últimos tons alaranjados
e o sol morre num suspiro de acordar a Lua...
Pequenas e breves ventanias abraçam as horas
que se esvaem desertas...
A noite toma silenciosamente o seu lugar
e os sonhos dentro dela acontecem..."

Sonia Pallone

Imagens: Miranda The Tempest, John Waterhouse