terça-feira, 24 de julho de 2018

DUETOS


CLAUDETTE ASSUMPÇÃO E CIDA MARCONCINE

No post de hoje,a continuação do projeto ‘Duetos”,com poemas extraídos do fanzine Versos Livres. Ilustração: Vladimir Volegov

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SÚBITO


De súbito
a tarde  colheu meus sonhos
E na brandura
dos pingos da chuva
que caíam no chão
vi escorrer entre os dedos
o sabor das palavras
 abandonadas
                                que encharcavam o papel                                                                  de um jeito tão doce
que adormeci nos sonhos !
E quando acordei
a noite debruçava sobre mim toda a sua majestade
límpida, dourada plenitude
vestindo-me com toda
sua Paz ! 

                                                Claudete  Assumpção.
In: Versos Livres 07

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VENDADOS


Escuridão . Tato . Boca
Não é preciso ver.
Sabemos com certeza onde colocar
a mão, o dedo, a língua .

Cida Marconcine
In: Versos Livres, 07



segunda-feira, 23 de julho de 2018

DUETOS - QUINTANA E RAIMUNDO DE MAGALHAES


No post de hoje e nos posteriores, teremos dois poemas, de autores diferentes, que fazem parte do projeto ‘duetos’ . São poemas extraídos,preferencialmente, do fanzine Versos Livres,editado em Guarulhos,SP.  Iniciamos com Mário Quintana  e Raimundo D’ Magalhães. Ilustrações: Alexander Roche e Iman Maleki.
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DE GRAMÁTICA E DE LINGUAGEM 



Eu sonho com um poema       
Cujas palavras sumarentas
Escorram  como a polpa  de
um fruto maduro em tua boca.
Um poema que te mate de amor      
Antes mesmo que tu saibas
O misterioso sentido :
Basta provares o seu gosto....

MÁRIO QUINTANA
Extraido do fanzine versos livres, nº 05

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SE ME PERGUNTAS



Se me perguntas se te amo                  
E o que digo, não mostra,
O quão do amor te flamo
O quão do querer me invisto
No olhar do sorrir que dispo,
 Cada vez que te amo....
Pois se demonstrar fosse previsto  
O quão do amor te flamo
Meu Deus !.... O mais ínfimo dum cisco
( como medida )
Pesaria a imensidão d'oceano !

RAIMUNDO DE MAGALHÃES.-
Extraido do fanzine versos livres, nº 05




terça-feira, 19 de junho de 2018

OUTRA VEZ




E outra vez
Chegando de longe
Ela me traz
           Uma estrela  
           Um pedaço de sol
 Uma fatia de plutão
O bolso cheio de infinitos
Me prometendo
O sonho mais bonito
             E vazio
             Um coração
                                    
Valdeli.Vilanova
Guarulhos.

In fanzzine versos livres, edição 04
                                         


quinta-feira, 31 de maio de 2018

TE ENCONTRO



TE ENCONTRO, NO SILÊNCIO DAS HORAS INCERTAS, 
NO MOMENTO EM QUE A LÁGRIMA ESPONTÂNEA
TEIMA EM CAIR PELA SAUDADE.
NO MOMENTO EM QUE O RISO FÁCIL
DENUNCIA A LEMBRANÇA DE UM MOMENTO FELIZ.
NO MOMENTO EM QUE UMA ROUPA SE EXIBE NO ARMÁRIO
LEMBRANDO UM MOMENTO ESPECIAL.
TE ENCONTRO, NO SILÊNCIO DAS HORAS INCERTAS,
EM QUE A LEMBRANÇA DE UM ENCONTRO,
SE FAZ PRESENTE EM UM SONHO,
EM QUE, DE REPENTE, UMA FOTO ANTIGA
APARECE EM MEIO AOS PERTENCES.
EM QUE A RIMA DE UM VERSO DE AMOR  
CONTA A HISTÓRIA DE NÓS DOIS.
TE ENCONTRO, NO SILÊNCIO DAS HORAS INCERTAS,
NAS HORAS INCERTAS, TÃO CHEIAS DE SILÊNCIO
.

VALENTINA FRAGA

domingo, 13 de maio de 2018

CINCO POEMAS DE AMOR


Nas postagens anteriores ,com os poemas de Paulo M e Leonardo Santarolli,iniciamos a série "Poemas de Amor", do projeto "Cinco Poemas", com textos extraídos preferencialmente do fanzine Versos Livres. A série prossegue com Valentina Fraga, Clarissa Corrêa e Valdeli Vila Nova.

No post de hoje,trago Anderson Delano (.andersondelano.com)

Bibliografia ;
Jus Sanguinis — 2005
Laudas Alaudadas — 2008
140 Microcontos — 2013
Aquarelas de Um Aquário Imaginário — 2018

Coração


Deixar ir é um ato de Amor,
Nem sempre a flor bruta brota,
No horto ou na Aorta

Anderson Delano



segunda-feira, 9 de abril de 2018

NOSSO AMOR




Nosso amor é diferente.
Nossa história não viraria um filme
tampouco uma canção calma, lenta e linda.
Nosso amor é diferente desses que são anunciados na TV.
É diferente daqueles que acontecem a primeira vista
ou envolvem uma história linda de como superar as diferenças.
Nosso amor sempre foi dos detalhes.
Nosso amor tinha cuidado e atenção.
Ele começava no brigadeiro de panela e terminava no domingo ao som de uma boa música.
Nosso amor nunca coube textão, desespero ou preocupação.
Nosso amor é diferente.
Ou melhor, nosso amor sempre foi normal e simples demais ao ver dos outros.
Ele sempre coube na palma da mão.
Você e eu sabemos.
Nosso amor pedia no máximo uma mensagem de bom dia e outra de “estou chegando, arruma que vamos ali.” E as brigas eram tão bobas que acabavam sempre com gargalhadas e uma promessa de que nunca brigaríamos por bobagem de novo.
Nosso amor ainda vive aqui.
E cê sabe que vive aí também.
É que amor como o nosso não precisa de telespectador ou apresentador.
Nosso amor é figurante nesse cinema todo que é criado em torno de duas pessoas e de um simples “eu te amo”.
Nosso amor não tem plateia.
Ele sempre esteve representado no brilho dos nossos olhos. (e na perfeita união dos nossos corpos grudados)*

Leonardo Santaroli
Instagram user name "@meumeioverso"
textos autorais sobre o amor e outras manias. @leosantaroli.

(da série "Cinco Poemas de Amor"
Fanzine Versos Livres

terça-feira, 6 de março de 2018

CINCO POEMAS DE AMOR - Paulo -



O AMOR QUE SINTO POR VOCÊ



Eu não gosto do amor com batatas fritas
nem o amor nas novelas da TV
e muito menos nos poemas do Zack Magiezi
Quero o amor nos abismos
nos redemoinhos
nos ciclones
nas tempestades
Quero o amor que te leva ao beco sem saída
para depois te levar para o infinito
Quero o amor nas canções de Nina Simone
Ou o amor que se joga contra o muro como um kamikaze
Quero o amor que chora, que uiva, que guincha
e principalmente que geme
Não quero o amor na geladeira
para ser requentado no sábado à noite
Não quero o amor com um aviso de “Perigo, não ultrapasse”
Quero o amor que ultrapassa todos os limites, todas as covardias
Quero o amor que espalhe venenos e luxúria
Quero o amor dos incêndios, do vôo duplo sem rede de proteção
Quero o amor que depois que se entra, não tem mais volta
Quero o amor dos labirintos, dos animais extintos, do amor sem extintores, sem cobertores
sem desertores
Quero o amor que eu sinto por você e que você sente por mim:
o amor de um bichinho na chuva que sorri quando você chega...

Paulo Mohylovski
dedicado para Margarete E.
https://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=72420

(da série "Cinco Poemas")
blog Fanzine Versos Livres

Ilustração: Georgia Lobo